Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela,
nasceu em Motrico, província de Guipúzcoa, a 5 de Maio de 1869. Vestiu o
hábito capuchinho em 19 de Março de 1889, emitiu a profissão temporária
em 25 de Março do ano seguinte e a profissão perpétua em 25 de Março de
1893.
Fez-se Capuchinho na Província de Espanha, logo no
primeiro ano em que esta se fundou e em 1889, quando ela se dividiu nas
Províncias de Aragão, Castela e Toledo, ficou incorporado à primeira. Lá
por 1907 incardinou-se na Província de Castela, passando a residir no
Convento de Bilbau. De 1910 a 1936 viveu no Convento de Madrid e,
durante nove anos, foi “irmão sócio” do Provincial de Castela – um cargo
que estava contemplado nas antigas Constituições.
Com 67 anos de idade foi destinado a Portugal. Chegou no
dia 1 de Agosto de 1936 à Casa de Valinha, da freguesia de Ceivães, no
concelho de Monção. Essa Casa tinha sido alugada pelos Superiores de
Castela, para eventualmente poder servir de refúgio aos alunos do
Seminário Seráfico de El Pardo, aos candidatos a irmãos não clérigos e
aos doentes. Rodeada por uma quinta, chamada do Hospital, a Casa tinha
capela com coro e dois pomares e estava perto da fronteira com a
Espanha, o que facilitava a sua passagem em plena Guerra Civil. Chegou a
ter oito postulantes: dois portugueses, vindos de Barcelos, e seis
espanhóis.
Nesta Casa viveu e trabalhou o Frei Miguel de Motrico
até 16 de Março de 1937, data em que foi suprimida pelo Vigário
Provincial dos Capuchinhos de Castela, Frei Mariano de Veja. O Frei
Miguel foi então mandado para a Casa de Barcelos com todos os outros
Religiosos e postulantes que nela residiam.
Em Julho de 1939 regressou definitivamente à sua
Província, ficando agregado à Fraternidade do Convento de Vigo. E nela
haveria de permanecer até à sua partida definitiva deste mundo para a
Casa do Pai.
A sua estadia em Portugal não foi além de três anos
incompletos. Mas, apesar da sua avançada idade, obediente e humilde,
nunca regateou energias para executar as tarefas que lhe eram confiadas,
quer como hortelão e coordenador dos trabalhos agrícolas na Quinta da
Casa de Valinha, quer como porteiro e dedicado enfermeiro do Frei Jaime
de La Puebla, na Casa de Barcelos.
Faleceu no Convento de Vigo em
4 de Novembro de 1947. Contava 78 anos de idade e 57 de vida religiosa.