Religioso da Província dos Capuchinhos de Andaluzia,
nasceu na povoação espanhola de Puerto de Segura, província de Jaén, em
20 de Novembro de 1885. Fez os primeiros estudos no Colégio de Lecároz,
em Navarra, que então pertencia ao Distrito Autónomo de Madrid,
dependente directamente do Padre Geral da Ordem.
Tomou depois o hábito capuchinho na Província de
Andaluzia em 1 de Novembro de 1902, emitiu a profissão perpétua em 10 de
Fevereiro de 1907 e recebeu a ordenação sacerdotal em 19 de Setembro de
1908.
Terminados os estudos de Teologia, entregou-se de alma e
coração ao ministério sacerdotal pregando e cantando em muitas
festividades dentro e fora do Convento. Quando não se ocupava com o
ministério sacerdotal, dedicava o seu tempo a ordenar e catalogar a
biblioteca do Convento em que residia, e isto fê-lo esmeradamente nas
Fraternidades de Sevilha, Sanlúcar, Granada e Córdoba. Muitos livros
antigos, que são autênticas preciosidades, ainda hoje se conservam em
óptimo estado na biblioteca principal daquela Província, graças ao
desvelo com que por ele foram catalogados e preservados.
Dotado de grandes aptidões e conhecimentos musicais,
compôs e editou uma colectânea de Hinos à Divina Pastora e uma
colectânea de cânticos destinada às missões populares.
Com 49 anos de idade e 26 de sacerdócio, foi enviado
para Portugal e chegou a Beja em 23 de Outubro de 1934. Aí se alojou,
juntamente com o Frei António de Pozoblanco, em casa alugada pelos
Capuchinhos andaluzes na freguesia do Salvador, cuja igreja paroquial
lhes tinha sido confiada. Ficou então, em fins de Outubro desse ano,
efectivamente constituída a nossa fraternidade de Beja, para a qual
tinham dado as respectivas licenças o Prelado diocesano em 23 de Junho
de 1933 e a Sagrada Congregação dos Religiosos em 29 de Janeiro de 1934.
Estabelecido em Beja, o Frei Félix Maria de Segura
continuou a exercer ali um activo ministério, sendo pároco em Mértola,
Alvito, Vila Nova de Baronia, Beringel, Aldeia Nova de São Bento, Serpa
e na paróquia do Salvador. Era cuidadosíssimo na escrituração dos livros
paroquiais, que ainda ali se conservam. Praticamente foi ele quem
dirigiu e orientou toda a construção da nossa antiga Casa de Beja. A
ele se ficou a dever também a reorganização de todos os serviços
litúrgicos, da pastoral da evangelização e da catequese na paróquia do
Salvador, até então bastante abandonados. Isto granjeou-lhe a simpatia e
a veneração não só dos seus paroquianos, mas do próprio bispo da
diocese.
Acolhedor, afável, de trato simples e bondoso, atento
aos problemas das pessoas, desenvolveu na cidade de Beja, em muitas das
suas vilas e dos chamados “montes alentejanos”, uma incansável
actividade ao serviço de tudo e de todos. Foram estes e outros atributos
que fizeram dele um precioso elemento do nosso Comissariado, quando este
se fundou em 1939.
Em 22 de Abril de 1945 foi transferido de Beja para
Coimbra. E como o seu lema era “ser tudo para todos”, ali colaborou
assídua e exemplarmente com o Prior de Santa Cruz e, com o seu exemplo
de vida franciscana e a sua actividade apostólica, muito contribuiu para
que tivéssemos uma residência nessa cidade junto à igreja de Santa
Justa.
Acometido de grave doença a 24 de Agosto, no dia 29 teve
uma recaída e ficou em estado comatoso durante uma semana. Faleceu em 5
de Setembro de 1945, cerca de quatro meses e meio depois de ter chegado
a Coimbra. Ficou sepultado no cemitério da Conchada e ao seu enterro
compareceram muitos membros do clero da diocese coimbrã e um
representante do bispo de Beja, em cuja diocese tinha trabalhado durante
onze anos. Contava 60
anos de idade, 42 de vida religiosa e 37 de sacerdócio.