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6.5. Método de estudo em
grupo: Método de Kigali
Apresentamos
este método, organizado na África, concretamente na capital do
Ruanda, como um modo mais de prestar atenção ao texto em si
mesmo do que à resposta ao texto, pela oração e pela celebração
da Palavra.
1.
Primeiro contacto com o
texto:
* Ler o
texto escolhido duas vezes, em voz alta.
* Anotar
rápida e imediatamente, depois desta primeira leitura, as
primeiras impressões: o que me agrada, o que não me agrada
muito, o que me produz admiração, o que não gosto. Este primeiro
tempo dura apenas alguns minutos.
2. Observar
o texto:
É necessário
saber acolher um texto e aceitá-lo tal como ele é. Ele não é um
espelho que me reenvia o meu rosto, onde eu vejo o que me
agrada. É a ele que eu devo procurar, observar. Eis aqui alguns
meios que me facilitam a observação:
* Reparar no
princípio e no fim do texto (alguns versículos). Ver o que
aconteceu, que transformação se produziu entre o princípio e o
fim
* Descobrir
os lugares que são mencionados no texto
* Anotar as
personagens do texto e as suas relações:
- Qual
parece ser o personagem principal? Que diz e que faz?
- Quem está
do seu lado? Quem está contra? Quem o ajuda?
- Quem é
activo? Quem é passivo?
* Reagrupar
as palavras do texto que pertencem à mesma "família", que se
referem ao mesmo tema (campo semântico). Cada texto põe em
acção, frequentemente, algumas famílias de palavras bem
concretas.
* Anotar as
oposições e os contrastes do texto, se os houver.
3. Procurar
informações fora do texto
As
informações fornecidas pelos especialistas podem esclarecer o
texto:
* Lendo as
notas e os lugares paralelos da Bíblia.
* Utilizar
um dicionário ou vocabulário bíblico.
4. Questionar o texto: Já que
os Evangelhos foram escritos depois da Ressurreição, por crentes
e para crentes, podemos tentar encontrar alguns pontos de
referência:
A - Para o Novo Testamento:
a) O
acontecimento da vida de Jesus (ou dos discípulos) de que
fala o texto.
b) A fé
em Cristo ressuscitado, que aqui se exprime, claramente ou
de forma velada, e a esperança que ela suscita.
c) A vida
da Igreja que está subjacente ao texto: qual era a
necessidade que os cristãos tinham, para escreverem e
conservarem este texto.
d) Que
alusões directas ou indirectas ao Antigo Testamento existem?
B - Para o
Antigo Testamento, procurar:
a) A
História de Israel ou o acontecimento sobre o qual este texto se
apoia.
b) A fé no
Deus libertador, que se exprime claramente ou de modo
velado.
c) A vida
dos crentes de Israel, que está subjacente ao texto: que
necessidades tinham, ao escreverem e conservarem este texto?
d) Que
alusões directas ou indirectas a outros textos do Antigo
Testamento existem?
5.
Apropriação do texto
(que sentido para hoje)
* Segundo o
que foi observado nos quatro primeiros tempos, tentar perceber o
testemunho de fé que se depreende do texto, a parte da "Boa
Nova" que nele se encontra.
* Como é que
este testemunho de fé (Boa Nova) pode esclarecer, ajudar a nossa
fé, no tempo e lugar onde vivemos?
* Como
podemos traduzir, por outras palavras, este antigo texto a fim
de ser compreendido pelos que nos rodeiam?
* As
impressões que tivemos no primeiro contacto com o texto não se
deverão, agora, completar, corrigir ou, simplesmente, abandonar?
* Que oração
nos inspira agora a leitura deste texto?
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