EMAÚS
Lucas
24
I
Sentiam-se explodir, vulcões
inquietos:
– Já fomos enganados tantas vezes!
Julgávamos que desta era diferente.
Lá iam, de memória dolorida,
Seus olhos prisioneiros no presente.
– Não lestes o que outrora vos
disseram
Moisés e os Profetas? Que um Messias
E servo sofreria pelo povo
Mas que ao terceiro dia triunfava?
– E quem és tu? Será que não ouviste
As últimas notícias? Enganou-nos!
Três dias já lá vão – e dele, nada!
– Bem, há umas mulheres que disseram
Que uns homens como anjos tinham
dito…
Mas dele ninguém viu sinais de vida!
II
Jesus entrara assim nessa conversa
Como se não falassem da sua morte
Aqueles peregrinos sem esperança.
A dor tinha-lhes mesmo escurecido
As mentes, ao sol-pôr, e já não viam
Que o novo companheiro era o seu
Mestre!
(Tu sabes que é difícil crer de novo
Depois da decepção de um desamor
Ou de uma crença imposta. Crês–se
amas!)
A chama do calor que o sol perdera
Queimava no seu peito, renascida.
E a luz da fé mortiça reanimou-se
Ao Ele partir o pão: “É o Rabunni!”
Mas Ele já lá não estava: Era O
Vivente!
E foram para a vida proclamá-lo.