Faleceu D. António Monteiro, Bispo de Viseu.
Faleceu D. António Monteiro, Bispo de Viseu. Atingido por um cancro, D.
António Monteiro foi submetido a uma intervenção cirúrgica em Janeiro de
2003. A recuperação parecia favorável. Ultimamente, o seu estado de
saúde foi piorando progressivamente. Ao fim do dia de sábado, 3 de Abril
(perto das 22:00 horas), D. António Monteiro faleceu no Hospital de
Viseu.
Ainda ontem à noite, o corpo de D. António Monteiro foi transladado para
o Centro Pastoral, onde permanece na Capela. Logo à tarde, às 15:00
horas, será transladado para a Sé Catedral. O funeral realiza-se amanhã,
segunda-feira, às 15:00 horas.
(2004.04.04 10h43 http://www.agencia.ecclesia.pt)
D. António Monteiro levantou bem alto a bandeira da família
De uma “simplicidade típica de um franciscano”, D. António Monteiro era
um homem “muito preocupado com os assuntos da família e com a vida, dada
a sua formação na área da Teologia Moral” – disse à Agência ECCLESIA o
Pe. José Lobato, padre da diocese de Setúbal que foi secretário da
Comissão Episcopal da Família e trabalhou directamente com o falecido
bispo de Viseu.
O «Não ao aborto» foi uma das ideias mais defendidas pelo bispo de
Viseu, D. António Monteiro, que morreu sábado à noite, vítima de doença
prolongada. Sensibilizar o Governo e conseguir que este apostasse em
leis que promovessem os valores da família era um dos seus grandes
objectivos, já que considerava que estes valores estavam a ser
diariamente destruídos na sociedade actual. A sua exigência na defesa da
vida “não lhe tirava o sentido da problemática e da dramaticidade das
pessoas. Era radical mas não era insensível aos problemas destas” –
sublinhou o Pe. José Lobato que acentua: “um falecimento antecipado em
relação à esperança de vida dos portugueses”.
“Apesar de ser definida na Constituição portuguesa como a célula base da
sociedade, a família está a ser torpedeada de muitas maneiras”, lamentou
à Lusa em Dezembro de 2001, referindo-se, por exemplo, à legislação
laboral, que permitia que um marido estivesse “a trabalhar em Chaves e a
mulher em Faro”. Como solução deste problema defendia que um dos pais
“devia ter direito a ficar em casa para cuidar dos filhos, até que estes
atinjam os 5 anos, e por educar um novo cidadão receberiam mais um
salário”. Com o intuito de defender esta célula da sociedade, D. António
Monteiro pedia com “frequência que estes temas fossem reflectidos por
teólogos de correntes diferentes” – realçou este sacerdote da diocese de
Setúbal.
Um homem que se levantava de “madrugada (às 4 da manhã) para aproveitar
o silêncio e poder trabalhar melhor”. Perante labor intenso na defesa da
família chegou a afirmar: “os deputados na Assembleia da República
deviam criar leis que promovam os valores da família, que estão a
perder-se devido à sociedade moderna”.
(2004.04.05 12h26 http://www.agencia.ecclesia.pt)
Um homem que estava perto do clero
Ordenou a última geração de padres da diocese de Viseu, onde está
incluído o Pe. António Felisberto, actual reitor do Seminário daquela
cidade, o que “denotou uma certa confiança depositada em mim”. Nestes
últimos três anos trabalharam em conjunto “numa comunhão de projectos” e
lembra-se do convite para a realização das obras do Seminário.
Actualmente estão a ser executadas mas “tenho pena que não esteja entre
nós para as inaugurar. Podia ser mesmo como bispo emérito” – disse
aquele sacerdote que foi ordenado há 14 anos por D. António Monteiro e
por isso considerava que ele exercia “alguma paternidade espiritual”
sobre si. Para além deste facto, o reitor do Seminário de Viseu acentua
que o prelado “marcou esta diocese das beiras” e “tentou exercer o
episcopado da melhor forma que soube”. Um homem “entusiasmado e que
entusiasmava os outros” – disse o Pe. António Felisberto. E sublinha:
“não tinha medo de denunciar os casos graves”.
Por sua vez, o Con. Arménio Lourenço, ecónomo da diocese, disse à
Agência ECCLESIA que D. António Monteiro “trabalhava connosco”. E
recorda uma faceta do prelado: “não éramos nós que íamos ter com ele mas
o inverso”. Este sacerdote, desempenha também as funções de director no
Lar de Santo António, realça também os incentivos dados pelo bispo.
Quando partilhava as refeições com os rapazes “notávamos que era um dos
locais onde ele se sentia mais realizado - estar com os marginalizados e
mais pobres” – mencionou o Con. Arménio Lourenço.
Ao nível das obras realizadas durante o seu múnus episcopal destacou “o
Centro Sócio-Pastoral da diocese”. Quando chegou a esta cidade
“encontrou os sacerdotes idosos numa casa sem o mínimo de condições” –
disse o ecónomo. E adianta: “a grande preocupação desde a primeira obra
foi a construção de uma casa onde os padres se sentissem bem”. Um
trabalho de acção social que teve continuidade porque “quase todas as
paróquias têm centro socio-pastorais”. Apesar de ser natural do Minho,
D. António Monteiro tornou-se, desde a primeira hora, “beirão com os
beirões” – finalizou o director do Lar de Santo António.
(2004.04.05 13h31 http://www.agencia.ecclesia.pt)
O Bispo do ecumenismo
Começa-se pouco a pouco a construir uma memória nítida da figura de D.
António Monteiro, Bispo de Viseu falecido este sábado. A opinião de
todos é unânime, neste momento de perda, em destacar o homem prestável,
aberto ao diálogo e capaz de gestos marcantes.
Um deles aconteceu no dia 20 de Fevereiro de 1992, quando o falecido
Bispo era presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé: D. António
Monteiro convidou os responsáveis das Igrejas metodista, presbiteriana e
lusitana cristãs portuguesas para um encontro oficial.
Este foi o ponto de partida dos "Encontros Ecuménicos Nacionais" entre
representantes do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC)e da
Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, da Conferência Episcopal
Portuguesa.
D. António Monteiro é considerado por todos os que estiveram envolvidos
no processo como “um entusiasta do movimento ecuménico”. Da sua equipa
faziam parte também D. Manuel da Rocha Felício e D. Jorge Ortiga.
"Teve um papel preponderante na abertura institucional da Igreja
Católica Romana ao ecumenismo", comenta D. Fernando Soares, bispo da
Igreja Lusitana, um dos muitos responsáveis religiosos que hoje
estiveram presentes no funeral do Bispo de Viseu.
Eduardo Borges de Pinho, professor da UCP e especialista em ecumenismo,
considera que o trabalho de D. António Monteiro nesta área ficou marcado
“pelo entusiasmo e a seriedade”.
“Os anos em que foi presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé
foram anos de um grande impulso no encontro entre as confissões cristãs
existentes em Portugal”, refere à Agência ECCLESIA.
Estes resultados deveram-se, segundo Borges de Pinho, ao sentido prático
do Bispo de Viseu, “que o levou a perceber que, neste domínio, o
importante passa por acções concretas, para provocar a mudança, e nesse
sentido foi uma figura importante”.
CAPUCHINHO ATÉ MORRER
D. António Monteiro foi, praticamente, um dos fundadores da Província
dos Capuchinhos e o primeiro Ministro Provincial de Portugal, em 1969,
cargo para o qual foi reeleito em 1972.
“Tinha muita iniciativa, tenacidade e entusiasmo, tendo marcado a nossa
família religiosa em muitas frentes, nomeadamente na vertente da
fraternidade e na da sabedoria”, revela Frei Acílio Mendes, actual
Ministro Provincial.
A acção do falecido Bispo de Viseu sentiu-se também na Conferência
Nacional dos Institutos Religiosos de Portugal.
Já como líder da Diocese de Viseu, D. António Monteiro permaneceu ligado
ao seu carisma de Capuchinho, deslocando-se regularmente à comunidade da
Ordem presente na cidade.
(2004.04.05 16h23 http://www.agencia.ecclesia.pt)
Um Bispo de Coragem
A coragem de transformar marcou a vida de D. António Monteiro. A ideia
vem dos seus mais directos colaboradores, pessoas para quem a sua
memória não desaparece.
“No registo dos Bispos desta Diocese, ele é um homem que fica a marcar a
vida de Viseu. Desde o princípio do seu serviço, foi um homem de
convicções, que sabia o quer queria, lutava pelos objectivos que tinha
definidos e é essa coragem a imagem principal com que eu fico dele”,
testemunha D. Manuel Felício, actual Bispo auxiliar de Lisboa, natural
de Viseu.
O prelado destaca duas obras: o Centro Pastoral Diocesano e o Instituto
Superior de Teologia, de que D. Manuel Felício foi director. “Estas
realidades nasceram muito à custa da determinação de D. António
Monteiro”, revela à Agência ECCLESIA.
A persistência do Bispo de Viseu estava presente, também, no seu
trabalho poara a Igreja em Portugal, enquanto presidente da Comissão
Episcopal da Família e da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé – da
qual foi secretário, nessa altura, D. Manuel Felício.
“Era um homem de profunda fé, um sentido de Igreja ilimitado, muito
acolhedor: não tinha preconceitos, para entrar em diálogo com quem
fosse, como se viu hoje pela presença de vários responsáveis de
comunidades cristãs”, conclui.
(2004.04.05 17h48 http://www.agencia.ecclesia.pt)
Último adeus a D. António Monteiro
A Sé de Viseu encheu-se por completo, na tarde de hoje, para o último
adeus a D. António Monteiro, falecido no passado sábado. Todos, cidadãos
anónimos ou figuras públicas, quiseram prestar a sua homenagem a um
Bispo que, durante 16 anos, assumiu a responsabilidade de liderar a
Diocese.
A concelebração eucarística das exéquias foi presidida por D. José
Policarpo, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a quem se
juntaram quase todos os prelados do país. Presente esteve também o
Núncio Apostólico, D. Alfio Rapisarda.
Na sua homilia, D. José Policarpo deixou uma palavra de consolação à
Diocese de Viseu.
“Eu tenho a certeza de que, a partir deste momento, a Igreja de Viseu, é
amada por Cristo Pastor como pelos Bispos que a acompanharam e guiaram
ao longo dos séculos, o último dos quais leva ainda fresca a ternura com
que o acolhestes, D. António Monteiro, que com Cristo celebra a Páscoa
eterna”, referiu.
O Cardeal-Patriarca centrou a sua reflexão em torno da figura do Bispo
como “Sacramento de Cristo”, verdadeiro Bom Pastor.
“Ser Sacramento de Cristo Sacerdote é alimentar a Igreja, continuamente,
com o dom da Palavra, é algo que devora a preocupação de um Bispo, não
apenas em quantidade, mas em qualidade e oportunidade, em coerência e
oportunidade, sem acrescentar nada, aguentando toda a exigência que ela
tem desde o momento em que saiu do coração de Deus”, descreveu.
(2004.04.05 18h25 http://www.agencia.ecclesia.pt)
Um Bispo com alma de Pastor
Está fechado o pano sobre a vida e obra de D. António Monteiro, que
ontem foi a enterrar na Diocese que liderou durante 16 anos.
O Núncio Apostólico em Lisboa, um dos presentes em Viseu nas exéquias de
D. António Monteiro, recordou o legado pastoral do prelado. "Foi um dos
primeiros Bispos que tive o prazer, a satisfação, de conhecer quando
cheguei a Portugal. Era, verdadeiramente, um bispo com uma alma de
pastor", disse D. Alfio Rapisarda.
O Núncio Apostólico em Lisboa recusou falar na sucessão de D. António
Monteiro e sublinha que o nome do próximo Bispo de Viseu está nas mãos
do Papa João Paulo II.
O presidente da Câmara Municipal de Viseu também marcou presença no
funeral e destacou a "obra notável" de D. António Monteiro,
nomeadamente, a forma como abriu a Diocese à autoridade pública.
"Acho que é uma perda para a Diocese, para o país, mas fundamentalmente
para o conselho", afirmou Fernando Ruas.
O Primeiro-ministro, Durão Barroso, enviou hoje uma carta ao presidente
da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo, na qual expressa
o seu pesar pela morte do bispo de Viseu, D. António Monteiro.
"Tendo tomado conhecimento do falecimento do Bispo de Viseu, D. António
Monteiro, apresento na pessoa de Vossa Eminência à Conferência Episcopal
Portuguesa os meus sentimentos de pesar pela perda do ilustre Prelado",
pode ler-se na missiva.
A Sé de Viseu encheu-se por completo, na tarde de ontem, para o último
adeus a D. António Monteiro. A concelebração eucarística das exéquias
foi presidida por D. José Policarpo, presidente da Conferência Episcopal
Portuguesa, a quem se juntaram quase todos os prelados do país.
Na sua homilia, D. José Policarpo deixou uma palavra de consolação à
Diocese de Viseu. “Eu tenho a certeza de que, a partir deste momento, a
Igreja de Viseu, é amada por Cristo Pastor como pelos Bispos que a
acompanharam e guiaram ao longo dos séculos, o último dos quais leva
ainda fresca a ternura com que o acolhestes, D. António Monteiro, que
com Cristo celebra a Páscoa eterna”, referiu. (2004.04.06 12h29
http://www.agencia.ecclesia.pt)