Religioso da Província dos Capuchinhos de Andaluzia,
nasceu na cidade de Madrid em 28 de Novembro de 1910. Vestiu o hábito
capuchinho, no Convento de Sevilha, em 16 de Setembro de 1928, aí fez a
profissão temporária em 17 de Setembro do ano seguinte, a profissão
perpétua, no Convento de Sanlúcar de Barrameda, em 6 de Janeiro de 1933
e recebeu a ordenação sacerdotal em Beja em 22 de Março de 1936.
Com 25 anos de idade, sendo ainda subdiácono, veio para
Portugal em 14 de Março de 1936; mas, poucos dias depois, a 19 e 22
desse mês, o bispo de Beja conferiu-lhe, respectivamente, as ordens do
diaconado e do sacerdócio. Decerto foi o primeiro sacerdote capuchinho
ordenado em Portugal, pois, entre os Capuchinhos que viveram no nosso
país, não se tem notícia certa de um clérigo que tenha sido ordenado
sacerdote.
O primeiro ano da sua estadia entre nós passou-o a
trabalhar nas paróquias do Salvador (Beja), Mértola, Alvito e Vila Nova
de Baronia. A seguir foi como pároco para Mértola, mas um ano depois
deixou essa paróquia e foi para a de Beringel, onde esteve também um
ano. De 1939 a 1942 paroquiou a freguesia de Aldeia Nova de São Bento e
a anexa de Ficalho. Voltou depois para Mértola, onde paroquiou esse
concelho até 1946 com muito trabalho e imensa dedicação pastoral.
Passados dez anos na diocese de Beja, transitou para a
nossa Fraternidade do Porto em Fevereiro de 1946 e até Setembro
paroquiou São Mamede de Infesta.
Foi então destinado a Coimbra onde, enquanto não
tínhamos casa, viveu no Beco de Montarroio, num quarto alugado. A 3 de
Maio de 1947 pôs-se a primeira pedra da nossa Casa de Santa Justa, que
se inaugurou no seguinte 15 de Dezembro, e para aí se transladou o Frei
Domingos que, durante mais de cinco anos, foi Vice-Guardião da
Fraternidade e praticamente reitor da nossa igreja. Desenvolveu então
uma fecunda e extraordinária actividade evangélica e apostólica,
devendo-se-lhe em grande parte a simpatia e devoção que a gente de
Coimbra tinha pelos Capuchinhos.
Tanto nos dez anos em que trabalhou na diocese de Beja,
como nos sete em que esteve em Coimbra, o Frei Domingos manifestou
sempre um zelo inesgotável e uma disponibilidade total para acolher, com
um sorriso nos lábios, toda a gente que o procurasse a qualquer hora do
dia ou da noite. Para ele, ser capuchinho era sinónimo de entrega a Deus
e aos outros sem reservas. Isso tornava-o muito querido e apreciado por
todas as pessoas dos mais variados estratos etários e sociais.
Retirado para Espanha em 1952, foi pouco tempo depois
para a República Dominicana, na Ilha de Haiti, onde os Capuchinhos da
Província de Andaluzia tinham uma Missão. Aí continuou a trabalhar até
1956 com zelo parecido ao que manifestou em Portugal.
Em 1956 deixou a República de São Domingos e passou a
exercer a sua actividade num novo campo apostólico – a República da
Guatemala. Nesse país fundou uma nova Missão confiada ao cuidado
pastoral dos Capuchinhos da Vice-Província da América Central. Aqui
viveu os últimos 37 anos da sua intensa e fecunda vida missionária. Mas
sem nunca esquecer Portugal onde se ordenou sacerdote e muito
contribuiu, com a sua valiosa presença, para a implantação da Ordem. Por
isso, sempre que vinha à Espanha em gozo de férias ou por outro motivo
não voltava para a América Central sem visitar os seus confrades e
amigos portugueses.
Faleceu na Guatemala em 18 de
Setembro de 1993. Contava 83 anos de idade, 64 de vida religiosa e 57 de
sacerdócio.