Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela,
nasceu na localidade espanhola de Villahibiera, distrito e província de
León, em 28 de Setembro de 1891. Aos 25 anos sentiu-se chamado pelo
Senhor a fazer a experiência da vida fraterna e franciscana. Após um ano
de postulantado, ingressou no noviciado e vestiu o hábito capuchinho no
Convento de Bilbau em 25 de Dezembro de 1917. Aí fez também a profissão
temporária em 24 de Janeiro do ano seguinte e a profissão perpétua em 19
de Março de 1921.
Antes de ser destinado a Portugal, exerceu
sucessivamente em diversos Conventos da sua Província o ofício de
hortelão e cozinheiro. Em 1934, logo que foi canonicamente fundada a
nossa Casa de Barcelos, recebeu obediência dos seus Superiores para
integrar esta Fraternidade, onde já se encontrava o Frei António de
Carrocera.
Chegou à cidade do Cávado em 16 de Dezembro e no
seguinte dia 22 aí se lhe ajuntou também o Frei Alfredo de Polientes.
Com estes três Capuchinhos da Província de Castela constituiu-se a
primeira Fraternidade de Barcelos para a qual se alugou por cento e
vinte escudos mensais, pagos por um grupo de fiéis, uma casa situada
perto da igreja de Santo António, logo a seguir à que depois se comprou
e onde está construída a actual casa.
Nesta Fraternidade ficou o Frei Damião a trabalhar até
morrer. Nos 15 anos que viveu entre nós, não regateou energias para bem
executar as diversas tarefas e serviços que lhe eram pedidos. Foi
sacristão da igreja de Santo António, cozinheiro, porteiro do Convento
e, com muita frequência, exerceu o ofício de esmoleiro indo por quase
todas as freguesias do Concelho recolher esmolas e donativos para os
irmãos da Fraternidade. Em conformidade com o que prescreve o Pai São
Francisco na Regra, era “com muita confiança” que o Frei Damião cumpria
este serviço “de pobreza e de humildade”, conquistando a simpatia e a
veneração dos fiéis não apenas para si, mas também para os seus irmãos
capuchinhos.
Quando em 1946 o Frei João Evangelista de Idiazabal
empreendeu a construção definitiva da Casa de Barcelos, com um segundo
andar destinado exclusivamente para os nossos estudantes de Filosofia, o
Frei Damião andou de terra em terra a pedir ajudas para essa obra. E
conseguiu angariar todo o madeiramento necessário e outros materiais de
construção para esse acrescento da Casa. Foi também por isso um irmão
benemérito da Fraternidade de Barcelos.
Apesar de nunca ter conseguido aprender a falar bem a
língua portuguesa, era muito querido por todas as pessoas da cidade e
das freguesias do Concelho que o procuravam, quer na portaria do
Convento quer na sacristia da nossa igreja de Santo António, para
encomendar santas missas ou solicitar a presença dum confessor.
De vida penitente e austera, e dotado de carácter forte,
era humilde e manso como um cordeiro. De sandálias nos pés e agarrado às
contas do terço que, penduradas no cíngulo, ia passando constantemente
pelas mãos, a todos edificava pela sua profunda piedade.
Faleceu em Barcelos a 16 de
Outubro de 1949. Contava 59 anos de idade e 32 de vida religiosa. Ficou
sepultado no Cemitério Municipal de Barcelos em talhão privativo dos
Capuchinhos.