Religioso da Província dos Capuchinhos de Trento, nasceu
em Moena, Itália, em 6 de Outubro de 1907. Vestiu o hábito capuchinho em
27 de Junho de 1924, fez a profissão temporária em 28 de Julho do ano
seguinte, a profissão perpétua em 27 de Dezembro de 1928 e recebeu a
ordenação sacerdotal em 26 de Março de 1932. Estudou em Trento e na
Universidade Gregoriana de Roma, onde se doutorou em Teologia com a tese
“O poder das chaves na doutrina de São Boaventura”.
Depois de ter leccionado Teologia na sua Província de
Trento, de 1934 a 1937, em 7 de Outubro deste ano foi destinado à então
Custódia e hoje Província dos Capuchinhos de São Paulo, no Brasil. Aqui
ensinou também Teologia até 1941, ano em que foi nomeado Director dos
Estudantes, cargo que exerceu até 1950. Nesse ano fizeram-no Guardião do
Convento de São Paulo, desempenhando ao mesmo tempo a função de Director
dos Estudantes de Teologia.
Em 1953 foi eleito como primeiro Superior Provincial dos
Capuchinhos de São Paulo e esteve à frente do Governo dessa Província
até 1957. Ao terminar o seu mandato, foi enviado para o Convento de
Mococa e aí permaneceu como Director dos Estudantes até 1960.
Convidado pelo então Ministro Geral, Frei Clemente de
Milwaukee, a vir para Portugal ajudar os Capuchinhos portugueses no
sector da formação, deixou o Brasil em 29 de Novembro de 1960 e chegou a
Lisboa no seguinte 10 de Dezembro. No dia 12 seguiu para Fátima,
acompanhado do seu irmão, Frei Joaquim de Moena, e em 16 de Dezembro, na
nossa Fraternidade de Barcelos, tomou posse do cargo de Mestre de
Noviços, que desempenhou até 1964.
Nesta data, renunciou ao seu múnus de Mestre de Noviços
e transitou para a nossa Fraternidade de Beja como pároco da nossa
paróquia do Salvador. Ali trabalhou incansavelmente até 1966. A seu
pedido deixou este encargo pastoral e foi para a Fraternidade do Porto.
Aqui se manteve até ao momento de regressar definitivamente à sua
Província, o que aconteceu em 19 de Agosto de 1981, depois de 21 anos
passados entre nós.
Durante os 15 anos que viveu no Porto, o Frei Anselmo
dedicou-se ao ministério da reconciliação e à pastoral dos doentes,
granjeando a simpatia de toda a gente pela sua disponibilidade e alegria
franciscana. Mas foi sobretudo com a Fraternidade Franciscana Secular
que desenvolveu um trabalho extraordinário. Desde que chegou a Portugal,
foi quase sempre seu Assistente Provincial.
Quando se deu a integração da Fraternidade Secular da
Obediência dos Franciscanos com a dos Capuchinhos, o Frei Anselmo foi
nomeado seu Vice-Assistente Nacional, lutando com grande empenho e
entusiasmo pelo incremento deste estilo franciscano de vida secular e
pela união e coesão da Família Franciscana. Por isso, antes de deixar
Portugal, os irmãos da Fraternidade Franciscana Secular do Norte
presentearam-no com uma homenagem que teve lugar em 9 de Agosto na
Quinta da Amieira, e os do Sul fizeram o mesmo em 15 de Agosto na igreja
da Ordem Terceira a Jesus, em Lisboa.
Era um Religioso que cultivava o sentido lúdico e
festivo da vida. Para ele tudo era motivo para festa – o aniversário do
seu nascimento, do seu baptismo, da entrada no noviciado, da sua
profissão religiosa, do seu sacerdócio – porque entendia que celebrar a
vida não era nunca coisa “inútil”, mas a afirmação de que valia a pena
celebrá-la e partilhá-la com os seus irmãos como dom de deus. Por isso
não faltava a nenhum encontro ou convívio fraterno onde, com a sua
presença, a todos contagiava da sua alegria exuberante.
Foi este sentido festivo da vida que o haveria de trazer
de novo a Portugal em 5 de Abril de 1982 para celebrar entre nós as suas
Bodas de Ouro sacerdotais. Aliás, sempre se preocupou em fazer
sobressair a imagem do sacerdote como queria São Francisco: Humilde
administrador da Eucaristia e da Palavra de Deus.
O Frei Anselmo foi sobretudo um irmão que se assumiu
sempre como um capuchinho de corpo inteiro. Amava profundamente a sua
vocação e a Ordem Capuchinha. A sua simplicidade, jovialidade,
humildade, pobreza, vida de oração e disponibilidade para trabalhar e ir
ao encontro de quem precisasse dos seus serviços, fizeram dele uma
legenda viva do Capuchinho admirado e querido por toda a gente. A todos
saudava com o seu “Aleluia, Paz e Bem, irmão”. E, quando se encontrava
deprimido, a sua receita era: “Coraggio, Fra Anselmo, che paura no
manca”.
Faleceu no Convento de
Tonadico em Fiera di Primiero, Itália, a 23 de Dezembro de 1995. Contava
88 anos de idade, 70 de vida religiosa e 63 de sacerdócio. Ficou
sepultado no cemitério dos Capuchinhos de Rovereto.