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O Senhor me deu Irmãos

frei Anselmo de Moena (Anselmo Domingos Donei)

23 de Dezembro | Presbítero | 1907-1995

Religioso da Província dos Capuchinhos de Trento, nasceu em Moena, Itália, em 6 de Outubro de 1907. Vestiu o hábito capuchinho em 27 de Junho de 1924, fez a profissão temporária em 28 de Julho do ano seguinte, a profissão perpétua em 27 de Dezembro de 1928 e recebeu a ordenação sacerdotal em 26 de Março de 1932. Estudou em Trento e na Universidade Gregoriana de Roma, onde se doutorou em Teologia com a tese “O poder das chaves na doutrina de São Boaventura”.

 

Depois de ter leccionado Teologia na sua Província de Trento, de 1934 a 1937, em 7 de Outubro deste ano foi destinado à então Custódia e hoje Província dos Capuchinhos de São Paulo, no Brasil. Aqui ensinou também Teologia até 1941, ano em que foi nomeado Director dos Estudantes, cargo que exerceu até 1950. Nesse ano fizeram-no Guardião do Convento de São Paulo, desempenhando ao mesmo tempo a função de Director dos Estudantes de Teologia.

 

Em 1953 foi eleito como primeiro Superior Provincial dos Capuchinhos de São Paulo e esteve à frente do Governo dessa Província até 1957. Ao terminar o seu mandato, foi enviado para o Convento de Mococa e aí permaneceu como Director dos Estudantes até 1960.

 

Convidado pelo então Ministro Geral, Frei Clemente de Milwaukee, a vir para Portugal ajudar os Capuchinhos portugueses no sector da formação, deixou o Brasil em 29 de Novembro de 1960 e chegou a Lisboa no seguinte 10 de Dezembro. No dia 12 seguiu para Fátima, acompanhado do seu irmão, Frei Joaquim de Moena, e em 16 de Dezembro, na nossa Fraternidade de Barcelos, tomou  posse do cargo de Mestre de Noviços, que desempenhou até 1964.

 

Nesta data, renunciou ao seu múnus de Mestre de Noviços e transitou para a nossa Fraternidade de Beja como pároco da nossa paróquia do Salvador. Ali trabalhou incansavelmente até 1966. A seu pedido deixou este encargo pastoral e foi para a Fraternidade do Porto. Aqui se manteve até ao momento de regressar definitivamente à sua Província, o que aconteceu em 19 de Agosto de 1981, depois de 21 anos passados entre nós.

 

Durante os 15 anos que viveu no Porto, o Frei Anselmo dedicou-se ao ministério da reconciliação e à pastoral dos doentes, granjeando a simpatia de toda a gente pela sua disponibilidade e alegria franciscana. Mas foi sobretudo com a Fraternidade Franciscana Secular que desenvolveu um trabalho extraordinário. Desde que chegou a Portugal, foi quase sempre seu Assistente Provincial.

 

Quando se deu a integração da Fraternidade Secular da Obediência dos Franciscanos com a dos Capuchinhos, o Frei Anselmo foi nomeado seu Vice-Assistente Nacional, lutando com grande empenho e entusiasmo pelo incremento deste estilo franciscano de vida secular e pela união e coesão da Família Franciscana. Por isso, antes de deixar Portugal, os irmãos da Fraternidade Franciscana Secular do Norte presentearam-no com uma homenagem que teve lugar em 9 de Agosto na Quinta da Amieira, e os do Sul fizeram o mesmo em 15 de Agosto na igreja da Ordem Terceira a Jesus, em Lisboa.

 

Era um Religioso que cultivava o sentido lúdico e festivo da vida. Para ele tudo era motivo para festa – o aniversário do seu nascimento, do seu baptismo, da entrada no noviciado, da sua profissão religiosa, do seu sacerdócio – porque entendia que celebrar a vida não era nunca coisa “inútil”, mas a afirmação de que valia a pena celebrá-la e partilhá-la com os seus irmãos como dom de deus. Por isso não faltava a nenhum encontro ou convívio fraterno onde, com a sua presença, a todos contagiava da sua alegria exuberante.

 

Foi este sentido festivo da vida que o haveria de trazer de novo a Portugal em 5 de Abril de 1982 para celebrar entre nós as suas Bodas de Ouro sacerdotais. Aliás, sempre se preocupou em fazer sobressair a imagem do sacerdote como queria São Francisco: Humilde administrador da Eucaristia e da Palavra de Deus.

 

O Frei Anselmo foi sobretudo um irmão que se assumiu sempre como um capuchinho de corpo inteiro. Amava profundamente a sua vocação e a Ordem Capuchinha. A sua simplicidade, jovialidade, humildade, pobreza, vida de oração e disponibilidade para trabalhar e ir ao encontro de quem precisasse dos seus serviços, fizeram dele uma legenda viva do Capuchinho admirado e querido por toda a gente. A todos saudava com o seu “Aleluia, Paz e Bem, irmão”. E, quando se encontrava deprimido, a sua receita era: “Coraggio, Fra Anselmo, che paura no manca”.

 

Faleceu no Convento de Tonadico em Fiera di Primiero, Itália, a 23 de Dezembro de 1995. Contava 88 anos de idade, 70 de vida religiosa e 63 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério dos Capuchinhos de Rovereto.

 

 
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