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Introdução
Uma primeira
classe de métodos de leitura da Bíblia é constituída pelos assim
chamados métodos científicos: o Método
histórico-critico e o método semiótico ou também
chamado estruturalista são os dois grandes métodos
científicos mais praticados actualmente. Por não fazerem
directamente parte do nosso estudo, vamos prescindir deles. Os
métodos que aqui nos interessam são os que poderíamos chamar
MÉTODOS PASTORAIS DE LEITURA DA BÍBLIA. Mas queremos, desde
já, desfazer alguns possíveis equívocos: Mais do que métodos
propriamente ditos, trata-se de modos de ler, de perspectivas de
leitura, numa palavra, de métodos em sentido amplo. Outro
possível equívoco: os métodos científicos referidos são métodos
de investigação bíblica, em sentido estrito; mas os "Métodos
pastorais", longe de prescindir deles, pretendem
levar à prática as aquisições dos métodos científicos e levar
eficazmente a leitura da Bíblia ao povo.
Por outro lado, é
mediante estes últimos métodos que os primeiros atingem os seus
objectivos, pois todo o estudo científico tem uma finalidade
essencialmente pastoral. Uma das grandes dificuldades da Igreja,
ao longo da sua já longa História - numas épocas mais do que
noutras - foi precisamente a de saber traduzir a linguagem da
Bíblia para os fiéis. Tudo quanto afirmamos é justamente
ressaltado em todos os documentos da Igreja sobre a Bíblia.
Por isso, não se percebem tantas reticências quanto ao uso da
Bíblia, nem os receios de falsas interpretações devidas à
leitura da Bíblia pelo povo. Se a Bíblia nasceu dum povo e foi
sempre o livro do povo - e não apenas dos exegetas e do clero -
a principal tarefa da Igreja estará em ensinar o povo a ler e a
compreender a Bíblia como Palavra de Deus. Não podemos voltar a
um passado, mais ou menos remoto, em que se retirou o pão da
Bíblia das mãos do povo, oferecendo-lhe, em troca, o alimento de
muitas devoções de valor cristãmente duvidoso. Para acabar com
todos os equívocos, o Concílio Vaticano II afirmou solenemente:
"A
Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o
próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na
sagrada liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o Pão da vida,
tanto da mesa da Palavra de Deus, como do Corpo de Cristo"
(DV
21).
A Igreja parte da convicção de que é a Palavra de Deus que
há-de renovar a pastoral dos seus agentes e a vida dos cristãos
e das comunidades: Deus, que outrora falou, dialoga sem
interrupção com a Esposa do Seu amado Filho; e o Espírito Santo
- por Quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja e no mundo -
introduz os crentes na verdade plena e faz com que a Palavra de
Cristo neles habite em toda a sua riqueza (ver Col 3,16).
A este propósito, o card. Martini diz que um povo que não
utiliza a Palavra permanece passivo e mudo, a ouvir e a calar,
não cresce na comunhão do mistério e não pode exprimir na vida a
sua fé.
As
experiências levadas a cabo tanto em países culturalmente
avançados como menos avançados testemunham, por um lado, a
ignorância quase total do que é a Bíblia e a falta de convicção
da sua necessidade, o que se deve a uma catequese muito
deficiente; por outro lado, sentiu-se a necessidade duma leitura
simples e popular da Bíblia, acessível a todas as pessoas.
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