A caminho de Emaús
A
partir do Evangelho (Lucas 24,13-35)
I
Sentiam-se explodir, vulcões inquietos:
– Já
fomos enganados tantas vezes…
Julgávamos que desta era diferente!
Lá iam,
de memória dolorida,
Seus
olhos prisioneiros no presente.
– Não
lestes o que outrora vos disseram
Moisés e
os Profetas? Que um Messias
E servo
sofreria pelo povo
Mas que
ao terceiro dia triunfava?
– E quem
és tu? Será que não ouviste
As
últimas notícias? Enganou-nos!
Três dias
já lá vão – e dele, nada!
– Bem, há
umas mulheres que disseram
Que uns
homens como anjos tinham dito…
Mas,
dele, ninguém viu sinais de vida!
II
Jesus
entrara, assim, nessa conversa
Como se
aqueles homens sem esperança
Não
fossem a falar da sua morte.
A dor
tinha-lhes mesmo escurecido
As
mentes, ao sol-pôr, e já não viam
Que o
novo companheiro era o seu Mestre!
(Tu sabes
que é difícil crer de novo
Depois da
decepção de um desamor
Ou de uma
crença imposta. Crês – se amas!)
A chama do calor que o sol perdera
Queimava no seu peito, renascida.
E a luz da fé mortiça reanimou-se
Ao Ele partir o pão: “É o Rabunni!”
Mas Ele já lá não estava: Era O Vivente!
E foram para a vida proclamá-lo.
Lopes Morgado
(inédito)