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1. Leitura da Bíblia em grupo
Assim como
não nos referimos aqui aos métodos científicos tão pouco iremos
referir-nos muito à leitura individual da Bíblia. Referiremos
sobretudo a leitura em grupo. O grupo, a comunidade é o lugar
não somente sociológico mas sobretudo teológico da leitura da
Bíblia como Palavra de Deus. Segundo as perspectivas pastorais
de hoje, a Igreja deixou de ser uma Igreja de massas para se
tornar uma Igreja feita de pequenos grupos. Deste modo, os
grupos deverão ser o fermento da evangelização da "massa", das
pessoas que vivem no território da paróquia e no seu meio
ambiente. Poderíamos interrogar-nos - e os pastoralistas
certamente se interrogam - sobre o porquê desta situação, isto
é, duma sociedade que deixou de ser cristã. Estamos certos de
que uma das causas da descristianização das massas - apesar de
baptizadas - se encontra na prolongada ausência da Palavra de
Deus na vida dos crentes.
As pessoas
individualmente consideradas e todo o povo de Deus - a quem
pertence este maravilhoso livro - sentir-se-ão, não apenas um
objecto da pregação do clero, mas sujeito, destinatário directo
da Palavra de Deus e, por isso, pessoas na Igreja. Por
isso mesmo, cada cristão, evangelizado pela Palavra, irá
sentir-se sujeito da evangelização na sua paróquia, na
comunidade onde vive a sua fé e no seu meio ambiente. De simples
evangelizado, o cristão tornar-se-á evangelizador. Esta
experiência realiza-se hoje com êxito nas comunidades cristãs um
pouco por toda a parte.
Depois do
conhecimento aprofundado da Palavra, poderão os cristãos ter
outra vivência, muito mais profunda, da Eucaristia dominical. Só
depois de ter estudado a fé é que esta poderá ser dignamente
celebrada. Ninguém pode celebrar o que não conhece.
Temos que
afirmar, previamente, que nenhum método tem valor absoluto,
isto é, cada comunidade, cada grupo pode utilizar o método que
melhor se adaptar à sua cultura e à mentalidade das pessoas que
compõem o grupo. Mas exige-se, como condição absolutamente
necessária, para além da fé na Palavra, alguns critérios
"científicos" de leitura da Bíblia, de modo a não manipular
o texto, fazendo-o dizer o que ele nunca quis dizer. Não
poderemos nunca confundir a Palavra com a nossa própria
palavra. Na Bíblia, Deus não nos fala nem actua magicamente,
mas quando Ele quer. Por isso, é sempre indispensável um
discernimento espiritual e uma autocrítica apurada, sobretudo
por parte dos animadores de grupos e de comunidades cristãs. |