Para ler a Bíblia em grupo
Em qualquer profissão, a primeira coisa
que se exige
é ter os
instrumentos imprescindíveis para exercê-la
e saber utilizá-los com um
mínimo de competência.
Isto vale também para
leitura da Bíblia,
individualmente ou em grupo.
Seria uma pena termos em
casa uma Bíblia, o mais precioso instrumento que nos ajuda a
conhecer a vontade de Deus a nosso respeito, e não a conhecermos ou
conhecermos mal. Por isso, nesta secção vamos apresentar alguns meios
para fazer deste maravilhoso livro um óptimo instrumento para conhecer o
Senhor e nos deixarmos conduzir pela sua Palavra. Estas orientações
servem para a leitura individual ou em grupo.
A revista Bíblica
também deve ser um instrumento importante nas mãos dos assinantes que
fazem parte de um Grupo Bíblico. Mas primeiro temos que falar do
instrumento absolutamente necessário: A
Bíblia.
1.
TER UMA BOA BÍBLIA.
Ter uma boa Bíblia é o
primeiro instrumento e o primeiro passo para ter o acesso mais
facilitado à Palavra de Deus. Há várias espécies de Bíblias, de que não
vamos falar aqui. A Difusora Bíblica editou há anos uma boa
tradução em português de Portugal, que – pensamos – preenche todos os
requisitos para se apresentar como uma boa Bíblia. Está na 4ª edição.
2.
SABER USÁ-LA.
Esta Bíblia tem muitas coisas interessantes para fazermos uma leitura
útil e agradável; mas é preciso descobri-las pouco a pouco.
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Texto.
O essencial de uma Bíblia é sempre o texto; o texto é que é
verdadeiramente palavra de Deus inspirada. Mas os elementos de que vamos
falar ajudam a ler essa Palavra mais proveitosamente e com maior rigor.
Ei-los:
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Introduções. As
Introduções dessa Bíblia da Difusora Bíblica constituem uma boa
parte das suas 2.143 páginas: são umas 150, o que constitui quase um
livro de introduções à Bíblia, a cada um dos seus livros e aos conjuntos
de livros: Pentateuco, Históricos, Sapienciais e Proféticos, no AT;
Evangelhos e Actos, Cartas de Paulo, Cartas Católicas e Apocalipse, no
NT. Ler estas introduções seria um modo de adquirir uma boa informação
bíblica. Para compreender um texto, será necessário ler sempre a
introdução do livro a que esse texto pertence, a fim de o ler no seu
contexto histórico, literário, teológico, etc.
::
Notas
de rodapé.
São de uma
grande riqueza e imprescindíveis para entender qualquer texto difícil.
Um
asterisco
(*) antes do número do
versículo, envia o leitor desta Bíblia para a explicação
desse versículo ou para os “lugares
paralelos”, isto é, textos que tratam do mesmo assunto e
alargam o horizonte dos nossos conhecimentos para outras partes da
Bíblia. São muito úteis sobretudo para vermos a ligação que existe entre
o Antigo e o Novo Testamento. Para realçar esta ligação,
colocámos em itálico as citações do Antigo Testamento no Novo.
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Lugares
paralelos dos títulos.
Para ajudar o leitor a
verificar e a encontrar textos paralelos ao longo de toda a Bíblia,
colocámos nos títulos e subtítulos dois grupos de algarismos: uns dizem
ao leitor onde termina esse tema ou texto (por ex., Is 24); outros
indicam textos paralelos, que falam do mesmo assunto (por ex., Is
26,14).
Estas referências são
especialmente importantes nos Evangelhos. Mostram-nos, por
exemplo, porque chamamos “Evangelhos Sinópticos” a Mateus, Marcos e
Lucas: porque grande parte das
“perícopas” são as mesmas nos três. Um catequista, ou um
leitor atento da Bíblia, deve procurar encontrar as pequenas ou grandes
diferenças entre estes textos paralelos.
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Índices. A
BÍBLIA SAGRADA editada pela Difusora Bíblica tem dois
Índices diferentes, que apresento aqui.
O
Índice das Notas (pp.
2059-2074) tem as citações dos principais temas bíblicos, sobretudo
aqueles que podem oferecer maior dificuldade ao leitor. Por ex., para
saber porque era costume rasgar as vestes, em certas ocasiões, procure
Rasgar as vestes e leia as notas dos lugares aí indicados.
No
Índice
Bíblico-Pastoral (pp.2075-2106) encontra, como num
Dicionário, não só os temas mais difíceis, mas também os temas
teológicos fundamentais da Bíblia. Se um leitor ou grupo quiser estudar
determinado tema, tem aqui um guia de citações que o conduzem no estudo
através do Antigo e do Novo Testamento. Um catequista não pode dispensar
este Índice!
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Leccionário.
Indica as Leituras bíblicas dos Domingos e Festas dos três ciclos do ano
litúrgico. No fim, um calendário diz qual o ciclo litúrgico
correspondente a determinado ano civil (até 2034!).
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Suplementos.
Sobre variados aspectos culturais que ajudam a entender o texto bíblico:
Pesos, Moedas e Medidas
(p. 1216):
diz-lhe, por exemplo, que um talento correspondia a 36 quilos (de
ouro ou prata) e que uma libra era meio litro.
Tempo
(p. 2117): apresenta o esquema das “Horas” (dia) e “Vigílias” (noite),
bem como os meses da Bíblia e as Festas que neles se celebravam, e a sua
correspondência no nosso calendário actual.
Cronologia Geral
da Bíblia (pp.
2118-2130), muito ilustrada com figuras alusivas a cada época histórica.
Começa antes da existência do povo da Bíblia, e termina pouco antes da
vinda de Jesus ao mundo (ano 51 a.C.). Coloca, em paralelo, os factos
acontecidos no Sul (Egipto) e nos impérios do Norte (Mesopotâmia,
Síria…), e no território do povo da Bíblia.
Formação do Antigo Testamento
(p. 2131): sintetiza o evoluir da formação do texto bíblico, com suas
fontes, entre o ano 1000 (a.C.) e o tempo da vinda do Filho de Deus ao
mundo.
Formação do Novo Testamento
(p.
2132-2134): o mesmo entre os anos 31 (a.C.) e o ano 100, data em que se
concluiu esta última parte da Bíblia.
Cânon
dos Livros Sagrados
(pp. 2135-2136): mostra as diferenças entre o Cânon ou lista de livros
dos judeus, dos protestantes e dos católicos.
Mapas
do Antigo e
do Novo Testamento
(pp. 2137-2142): ajudam o leitor a situar o texto na geografia do povo
que escreveu a Bíblia.
3.
APRENDER
EM GRUPO.
Tal estudo da Bíblia pode fazer-se num grupo – bíblico ou outro. Se as
pessoas ainda não souberem manejar bem a Bíblia, pode-se ir passando
lentamente, em conjunto, os livros da Bíblia, para cada um verificar,
com os olhos, o tesouro que têm na sua mão.
Convidamos
o leitor a:
verificar
se a sua Bíblia é de qualidade;
observar
estes tesouros que ela contém (ou não);
estudá-la
melhor em grupo.
Ficará mais
forte na sua fé, mais rico na sua cultura
e mais apto
a dialogar com outras religiões e culturas.
PARA ESTUDO
DO TEMA EM GRUPO
::
Antecipadamente, o Animador propõe o tema e escolhe os
Leitores
que hão-de proclamar os textos: Dt 6,1-9; Mt
7,24-28.
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Cântico de entrada, sobre a Palavra de Deus.
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Estudo e observação atenta dos pontos aqui referidos,
lendo, por ex., alguma nota no fundo das páginas e verificar alguns
lugares paralelos, sobretudo os que ligam o Antigo ao Novo Testamento
(ver, por ex., Mateus cap. 2).
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Proclamação das duas Leituras indicadas, e partilha
da Palavra.
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Oração
partilhada e Pai Nosso.
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Compromisso
e cântico final.
Frei Herculano Alves