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O Senhor
chegou de madrugada.
Disse às coisas: Agora
e ao tempo: Vamos.
Viu que tudo era bom.
Foi o primeiro dia da
criação.
Depois chegámos nós:
repetimos as palavras,
plagiámos a madrugada,
o tempo piorou as coisas
do Jardim
e fez-se noite
em tudo o que era bom.
O Senhor
veio ter connosco
outra vez
para abrir um caminho de paz
no meio da noite.
Nós também voltámos
para semear ventos de guerra.
E colhemos tempestades.
O Senhor
fez cair a chuva;
para regar os campos
e fecundar as nossas mentes.
Porém, as invejas e paixões
deitaram ao mar o cesto
das sementes.
O Senhor
abriu as mãos
para encher de trigo os
nossos celeiros
e de felicidade os nossos
corações.
Mas, o egoísmo fechou-nos as
mãos
e a ambição aumentou os
celeiros.
O Senhor
feriu com a vara o rochedo
e, no vale das murmurações,
correu água e esperança.
Mas a ingratidão devolveu a
sede,
e a saudade do Egipto secou o
rio.
O Senhor
levou-nos à montanha santa;
ergueu uma tenda,
escreveu uma lei
e fez connosco uma aliança.
Mas a vaidade humana subiu
mais alto
e aliou-se aos pecadores,
e as nossas torres
ocultaram a tenda de Deus.
O Senhor
voltou mais tarde
com mais sementes e esperança
e a mesma paciência,
e a nós:
Vamos.
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