“Senhor,
mostra-nos o Pai”
Disse-lhe Filipe:
“Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.”
(do Evangelho: Jo 14,1-12)
Senhor,
mostra-nos o Pai
– a quem nenhuma
criatura jamais viu,
a não ser Tu, o
Primogénito que estavas nele,
eras um com Ele e
no-lo deste a conhecer:
no teu sorriso, no
teu silêncio, na tua paz,
na tua
misericórdia, na oração, no jejum, nas palavras,
nos gestos
milagrosos ternos e acolhedores.
O Pai
– em nome de quem também pegaste
no chicote para
devolver dignidade à sua casa.
Senhor,
mostra-nos o Pai
– de quem vieste
para fazer a sua vontade,
como decidiste
ainda no seio materno.
O Pai
– em cuja casa viveste desde os doze anos;
não a casa do
lugar/templo, mas a do coração,
a do projecto
salvador que Ele tinha para todos,
e que Tu aceitaste
concretizar no que foste e fizeste,
quando te fizeste
homem e vieste habitar connosco.
Senhor,
mostra-nos o Pai
– a quem louvaste,
em êxtase,
movido pelo
Espírito da Alegria e da Verdade,
quando viste os
simples e os pobres
rodearem-te para
te ouvirem,
enquanto os sábios
e soberbos te expiavam
para não terem que
aceitar-te.
O Pai
– a quem te deste nas tentações do deserto
e a quem te
entregaste no suspiro derradeiro.
Senhor,
mostra-nos o Pai
– para quem
voltaste, depois de teres vindo de junto dele,
cumprindo a Páscoa
da tua vida.
O Pai
– a quem confiaste os discípulos,
na oração
sacerdotal da última Ceia,
e a quem rezaste
no Jardim das Oliveiras e no Calvário:
– Pai, se é
possível, afasta de mim este cálice.
– Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
– Pai, nas tuas
mãos entrego a minha vida.
Senhor,
mostra-nos o Pai
– e dá-nos o
Espírito que, de junto do Pai, nos
enviaste.
Ele fortaleça o
nosso coração de filhos,
para rezarmos como
ensinaste aos discípulos:
Pai Nosso...
Lopes Morgado
in
em minha memória
Difusora Bíblica, Fátima 2004, pp. 42-43