A Bíblia,
mais do que um Livro é uma Pessoa –
a Pessoa
do próprio Deus, que, pela acção do Espírito
Santo,
nele se revela como Pai em seu Filho Jesus Cristo.
Por isso,
como qualquer pessoa, também a Bíblia
tem um
coração: é o Livro dos Salmos.
O
livro
central da Bíblia
Se olharmos para o volume
deste Livro feito de muitos livros, e o virmos como um corpo, reparamos
que, tal como no corpo humano, também os Salmos
ocupam a zona do coração: bem acima do centro, se entendermos o
Antigo Testamento como a cabeça da Bíblia. Por exemplo, na edição da
Difusora Bíblica, que tenho diante de mim, com 2142 páginas, o Livro dos
Salmos vai da página 838 à página 994.
Nos Salmos pulsa o coração
do povo de Deus que escreveu a Bíblia. Um povo crente, com a consciência
de ter o Deus único a seu lado, solidário com a sua vida. O Salmista
assume esta consciência, e reza a Deus nas
mais variadas circunstâncias:
::
como hino de louvor e como meditação sapiencial;
::
para dar graças, suplicar auxílio ou pedir perdão;
::
nas horas de aflição ou de confiança;
::
por motivos
individuais e nos momentos colectivos de glória ou de
catástrofe;
::
por ocasião de uma entronização real, para subir numa peregrinação
ao templo, ou para evocar com saudades, no exílio, essas subidas
ao monte Sião.
Um dos meus
preferidos
À medida que vamos rezando
os Salmos, familiarizamo-nos com eles e começamos a ter, também, as
nossas preferências
a seu respeito.
Pessoalmente, gosto muito do salmo 131, que tem apenas três versículos.
É um salmo individual de confiança:
1
Senhor, o meu coração não é
orgulhoso,
nem os meus olhos são
altivos;
não corro atrás de
grandezas
ou de coisas
superiores a mim.
2
Pelo contrário, estou
sossegado e tranquilo,
como criança sossegada
ao colo da mãe;
a minha alma é como
uma criança saciada!
3
Israel, espera no Senhor,
desde agora e para
sempre!
Sem fazer dos Salmos uma
cartilha de orações nem um livro de receitas para todos os estados de
alma, apercebemo-nos de que eles têm a ver connosco. Podem ser
a nossa voz interior, pois
sintonizamos com a maioria dos seus sentimentos. Por isso foram
adoptados como oração oficial da Igreja. Mas, não devemos contentar-nos
com repetir as suas palavras, dispensando-nos de rezar as nossas.
A verdadeira oração deve
corresponder à nossa maturidade interior e exprimir-se na nossa
linguagem pessoal, em consonância com a nossa própria vida.
O salmo mais
pequeno
A concluir, permito-me
transcrever outro salmo inteiro, por duas razões: porque é o mais
pequeno dos 150 de todo o Saltério (apenas dois versículos) e porque,
apesar disso, tem todos os elementos constitutivos de um salmo/hino. É o
hino ou
Salmo 117/116:
1
Louvai o
Senhor, todas as nações!
Exaltai-o, todos os povos!
2
Porque o
seu amor para connosco não tem limites
e a fidelidade do Senhor é eterna.
Aleluia!
Os elementos constitutivos
de um salmo, presentes neste de um modo sintético, são os seguintes:
::
o
convite ou exortação
universal [todas as nações e
todos os
povos]
a louvar ou
exaltar a Deus,
o Senhor (v.1);
::
o
motivo
desse louvor [o seu amor
e fidelidade]; e
::
o
louvor, apenas com uma palavra:
Alelu/ia!
= louvor/a Javé, o Senhor,
que ama e é fiel ao seu povo! (v.2).
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PARA
REZAR UM SALMO EM GRUPO
::
Rezar ou cantar a
dois coros, alternando os versos de dois em dois, ou por
estrofes inteiras; quando aparece o asterisco (*),
faz-se uma pequena pausa, correspondente ao tempo de
pronunciar 4 sílabas ou, se o salmo
for individual, um salmista proclama-o ou canta-o e
todos alternam com um refrão rezado ou cantado.
::
Todos rezam o
salmo em silêncio, e depois partilham
livremente, sem se atropelarem, palavras ou versículos como eco da
sua oração; o Presidente conclui com o Glória ao Pai.
Esta partilha pode também fazer-se nos dois modos anteriores de
oração.
::
Concluir a
recitação com uma oração sâlmica.
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frei Lopes Morgado