PAZ e BEM! Bem-vindo à Página dos Frades Missionários Capuchinhos

Página Principal


São Francisco Assis


Espírito de Assis


Porciúncula


Ordem Capuchinhos


Missão em Timor


Onde Vivemos


Espaço Jovem


Música


Apontadores


 
Pausa

"Homem nítido"

 

 

"Homem nítido"

 

"O homem perfeito consta de três coisas: carne, alma e Espírito".

Quem formulou esta definição foi Santo Ireneu de Lyon na sua obra

'Adversus Haereses'. É a definição mais completa, cristã e

exigente de homem, que eu conheço.

 

 

Ireneu fala do Espírito que desceu e permaneceu sobre Jesus (Jo 1,32). O Espírito que éHomem nítido a vida e sem o qual nada veio à existência (Jo 1,3; ver Gn 1,2.26). São Paulo diz que «o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Cor 3,17); é «um espírito que vivifica» (1 Cor 15,45): sem Ele, o homem não pode reflectir aquilo que realmente é - "imagem e semelhança de Deus".

 

Para saber qual é essa "imagem e semelhança", precisamos de olhar para Jesus. N'Ele, o Espírito Santo manifesta-se sempre como o espírito do homem, isto é, aquele que realiza a imagem original do homem. Por isso, Jesus nunca justificou as suas palavras e atitudes socorrendo-se de qualquer tipo de magistério, fosse ele de cariz religioso, jurídico ou científico. Apelou, pura e simplesmente ao homem, à verdade original do homem.

 

De forma muito simples e profunda, disse: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27); um homem vale mais que uma ovelha (Mt 12,12); a verdade primeira do homem está em ser uma só carne com a mulher que ama (Mc 10,6-7); «Não lestes o que fez (o homem) David, quando sentiu fome?» (Mt 12,3); O que não é possível aos homens, é possível a Deus (Mt 19,16).

 

Ora, é esta verdade do homem anunciada por Jesus que o Espírito de Jesus pronuncia em nós (Rm 8,26-27), isto é: o ser divino do homem. Quem possui esta realidade que liberta e configura - sendo, assim, uma unidade de "corpo, alma e Espírito" - pode chamar-se, com toda a razão, "homem nítido", diz Ireneu.

 

O "homem nítido" parece, hoje, um "homem baço", de olhar triste, ensombrado, depressivo. Porquê? São Paulo diz que, quando o homem põe em jogo o seu ser divino, entra em crise (Rm 1, 18ss). Em vez de ser animado pelo Espírito da liberdade, escolhe submeter-se a outros espíritos que bem conhece e entre os quais se debate: o espírito da escravidão à lei e o espírito da escravidão a si mesmo. Mas estes, são espíritos que falsificam e deformam a imagem original do homem.

 

A velha pergunta 'Quem é o homem' não é, hoje, uma pergunta meramente retórica. Parece que nas sociedades ditas desenvolvidas tudo se encaminha para ceder à pretensão do homem de ser ele mesmo, de algum modo, o autor da vida e, consequentemente, ser ele, também, a decidir quem deve morrer e quem deve viver, quem pode nascer e quem não pode. As leis sobre o aborto, a eutanásia, a fecundação artificial, a manipulação genética, a clonagem, manifestam essa mudança radical da ideia de homem e a emergência da noção de homem criador de si mesmo.

 

Todos os países ditos democráticos reconhecem e declaram invioláveis os direitos que precedem o homem, isto é, que são inatos - a vida, a liberdade, a identidade; mas depois, constroem um arrazoado jurídico que os coloca constantemente em causa, dando assim lugar à construção cultural de direitos e de éticas novas - os assim chamados "direitos civis": ao aborto, ao filho, ao uso de embriões, à eutanásia, à negação da radical diferença sexual entre homem e mulher, etc.

 

Por tudo isto, a velha pergunta 'Quem é o homem?' (SI 8,5) surge, espontânea e preocupante, em quem pressente o eclodir perigoso de um homem "pós-humano", atingido na sua dignidade divina e, por isso, de raiz duvidosa, de prática arbitrária e destino obscuro.

 

Reencontrar a intimidade original entre o Espírito e a natureza é o caminho para evitar que, desvitalizada e despojada da sua peculiar dignidade, a natureza seja convertida em matéria bruta, escura ou mero recurso. Unir o Espírito, a carne e o sangue, é condição essencial para voltar a fazer deste "barro" o tecido maternal do ser autêntico - "homem nítido", "imagem e semelhança de Deus".

 

 

João Lisboa

 

 
Página Principal | Capuchinhos em Portugal | Contactos | Ficha Técnica | Sugestões

© 2006 Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Portugal)