Era natural da freguesia de Macieira de Rates, concelho
de Barcelos, onde nasceu em 29 de Dezembro de 1922. Com 17 anos de
idade, entrou no já extinto Seminário Seráfico de Fafe em 18 de Outubro
de 1939. Um ano depois, ingressou no noviciado de Barcelos e vestiu o
hábito capuchinho em 4 de Outubro de 1940. Aí fez a profissão temporária
em 5 de Outubro do ano seguinte, a profissão perpétua em 26 de Outubro
de 1944 e recebeu a ordenação sacerdotal na Catedral de Pamplona, na
Espanha, em 21 de Dezembro de 1948.
Fez os estudos de Filosofia na nossa Casa de Barcelos,
de 1942 a 1945, e os de Teologia nos Conventos de Estella e Pamplona, da
Província de Navarra, de 1945 a 1948.
Concluídos os estudos regressou a Portugal e dedicou-se,
de alma e coração, ao ministério profético. Levou o anúncio da Palavra
de Deus a quase todas as terras do país, sobretudo às do Norte, Centro e
Beiras. Granjeou, neste sector da evangelização, a simpatia e a
admiração de todos aqueles que tinham o prazer de o ouvir, expor e
traduzir em linguagem simples, mas profunda, a Boa Nova do Evangelho de
Nosso Senhor Jesus Cristo. As pessoas escutavam-no com enlevo e grande
proveito espiritual porque ele a todas anunciava alegria, libertação,
serenidade e paz.
Porém, não foi apenas um grande pregador popular. De
1949 a 1953 foi professor no Seminário Seráfico do Porto e leccionou
também a cadeira de História da Igreja aos nossos estudantes de
Teologia. A partir de 1953, fez parte da Fraternidade de Barcelos. Em
1955 transitou para o Seminário de Vila Nova de Poiares com o ofício de
pregador.
Na vida da Província exerceu também diversos cargos de
responsabilidade. Assim, em 1956 foi investido como primeiro Guardião da
nossa primitiva Casa de Fátima, comprada pela Ordem em Maio de 1955 e
vendida dois anos depois aos Padres Franciscanos Conventuais, para com o
produto dessa venda se adquirir o terreno onde está construída a nossa
actual Casa, junto à estrada da Moita. Em 1959 voltou para a
Fraternidade de Barcelos como professor e pregador. Mas, no ano
seguinte, deixou Barcelos e veio para Lisboa como Guardião desta
Fraternidade. Três anos depois regressou de novo a Barcelos e aí ficou
até 1966, dedicando-se à sua actividade preferida, onde se sentia como
peixe na água – o ministério da evangelização.
Em 1966 foi nomeado Guardião da Fraternidade de Coimbra,
cargo a que resignou passado pouco tempo, passando a residir na Casa de
Barcelos. De 1967 a 1969 esteve em Lisboa e, nesse mesmo ano, foi
transferido para a Fraternidade do Porto.
Outro sector onde o Frei Pedro de Macieira se evidenciou
foi o da pastoral da saúde e serviço dos doentes. A partir de 1969
começou a prestar assistência religiosa como capelão civil contratado no
Hospital Militar do Porto. A sua extremada e carinhosa dedicação aos
enfermos, que por ali passavam, bem depressa lhe conquistou o apreço de
todo o pessoal médico e paramédico. Aí permaneceu até 1975. Nessa altura
foi transferido para Coimbra e tomou então a seu encargo o serviço
religioso dos doentes do Hospital Militar de Coimbra e da Casa de Saúde
“Coimbra” sediada na Rua da Sofia. A sua bondade, a sua alegria e o seu
optimismo perante a vida eram muitas vezes, o melhor lenitivo e o melhor
remédio não só para todas essas pessoas em sofrimento, mas também para
as suas famílias.
No meio dos doentes, que tanto consolou, viria a exalar
o último suspiro. A partir de 1980, começou a acusar sintomas de uma
doença que os médicos não conseguiram diagnosticar. Esteve internado
durante largas semanas para exames clínicos, primeiro na Casa de Saúde
“Coimbra”, onde era capelão, depois no Hospital dos Covões, e de novo na
referida Casa de Saúde. Embora os médicos começassem a admitir a
hipótese dum cancro, certo é que o Frei Pedro veio a falecer
inesperadamente duma embolia.
Era um irmão com quem dava gosto viver a vida fraterna.
Junto dele todos se sentiam bem. De uma transparência e inocência quase
original, semeava simplicidade e verdade em tudo o que dizia e fazia.
Dele se poderia dizer o que Jesus disse ao ver Natanael: “Aqui está um
autêntico israelita, em quem não há fingimento “ (Jo 1,47).
A sua morte ocorreu em 27 de Setembro de 1981 e foi
muito sentida dentro e fora das nossas Fraternidades, sobretudo pelas
gentes de Coimbra, onde se encontrava há vários anos. O seu funeral
realizou-se no dia 28 de Setembro na nossa igreja de Santa Justa e o seu
corpo foi depois transladado de Coimbra para a nossa igreja de Santo
António de Barcelos. Foi a sepultar no seguinte dia 29 no cemitério
municipal da cidade no mesmo talhão que serviu também de última morada
ao Frei Gil de Campo, Frei João de Deus de Amareleja, Frei Inácio de
Ajanguiz, Frei Damião de Villahibiera, Frei Toríbio de Portaje, Frei
João Evangelista de Idiazábal e a mais irmãos já falecidos na Província.
O Frei Pedro de Macieira
contava 59 anos de idade, 40 de vida religiosa e 33 de sacerdócio.