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À tua Luz
Um dia vim à luz: mas da tua Luz
é que eu nasci no dia em que nasci.
À tua Luz caminho e sei que um dia
à fonte da tua Luz hei-de voltar.
E não sou Luz da Luz: Esse é teu Filho.
Mas sou a luz do Mundo: assim o disse
teu Filho, que nos disse que era a Luz
e só quem O seguisse viveria.
De noite, mariposa Te procuro.
De dia, muitas vezes desatino —
abelha arremetendo contra a estufa,
perdido o norte à flor e à colmeia.
Agora renuncio a ver: abertos
os olhos para dentro, me convoco
pelo rasto da tua Luz em mim. E canto
a Luz de me saber teu filho amado.
Lopes Morgado
In Ao Encontro do Sol
Paulinas (Lisboa, 1998) 175 |