Religioso da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do
Sul, nasceu na povoação de Monte Bérico, Veranópolis, em 28 de Fevereiro
de 1917 e, quatro anos depois, vestiu o hábito capuchinho no Convento de
Flores da Cunha, em 11 de Março de 1921. Aí fez a profissão temporária
em 12 de Março do ano seguinte, a profissão perpétua no Convento de
Garibaldi em 15 de Agosto de 1919 e recebeu a ordenação sacerdotal em 13
de Dezembro de 1931 na cidade de Porto Alegre.
O Frei Fulgêncio de Alfredo Chaves, que na sua Província
tinha desempenhado os cargos de Mestre de Noviços de 1942 a 1946 e de
Definidor Provincial de 1946 a 1949, chegou a Portugal em 11 de Março de
1949. Foi-nos enviado pelo Ministro Geral para vir trabalhar no processo
de iniciação e formação na vida franciscana dos nossos jovens e na
estruturação da nossa futura Província.
Em 28 de Março desse ano, os Superiores do Comissariado
nomearam-no Mestre de Noviços, cargo que exerceu com grande sentido de
responsabilidade até 17 de Agosto de 1952. O Noviciado funcionava na
nossa Casa de Barcelos e o Frei Fulgêncio entregou-se, de alma e
coração, às exigências decorrentes do encargo de iniciar os futuros
capuchinhos portugueses na vida evangélica e franciscana, mediante a
experiência vital da fé, da oração contemplativa e da vida fraterna.
Mas, durante os anos que aí esteve foi também um Religioso sempre
disponível para cooperar com os irmãos dessa Fraternidade noutras
tarefas e serviços, sobretudo no ministério do confessionário e na
pastoral dos doentes.
Em 22 de Agosto de 1952 foi transferido para a nossa
Fraternidade de Beja. Aí trabalhou na pastoral paroquial e no sector da
solidariedade social através de visitas e contactos domiciliários com os
idosos, enfermos e pessoas mais carenciadas. Em 27 de Setembro de 1953
deixou Beja e foi enviado como professor de diversas disciplinas
curriculares para o nosso Seminário de Vila Nova de Poiares, onde, dois
anos depois, em 13 de Março de 1955, recebeu a nomeação de Vice-Director
e promotor vocacional.
Em 1958, ao abandonarmos aquela Casa de formação em Vila
Nova de Poiares, o Frei Fulgêncio acompanhou a transferência do
Seminário para as novas instalações da “Quinta da Bouça Cova” em
Gondomar. No ano seguinte os Superiores Maiores entregaram-lhe o
delicado múnus da direcção espiritual dos nossos seminaristas, ocupação
que desempenhou praticamente até deixar Portugal e regressar
definitivamente à sua Província, o que aconteceu em 27 de Junho de
1963.
Religioso obediente, humilde, culto, cheio de amor à
vida conventual e fraterna, nos 14 anos que viveu na nossa Província foi
de grande edificação espiritual para com todos os que ele conviveram e
de perto trabalharam. Era severo consigo mesmo e benevolente com os
outros.
De acordo com o que o Pai São Francisco prescreve na
Regra — de que não nos devemos envergonhar de pedir esmola “porque
também o Senhor se fez pobre por nós neste mundo” —, muitas vezes o Frei
Fulgêncio, cumprindo a obediência dos seus Superiores, andou por terras
do Baixo Alentejo como irmão esmoleiro. E a sua simpatia e pobreza
franciscanas tocavam de tal maneira o coração das pessoas que conseguia
esmolar sempre todo o azeite e grão de bico necessários para o gasto
anual do nosso Seminário. Também nisto nos deixou um belo exemplo de
simplicidade e minoridade.
Depois de voltar para a sua Província, viveu a maior
parte do tempo no Convento de São Francisco de Assis, em Garibaldi. Aí
se dedicou sobretudo a prestar relação de ajuda e aconselhamento às
pessoas que o procuravam. E também a orientar espiritual e
vocacionalmente os seminaristas da sua Província, de que chegou a ser o
irmão ancião mais idoso. Aliás, a sua longa e abençoada vida de frade
menor foi vivida com muita calma, paciência, uma grande devoção a Nossa
Senhora de Fátima e à celebração da Santa Missa.
Faleceu no Convento de
Garibaldi em 18 de Novembro de 1992, vítima de isquemia cerebral.
Contava quase 87 anos de idade, 70 de vida religiosa e 61 de sacerdócio.