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Cimeiras
Reduzir para metade a pobreza extrema até 2015 é um
dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) assumidos
pelos chefes de Estado e de Governo que assinaram a Declaração
do Milénio no ano 2000. Estes objectivos foram várias vezes
reafirmados em diversas cimeiras, no âmbito da ONU, do G8,
ou da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Parecia que a entrada no Novo
Milénio surgia embalada pela grande confraternização
dos peregrinos já anunciada no Salmo 133(132) “Vede como é
bom e agradável, que os irmãos vivam unidos. É como o orvalho do
monte Hermon, que escorre sobre as montanhas de Sião” (Sl
133, 1.3). Quando se produz o degelo da neve eterna que cobre o
monte Hermon, as fontes do rio Jordão regurgitam e as águas do
rio, descendo e irrigando as terras, constituem uma bênção de
vida e pão para o povo. Adivinhava-se, pois, uma era de paz,
entendimento e justiça.
Segundo o dicionário da Academia
de Ciências de Lisboa, cimeira significa “reunião em que
participam as autoridades máximas de dois ou mais estados, tais
como chefes de governo, altos responsáveis..., com a finalidade
de fazer acordos, ou encontrar plataformas de entendimento de
carácter político, económico ou outro”. Pois que tais cimeiras
deram resultados tão transcendentes para o desenvolvimento da
humanidade, como são os ODM, os que os delinearam com tanta
lucidez e humanismo bem se podem chamar “montes”.
Ao comentar Is 2, 2, São Gregório
Magno explicava que o monte do templo do Senhor, ou a Casa do
Deus de Jacob, é o povo de Israel. E dizia, “É verdade que neste
povo houve varões santos que, com razão poderiam chamar-se
montes porque, por mérito da sua vida, acercaram-se aos céus”. A
mesma comparação é usada pelo o padre António Vieira no sermão
de Nossa Senhora do O, “Chamam-se os patriarcas e profetas
montes e outeiros porque assim como os montes e outeiros se
levantam sobre os vales e se avizinham mais ao céu, assim os
patriarcas e profetas, pela eminência da dignidade, da santidade
e do conhecimento de Deus, em relação ao outro povo, mal
disciplinado e rude, e incapaz de tão altos mistérios, eram os
montes e outeiros do mundo”.
Como não sentir vontade de
comparar estes púlpitos modernos com o púlpito a que Deus subiu,
para se fazer próximo e comunicativo, o monte das
Bem-Aventuranças. É muito interessante a forma como Mateus
inicia o discurso da montanha, “Ao ver a multidão, Jesus
subiu a um monte. Depois de se ter sentado (isto é, “não se
ter colocado tão alto”, ou “se ter posto mais à mão”), os
discípulos aproximaram-se dele”.” (Mt 5, 1-2). A aproximação
de Jesus provocou a confiança e consequente aproximação dos
discípulos. Jesus disse:
“Felizes
os que se comprometem a erradicar a pobreza extrema e a fome,
porque tive fome e me destes de comer”.
Felizes
os que ajudaram a que o ensino primário chegasse a toda a gente,
porque queria saber e me ensinastes”.
Felizes
os que promovem a igualdade entre os sexos, porque serão imagem
e semelhança de Deus.
Felizes
os que se esforçam por reduzir a mortalidade infantil, porque
serão chamados cidadãos do Reino de Deus.
Felizes
os que se empenham em melhorar a saúde materna, porque
alcançarão a Vida Eterna.
Felizes
os que combatem o HIV/SIDA, a malária e outras doenças graves,
porque estive doente e me curastes.
Felizes
os que asseguram a sustentabilidade ambiental, porque “Eu sou
o Senhor e não há outro”(Is 45, 18) e me respeitastes.
Felizes
os que promovem uma parceria mundial para o desenvolvimento,
porque serão chamados filhos de Deus” (cfr Mt 5, 1-12; Mt 25,
31-46; ODM).
João Lisboa
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No dia
17 de Outubro de 2007, Dia Internacional da Erradicação da
Pobreza, cerca de 65.000 portugueses associaram-se à acção
“levanta-te contra a pobreza”, para, em conjunto com cerca
de 43 milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo,
lembrar aos governos das nações que é preciso mudar ainda
muita coisa para que em 2015 não se falhem as metas e que,
entretanto, 50.000 pessoas continuam a morrer por dia de
pobreza extrema.
“Senhor Tu dás firmeza às
montanhas com a tua força.” (Sl 64, 7). Envia a tua
luz e a tua verdade, para que elas nos guiem e nos
conduzam à tua montanha santa, à tua morada” (cfr. Sl 43,
3). |
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