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Frei Inácio Ajánguiz (Primitivo Malaxechevaria Ruizlarriñaga)

27 de Novembro | Presbítero | 1875-1948

Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu na localidade basca de Ajánguiz, diocese de Vitória, em 10 de Junho de 1875. Aos 16 anos iniciou o noviciado no Convento de Bilbau e aí vestiu o hábito capuchinho em 4 de Janeiro de 1891. Emitiu a profissão simples em 17 de Janeiro do ano seguinte, a profissão perpétua em 20 de Janeiro de 1895 e foi ordenado de presbítero em 9 de Junho de 1900.

Na sua Província viveu quase sempre no Convento de Bilbau, onde exercia intenso apostolado, tanto em língua espanhola como na sua língua vasconça. Sobressaía então pela sua simplicidade e por um incansável zelo pela salvação e bem espiritual dos seus semelhantes.

Surpreendido nessa cidade pele Guerra Civil Espanhola em 1936, teve de abandonar o Convento dos Capuchinhos de Bilbau, que foi suprimido. Mas o Frei Inácio não quis abandonar a sua terra, continuando a exercer aí o seu ministério apostólico usando para isso a igreja paroquial de Santos Juanes onde foi acolhido como coadjutor.

Ocupada a cidade de Bilbau pelas forças nacionalistas espanholas em 1937, os Superiores da Província de Castela enviaram-no para o Convento de Salamanca e daqui para o Porto, onde chegou em 4 de Agosto de 1937. Aqui esteve como capelão das Franciscanas de Calais (hoje Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora) na Rua de São Dinis, ao Carvalhido, até que em 1940 foi transferido para a Fraternidade de Barcelos, onde o nomearam Mestre de Noviços.

Apesar de não ter podido aprender a falar de forma escorreita a língua portuguesa, desenvolveu uma grande actividade ministerial em Barcelos, trabalhando incansavelmente tanto no púlpito como no confessionário. Foi o grande animador litúrgico dos tríduos e novenas preparatórias das festividades que, ao longo do ano, se celebravam na nossa igreja de Santo António, abrilhantadas pelo Frei Inácio com a sua cantoria e o toque do orgão.

Era um Religioso exemplar, verdadeiro modelo em muitas virtudes, extremamente simples, desprendido, obediente, cheio de caridade e de zelo apostólico. Mas era sobretudo um grande orante e um grande contemplativo. E foi este espírito da “santa oração e contemplação” que, nos oito anos em que exerceu o ofício de Mestre sempre procurou incutir nos seus noviços como suporte da sua vida espiritual e franciscana. Sentiu-se sempre muito bem acolhido entre nós e tinha um grande amor a Portugal, que candidamente dizia ser a sua Pátria.

Sendo ainda Mestre de Noviços, veio a falecer no dia 27 de Novembro de 1948 na nossa Fraternidade de Barcelos, vitimado por um acidente vascular cerebral. A sua morte foi muito sentida, não só pelos nossos Religiosos, mas também pelos fiéis leigos de Barcelos que o consideravam como um santo e acorreram em massa ao seu funeral.

Contava 73 anos de idade, 56 de vida religiosa e 48 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério municipal de Barcelos em talhão privativo dos Capuchinhos. Durante largos anos, muitas pessoas iam diariamente em romagem a este campo santo depor flores sobre a sua tumba.

 

 
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