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Métodos Pastorais de Leitura Bíblica

6.8. Leitura da Bíblia em 100 Semanas

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6.8. Leitura da Bíblia em 100 Semanas [1]

 

Trata-se duma experiência levada a cabo no Japão e é, fundamentalmente, uma acção de formação bíblica de adultos.

 

 

1. Apresentação geral do método:

 

Este consiste, fundamentalmente, na leitura individual (em casa), dum determinado texto, participando, depois, na reunião semanal do grupo. Esta leitura tem em conta o contexto histórico-cultural do povo da Bíblia e realiza-se ao longo de dois ou três anos, com uma divisão bem escalonada da Bíblia. O objectivo que se pretende é, não só ler toda a Bíblia, mas colocar-se à escuta da Palavra durante o tempo mais longo possível.

 

 

2. Método de reunião semanal:

 

 

Esquema:

- Cântico dum Salmo

- Repasso da reunião anterior. Resposta a questões (25 minutos)

- Partilha e oração (1 hora)

- Pausa para o chá

- Intervenção do Animador: apresentação do texto da semana seguinte

 

 

2.1. Cântico do Salmo: É oração da Igreja; escolhe-se, preferentemente, um salmo de louvor e com o mesmo contexto do texto do dia. Começa-se sempre à hora marcada.

 

2.2. Repasso: É um tempo relativamente curto e o animador tentará fazer a ligação com o que já foi aprendido antes e com o contexto geral do texto, mesmo com o Novo Testamento. O animador não deverá aparecer com ar magistral nem estender-se em grandes explicações, dando apenas em certas explicações claras e sóbrias. O mais simples será o animador perguntar, por exemplo: Que diríeis acerca de Abraão?, deixando as pessoas responder uma por uma a esta e a outras perguntas.

 

2.3. Partilha: É esta a característica essencial deste tipo de grupos bíblicos. Cada membro do grupo vai dizendo, livremente, o que encontrou na leitura. Não se lhe pede um resumo, nem comentário nem exortação...Mas simplesmente o que chamou mais a sua atenção, o que mais o impressionou. Cada um não deverá dizer mais de 2 ou 3 coisas importantes.

 

Durante este tempo, os outros membros do grupo escutam em silêncio, sem qualquer género de intervenção, tomando apontamentos, se isso lhes interessar. A partilha é feita em clima de confiança e de escuta da Palavra. Ao princípio pode ser difícil; nas as dificuldades vão desaparecendo.

 

2.3. Oração: Esta é feita por cada um imediatamente depois da sua partilha. É uma oração espontânea e em voz alta, dirigida a Deus e não de forma vaga e impessoal, do tipo: "Peço a Deus que nos dê bom tempo, no domingo". É fundamental este tipo de oração. A partilha e esta oração são as características essenciais da reunião semanal.

 

O animador termina esta parte da reunião com a sua partilha e oração, juntando o Pai-Nosso, a Avé-Maria ou um Salmo.

 

2.4. Pausa do chá: É um tempo que ajuda a criar comunidade. As despesas são por conta de todo o grupo.

 

2.4. Resumo da Partilha. Preparação da lição seguinte: Depois da pausa, no pouco tempo que ainda falta, o animador resume rapidamente os pontos essenciais da partilha. Depois, anuncia a lição seguinte, dando o contexto histórico e religioso do mesmo, para facilitar a leitura pelo grupo. Dará por terminada a reunião, na hora marcada,  mesmo que lhe falte qualquer coisa para dizer.

 

A reunião conclui com o cântico dum Salmo.

 

 

3. Como ler o texto em casa?

 

- Arranjar um tempo de leitura cada dia.

- Fazer uma breve oração no princípio e no fim da leitura.

- Tomar notas, resumir cada capítulo lido, o que lhe será precioso mais tarde.

- Depois da leitura do texto, fechar os olhos e deixar que o coração fale. Será isso que irá dizer na reunião do grupo. Apontar, para não esquecer.

- Será muito útil que a família colabore. Por isso, será bom que alguns textos sejam lidos em voz alta, como modo de participação de toda a família.

 

Aconselha-se a estudar alguma coisa de Bíblia mas a não ler comentários muito profundos, para não se cair na "intelectualite". Efectivamente, o método insiste na partilha da Palavra escutada e na oração. Aconselha-se igualmente a que o animador fale pouco, a fim de deixar o espaço maior possível aos membros do grupo.

 

 

4. Como se inicia um grupo?

 

- Por convite dirigido a todo o género de pessoas.

- Reunião de informação, onde se explica que não se trata de vir cada semana buscar conhecimentos em conferências bíblicas, mas de cada um ler e meditar a Palavra de Deus em sua casa e no grupo.

- No fim desta reunião de informação, as pessoas inscrevem-se como participantes do grupo.

 

- Sugestões para a primeira reunião:

* 1ª parte, na capela para uma celebração da Palavra:

. Ler e comentar o texto de Emaús: Lc 24,13s

. Ler o texto da cura do surdo-mudo: Mc 7,34s

. Imposição das mãos, pelo sacerdote, sobre todos os participantes.

. Oração de invocação, Pai-Nosso, Avé-Maria.

* 2ª parte: na sala de reuniões:

. Explicar brevemente este método de leitura da Bíblia

. Apresentar rapidamente a História do Antigo e do Novo Testamento

. Sublinhar o contexto do Exílio, como preparação para compreender Gn 1-2, textos da semana seguinte.

 

 

5. Frutos que se esperam do método:

 

1. Conhecimentos intelectuais: Num mundo cada vez mais especializado, necessitamos, urgentemente, de conhecer melhor a nossa fé e de saber dar razões da mesma. A Bíblia apresenta-nos um rosário de personagens, que fizeram uma experiência religiosa concreta. Conhecer estas experiências ajuda-nos a fazer experiências semelhantes.

 

2. Uma formação humana:

- Aprendemos a exprimir-nos: as pessoas terão, cada semana, ocasião de se exprimir, partilhando a palavra e a oração. É uma profissão de fé diante da comunidade. E isso torna-se fonte duma grande alegria.

- Aprendemos a escutar: a escutar os outros, com humildade e a escutar o Outro. O animador deve estar atento para não falar demais, a fim de que sejam eles e Ele a falar (ver 2 Sam 3,9).

 

3. Uma autêntica formação da fé: Esta leitura é feita na fé da Igreja e em união com o Espírito de Deus. É uma leitura muito diferente da do não-crente, que procura na Bíblia apenas conhecimentos de História antiga.

- Deus fala-nos através da Sua Palavra e nós acolhemo-la numa atitude de fé, de admiração e de louvor.

- Esta leitura faz-nos descobrir que a acção do Espírito Santo existia muito antes do dia do Pentecostes. Por isso, somos também convidados a uma conversão contínua da nossa vida (ver 1 Cr 30,6-9).

- Cada página da Bíblia conduz-nos Àquele que é o Princípio e o Fim de todas as coisas e que, no Mistério Pascal da Eucaristia, se entrega a nós.

 

 

6. O que diz a experiência:

 

A experiência já vivida mostra que este método deu bons resultados:

- Os participantes tornam-se cada vez mais atentos à escuta da Palavra.

- A descoberta mais profunda de Deus, que está próximo dos que O escutam.

- Compreendem que a fé não se pode viver no isolamento, mas em comunidade.

- Começam a fazer uma oração mais autêntica.

- Seguem muito melhor as leituras bíblicas da Eucaristia.

- Já não temem as questões das seitas, que lhes batem à porta.

- Os pais estão melhor preparados para responder aos problemas dos filhos.

- Destes grupos saem autênticos animadores de outros grupos e comunidades cristãs.


 


[1]. Ver Bulletin Dei Verbum, 21, Sttutgart 1991, p. 13-16.

 

 
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