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5. Alguns princípios básicos a
ter em conta na leitura da Bíblia
Já acima
elencávamos alguns princípios fundamentais de leitura da Bíblia,
em forma negativa. Vejamos, rapidamente, mais alguns princípios
que devem orientar a nossa leitura da Bíblia, em particular ou
em grupo, estes, porém, em forma positiva:
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Deus quis revelar-Se a todos
os povos
num povo, numa história e numa cultura (DV 1). Também se quer
revelar, hoje ainda, a mim e na minha / nossa história.
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Deus quer a salvação e a
felicidade de todos os povos e de cada homem.
Ele
revela-Se na Palavra para me salvar. Toda a
temática teológica da Bíblia significa isso: Aliança,
Libertação, Redenção do homem...
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O amor a Deus é inseparável
do amor aos irmãos.
A Palavra
que me revela o amor de Deus torna-se uma Palavra que me
compromete também no sentido horizontal, isto é, em relação com
o mundo de hoje.
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Jesus Cristo é o Verbo, a
Palavra de Deus presente no meio do Seu Povo.
É na Sua Palavra que Ele tem uma das suas principais
manifestações no mundo.
::
A Bíblia nasceu dum povo e
tem que ser lida num povo, na Igreja,
para
adquirir todo o seu sentido profundo. A leitura da Bíblia em
grupo manifesta visivelmente esta característica fundamental da
Bíblia. Mas, mesmo lida individualmente, em união com a Igreja,
a Bíblia deve ser sempre lida na fé da Igreja.
::
Procurar na leitura da
Bíblia, antes de mais, o testemunho de fé do povo que viveu e
escreveu, para mim, estes textos.
A Bíblia,
mais do que um texto de doutrina, é um livro onde estão exarados
os factos de vida, o testemunho de inúmeros crentes. Este é um
dos aspectos históricos mais interessantes da Bíblia. A Bíblia,
mais que uma teoria é um rosário de testemunhos, que devem
alimentar, não a minha curiosidade cultural, mas a minha fé.
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Unidade da Sagrada Escritura:
Este
princípio é uma outra formulação do princípio do contexto acima
enunciado. Cada página da Bíblia é como que um tijolo dum grande
muro, uma pequena parte dum enorme mosaico em que o Senhor nos
apresenta o Seu projecto. Cada página mantém, por isso, uma
ligação umbilical com o resto da Bíblia; há uma "alma"
que faz de tantos livros um só Livro. E, assim como um único
tijolo não faz um muro, uma pincelada de tinta não faz um mural,
assim também uma só página, um só livro não faz a Sagrada
Escritura.
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A Bíblia manifesta a
humanidade existencial de todos os homens.
Há livros na Bíblia que manifestam mais as acções de Deus em
relação com a Humanidade, outros manifestam mais os sentimentos
do homem em relação com Deus. Todos os sentimentos humanos se
encontram na Bíblia, sejam eles bons ou maus. Mas a Bíblia
apresenta os maus para os reprovar. Quando leio a Bíblia,
sinto-me lá dentro, representado em muitos daqueles personagens.
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A Palavra bíblica manifesta
uma dinâmica permanente de superação de valores:
o homem está sempre a caminho. Certas situações negativas do
homem e da sua cultura fazem apelo a uma superação contínua, que
chega à plenitude no Novo Testamento, em Jesus Cristo. A Palavra
supera as palavras da história e da cultura do Povo de Deus. É
esta superação de valores que me faz ver em livros, por vezes,
menos "interessantes", como Levítico ou Números, autênticas
profecias do Novo Testamento.
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A Escritura
é presença real de Jesus, que incarnou,
como diz o
Concílio Vaticano II. Ele é o Verbo de Deus, chamado também a
encarnar na vida de cada crente que lê e reza a Sua Palavra, que
O recebe nos sacramentos. Cristo ressuscitado está presente na
Escritura e, lendo-a, escutando-a, podemos experimentá-lO. Ele é
a chave da nossa leitura da Bíblia (Lc 24, 13-49; SC 7). |