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O Senhor me deu Irmãos

Frei Fulgêncio de Alfredo Chaves (Luís Caron)

28 de Novembro | Presbítero | 1906-1992

Religioso da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, nasceu na povoação de Monte Bérico, Veranópolis, em 28 de Fevereiro de 1917 e, quatro anos depois, vestiu o hábito capuchinho no Convento de Flores da Cunha, em 11 de Março de 1921. Aí fez a profissão temporária em 12 de Março do ano seguinte, a profissão perpétua no Convento de Garibaldi em 15 de Agosto de 1919 e recebeu a ordenação sacerdotal em 13 de Dezembro de 1931 na cidade de Porto Alegre.

O Frei Fulgêncio de Alfredo Chaves, que na sua Província tinha desempenhado os cargos de Mestre de Noviços de 1942 a 1946 e de Definidor Provincial de 1946 a 1949, chegou a Portugal em 11 de Março de 1949. Foi-nos enviado pelo Ministro Geral para vir trabalhar no processo de iniciação e formação na vida franciscana dos nossos jovens e na estruturação da nossa futura Província.

Em 28 de Março desse ano, os Superiores do Comissariado nomearam-no Mestre de Noviços, cargo que exerceu com grande sentido de responsabilidade até 17 de Agosto de 1952. O Noviciado funcionava na nossa Casa de Barcelos e o Frei Fulgêncio entregou-se, de alma e coração, às exigências decorrentes do encargo de iniciar os futuros capuchinhos portugueses na vida evangélica e franciscana, mediante a experiência vital da fé, da oração contemplativa e da vida fraterna. Mas, durante os anos que aí esteve foi também um Religioso sempre disponível para cooperar com os irmãos dessa Fraternidade noutras tarefas e serviços, sobretudo no ministério do confessionário e na pastoral dos doentes.

Em 22 de Agosto de 1952 foi transferido para a nossa Fraternidade de Beja. Aí trabalhou na pastoral paroquial e no sector da solidariedade social através de visitas e contactos domiciliários com os idosos, enfermos e pessoas mais carenciadas. Em 27 de Setembro de 1953 deixou Beja e foi enviado como professor de diversas disciplinas curriculares para o nosso Seminário de Vila Nova de Poiares, onde, dois anos depois, em 13 de Março de 1955, recebeu a nomeação de Vice-Director e promotor vocacional.

Em 1958, ao abandonarmos aquela Casa de formação em Vila Nova de Poiares, o Frei Fulgêncio acompanhou a transferência do Seminário para as novas instalações da “Quinta da Bouça Cova” em Gondomar. No ano seguinte os Superiores Maiores entregaram-lhe o delicado múnus da direcção espiritual dos nossos seminaristas, ocupação que desempenhou praticamente até deixar Portugal e regressar definitivamente à sua Província, o que aconteceu em 27 de  Junho de 1963.

Religioso obediente, humilde, culto, cheio de amor à vida conventual e fraterna, nos 14 anos que viveu na nossa Província foi de grande edificação espiritual para com todos os que ele conviveram e de perto trabalharam. Era severo consigo mesmo e benevolente com os outros.

De acordo com o que o Pai São Francisco prescreve na Regra — de que não nos devemos envergonhar de pedir esmola “porque também o Senhor se fez pobre por nós neste mundo” —, muitas vezes o Frei Fulgêncio, cumprindo a obediência dos seus Superiores, andou por terras do Baixo Alentejo como irmão esmoleiro. E a sua simpatia e pobreza franciscanas tocavam de tal maneira o coração das pessoas que conseguia esmolar sempre todo o azeite e grão de bico necessários para o gasto anual do nosso Seminário. Também nisto nos deixou um belo exemplo de simplicidade e minoridade.

Depois de voltar para a sua Província, viveu a maior parte do tempo no Convento de São Francisco de Assis, em Garibaldi. Aí se dedicou sobretudo a prestar relação de ajuda e aconselhamento às pessoas que o procuravam. E também a orientar espiritual e vocacionalmente os seminaristas da sua Província, de que chegou a ser o irmão ancião mais idoso. Aliás, a sua longa e abençoada vida de frade menor foi vivida com muita calma, paciência, uma grande devoção a Nossa Senhora de Fátima e à celebração da Santa Missa.

Faleceu no Convento de Garibaldi em 18 de Novembro de 1992, vítima de isquemia cerebral. Contava quase 87 anos de idade, 70 de vida religiosa e 61 de sacerdócio.

 

 
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