Em
todos os Domingos da Páscoa,
a
Primeira Leitura da Liturgia da Palavra
é
dos Actos dos Apóstolos.
Nisso
está subjacente uma intenção pedagógica da Igreja,
que
nos interessa descobrir para viver
na
medida do possível.
No Ordenamento das Leituras da Missa, que
podemos encontrar no início do Leccionário
Dominical, lê-se quanto aos Domingos do Tempo da Páscoa: «A
primeira Leitura toma-se dos Actos dos Apóstolos, no ciclo dos três
anos, de modo paralelo e progressivo; deste modo se apresentam cada ano
algumas perspectivas da vida, testemunho e progresso da Igreja
primitiva.» (n°
100).
Quer
isto dizer que o Ano Litúrgico, centrado na Páscoa, está organizado
em três anos complementares - A, B e C - relacionados com os três
evangelistas sinópticos cuja leitura predomina nos Domingos do Tempo
Comum:
> Mateus (no ano A),
>
Marcos
(no Ano B) e
>
Lucas
(Ano C, em 2003-2004).
E
que, no Tempo Pascal que culmina com o Pentecostes (cinquenta dias
depois da Páscoa), se pretende fazer uma Catequese sobre a Igreja à
luz da "Igreja primitiva", ou a Igreja nascida em Jerusalém a
partir do Pentecostes. Estamos, de facto, no Tempo da Igreja.
O
curioso é que a vinda do Espírito Santo só é celebrada no coroamento
desse Tempo, ou seja, no próprio dia de Pentecostes; mas toda a acção dos Apóstolos recordada no Tempo
Pascal decorre como se eles já tivessem recebido o Espírito Santo. É
que, de facto, Jesus já lhes tinha dado esse Espírito na próprio
Domingo da Ressurreição:
«Ao
anoitecer daquele dia, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos
se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se
no meio deles e disse-lhes: "A paz esteja convosco." Dito
isto, mostrou-lhes as mãos e o peito.
Os
discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a
dizer-lhes: "A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também
Eu vos envio a vós. RECEBEI O ESPÍRITO SANTO. Àqueles a quem
perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os
retiverdes, ficarão retidos".»
(Jo
21,19-23. É a 1ª parte
do Evangelho do II Domingo da Páscoa, a 27 de Abril).
Depois
disso, Jesus ressuscitado apareceu aos Apóstolos em formas diferentes,
durante quarenta dias. No momento da Ascensão, ordenou-lhes que
ficassem em Jerusalém, pois ia enviar-lhes o Espírito Santo
(ver
Act 1,1-11).
Foi o que eles fizeram, «unidos
em oração, em companhia da algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe
de Jesus» (Act 1,14).
No
Pentecostes, «todos ficaram cheios do
Espírito Santo»
(Act
2,1-11. Pentecostes).
E perderam o medo. Com a luz e a força recebida, Pedro começou
logo a anunciar a grande Boa-Nova:
«Jesus
de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios
e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio,
[...] vós o matastes,
cravando-o na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-o,
libertando-o dos grilhões da morte, [...] e
disto nós somos testemunhas.» (Act 2,22-24.32. III
Domingo da Páscoa).
Este
anúncio provocou nos ouvintes reunidos em Jerusalém para a Festa
judaica do Pentecostes um movimento de contrição e arrependimento.
«Os
que aceitaram a sua palavra receberam o baptismo e, naquele dia,
juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas»
(Act 2,14a.36-41. IV Domingo da Páscoa).
Mas
não ficaram por aí. Sabendo-se meros discípulos nessa “via” em
que apenas tinham entrado,
«eram
assíduos ao ensino dos apóstolos, à união fraterna, à fracção do
pão [Eucaristia] e às orações. [...]
Todos os crentes viviam unidos e possuíam
tudo em comum. [...] E
o Senhor aumentava todos os dias os que tinham entrado no caminho da
salvação.» (Act 2,42-44.47b. II Domingo da Páscoa)
Tudo
parecia ir bem, quando surgiram as primeiras críticas: havia viúvas
necessitadas, que estavam a ser esquecidas na partilha fraterna dos
bens. Então, os Apóstolos escolhem sete diáconos para esse
serviço, dedicando-se eles à oração e à missão de testemunhas do
Evangelho, já sem o receio de as suas palavras serem desacreditadas
pelo anti-testemunho das obras (ver Act 6,1-7. V Domingo da Páscoa).
É
então que Filipe, e depois Pedro e João descem até à Samaria, cujos
habitantes aderem unanimemente às suas palavras. Rezam por eles, impõem-lhes
as mãos e recebem o Espírito Santo (ver Act 8,5-8.14-17. VI
Domingo da Páscoa).
|
Para
reflectir ou dialogar em grupo
Ler
Act 1,37-47.
Na
Igreja primitiva de Jerusalém houve esta caminhada:
>
anúncio
da Boa-Nova de Jesus,
>
conversão,
>
baptismo
>
vida
de discipulado em comunidade/grupo (que incluía escuta da
Palavra, celebração da Eucaristia, oração, união e partilha
de bens).
Por
isso tinham a simpatia de todos e os apóstolos podiam dar
testemunho da ressurreição de Jesus.
>
Disto,
o que falta nas nossas comunidades cristãs?
>
Que
é preciso fazer?
>
Que
vamos fazer?
Ler
Act 6,1-7.
Pensar e partilhar sobre isto:
>
Como
resolveram os Apóstolos os problemas
da
Igreja primitiva?
>
Que
precisamos de fazer para resolver os da nossa?
Rezar:
Salmo 118/117 (II Domingo da Páscoa) ou 23/22 (IV
Domingo da Páscoa) |
frei Lopes Morgado