|
Natal Franciscano*
Antes da Comunhão, após o Celebrante
erguer a Hóstia e antes de dizer “Eis o Cordeiro de Deus…”, duas pessoas
(que podem estar vestidas de Clara e Francisco) avançam até ao altar e,
uma de cada lado, inclinando o corpo em atitude de adoração, dizem um
dos poemas seguintes:
I
|
(Francisco) |
Olha, Clara, que ternura
Deus revela neste dia:
Nasce, o Eterno, criatura
Filho da Virgem Maria.
|
|
(Clara) |
Ó Francisco, tanto amor
com que Deus nos desafia!
Como pode o pecador
acolhê-lo em noite fria?
|
|
(Francisco) |
Ouve, Clara, o céu e a terra
em tão doce melodia.
Toda a Paz que Deus encerra
vem ser nossa companhia.
|
|
(Clara) |
Ó Francisco, este Menino,
que nos enche de alegria,
é o mesmo Pão divino
que ali vês na Eucaristia.
|
|
(Francisco) |
Ajoelhemos e cantemos
com os anjos à porfia.
|
|
(Clara) |
E, humildes, comunguemos
o Senhor que nos sacia. |
II
– Ó meu Menino Jesus,
luminoso amor-perfeito,
vem nascer, com tua luz,
no presépio do meu peito.
– Ó meu Menino Jesus,
Filho da Virgem Maria,
tão pequeno e já na cruz
na hóstia da Eucaristia!
– Ó meu Menino Jesus,
deitado na palha dura!
– Ó Pastor, que nos conduz
no meio da noite escura!
– Ó tão excelsa pobreza
dum Rei que se faz Irmão!
– Ó Amor, que pões a mesa
e te dás em refeição!
III
– Olha, Irmã Clara, que ternura
Deus manifesta neste dia:
Faz-se, o Eterno, criatura
e nasce Filho de Maria.
– Sabes, Francisco, este Menino,
que vem encher-nos de alegria,
é aquele mesmo Pão divino
que em Sacramento nos sacia.
– Ouve, Irmã Clara, o Céu e a Terra
juntos, em doce melodia.
A Paz e o Bem, que o Pai encerra,
enchem de luz a gruta fria.
– Ó Frei Francisco, tanto amor
com que hoje Deus nos desafia!
Vamos fazer, em seu louvor,
da nossa vida, Eucaristia.
– Oh! forma excelsa de pobreza,
jeito sem par de ser Irmão:
– Deus vem sentar-se à nossa mesa
e dá-se todo em refeição!
Lopes Morgado
in Ao Encontro do Sol, Paulinas
(Lisboa 1998), 143-145
________________
*
Três leituras do quadro de Josefa de Óbidos “S. Francisco de Assis e
Santa Clara adorando o Menino Jesus” (1647). Colecção Particular.
Exposto no Palácio da Ajuda em 1991. |