Religioso da Província dos Capuchinhos do Rio Grande do
Sul, Brasil, nasceu na localidade de São Lourenço de Vilas Boas, em 22
de Dezembro de 1912. Com 16 anos de idade, vestiu o hábito capuchinho,
no Convento de Flores da Cunha, em 3 de Fevereiro de 1928. Aí fez a
profissão temporária em 10 de Fevereiro do ano seguinte, a profissão
perpétua no Convento de Garibaldi em 25 de Dezembro de 1933, Ano Santo
da Redenção, e nesta mesma cidade recebeu a ordenação sacerdotal em 5 de
Agosto de 1937.
Nos primeiros anos de sacerdócio dedicou-se com
entusiasmo à pregação popular, em que já era mestre consumado quando dez
anos depois chegou ao nosso Comissariado. Efectivamente, na esteira de
outros confrades brasileiros, que, da sua Província de Caxias, vieram
então para Portugal, principalmente para cooperar na formação
religiosa-franciscana e intelectual dos jovens capuchinhos portugueses,
o Frei Bernardino de Vilas Boas desembarcou em Vigo, a bordo do paquete
Santa Cruz, em 18 de Agosto de 1947. Nesse mesmo dia atravessou a
fronteira de Valença do Minho. O então Comissário Geral, Frei Damião de
Ódena, colocou-o em Barcelos, a cuja Fraternidade pertenceu durante todo
o tempo que viveu entre nós.
O Senhor dotou-o de qualidades excepcionais, sobretudo
do dom de comunicar que, como ninguém, soube pôr ao serviço do anúncio
da Palavra de Deus. Quase não parava no Convento, porque andava sempre a
pregar “missões populares” do Norte ao Sul do país, que percorreu, com
verdadeira paixão e alma de apóstolo, de lés a lés. Ficaram célebres as
missões por ele pregadas na paróquia da Colegiada em Guimarães, na das
Marinhas em Esposende, na do Santíssimo Sacramento no Porto, na do
Tortosendo perto do Fundão, e em muitas outras paróquias.
Com a sua palavra empolgante, fazia do seu imenso
auditório – que muitas vezes, não cabia na igreja e se apinhava na praça
maior das povoações – tudo o que queria: fazia-o rir, fazia-o chorar e,
como apenas desejava movê-lo à conversão e a uma vida diferente,
conseguia que todos, com raríssimas excepções, se abeirassem dos
Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.
Foi incalculável o bem que o Frei Bernardino de Vilas
Boas fez à nossa Ordem e o prestígio que nos deu em Portugal. Durante a
sua permanência entre nós, tomou parte no Congresso da União Missionária
do Clero, realizado em Fátima, em Março de 1948, e, em Outubro do ano
seguinte, participou, como relator, no Congresso Assuncionista
Franciscano de Lisboa, destinado a preparar o evento da definição
dogmática da Assunção de Nossa Senhora. Em representação do
Comissariado, foi um dos intervenientes no Congresso de Actualização do
Apostolado da Ordem, realizado em Roma, no Ano Santo de 1950.
Em 10 de Abril de 1951 embarcou para o Brasil, depois de
quatro anos incompletos passados entre nós. Já em terras de Santa Cruz,
o seu grande amor a Nossa Senhora levou-o a prosseguir, com o mesmo
entusiasmo, as suas lides apostólicas na difusão da mensagem de Fátima e
a encandear multidões com a devoção à “Senhora das Pombas Brancas” que
apareceu em Portugal.
Efectivamente, de Janeiro de 1952 a Maio de 1964,
iniciou uma famosa peregrinação com a imagem de Nossa Senhora de Fátima,
que levara de Portugal, percorrendo os Estados do Rio Grande, Paraná,
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e outros.
Nas Missões populares a imagem de Fátima, as famosas
“pombinhas brancas” e o Frei Bernardino confundiam-se e atraíam
multidões de forma comovente. Isto granjeou-lhe a admiração de pessoas
de todas as classes sociais, inclusive do Presidente do Brasil,
Juscelino Kubischek de Oliveira e da sua família, que se tornaram seus
grandes amigos.
Acometido de gravíssima e
incurável doença chamada mal de Parkinson (Paralisia Agitante), o grande
“missionário de Fátima”, depois de suportar não poucos sofrimentos, veio
a falecer em Lagoa Vermelha, a 18 de Setembro de 1985. Contava 73 anos
incompletos, 56 de vida religiosa e 52 de sacerdócio.