O Senhor me deu Irmãos

frei Generoso de Barcenilla (Patrício Martin Labrador)

30 de Agosto | Presbítero | 1907-1988

Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu em Barcenilla, província de Palencia, em 24 de Agosto de 1907. Apenas com nove anos de  idade entrou no Seminário Seráfico de El Pardo em 28 de Setembro de 1918. Vestiu o hábito capuchinho no Convento de Bilbau, em 2 de Agosto de 1923, aí emitiu a profissão temporária em 2 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua, no Convento de León, em 21 de Outubro de 1928, e recebeu a ordenação sacerdotal em Astorga em 11 de Outubro de 1931.

Terminados os estudos de Teologia foi destinado ao Convento de Bilbau e nesses onze meses que residiu em terras bascas dedicou-se, a tempo inteiro, ao ministério da pregação. Exerceu também este ministério nos Conventos de León e Monteano durante os dois anos seguintes e, posteriormente, esta seria uma das suas principais actividades em todas as Fraternidades por onde passou.

Em 1935 transitou para Salamanca. Aqui foi surpreendido pela Guerra Civil Espanhola e alistou-se voluntariamente como capelão no Tércio de Requetés. Foi também conselheiro provincial da Frente de Juventudes e da Solidariedade Social. Esta sua dedicada colaboração foi por três vezes premiada com as medalhas de Campanha, Cruz Vermelha e de Guerra.

Terminada a Guerra Civil, veio para Portugal. Passada a fronteira em 27 de Setembro de 1940, chegou ao Porto no dia seguinte. Dois meses depois, o então Comissário, Frei Damião de Ódena, mandou-o para o nosso Seminário de Fafe como professor. Em 11 de Janeiro de 1941 foi transferido para a Fraternidade de Barcelos. Mas no ano seguinte veio para o Porto onde permaneceu sete anos consecutivos, primeiro na Casa da Rua de São Dinis, como capelão das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora, e depois na nossa Casa da Rua Nova do Tronco como professor do Seminário. Aí leccionou  as disciplinas de Música, História Universal, Francês e Português. Enquanto esteve no Porto ensinava língua espanhola no Instituto Espanhol desta cidade.

Em Setembro de 1949 foi mandado para a pequena Fraternidade de Beja, onde esteve até 5 de Maio de 1950, data em que saiu para Roma, a fim de visitar o Centro da Cristandade e conhecer a Itália. No regresso acabaria por ficar definitivamente na sua Província.

Era um irmão dotado de excelentes qualidades para a música. Dominava com conhecimento e bastante desenvoltura o teclado do orgão e do piano. Tinha também uma capacidade inata para aprender línguas. Aprendeu tão bem o português que o falava quase sem dar a entender que era estrangeiro. Isso permitiu-lhe traduzir ao espanhol a obra “Galicia vista de Galicia” do nosso escritor e jornalista Hugo Rocha e publicou um “Método de lengua española para portugueses”. Com o produto da sua venda comprou para o Seminário do Porto a valiosa Enciclopédia “Espasa”. O seu profundo conhecimento de língua portuguesa permitiu-lhe pregar em muitas aldeias, vilas e cidades do nosso país. Graças à simpatia que irradiava, teve o condão de fazer muitíssimos amigos em Portugal e muitos deles tornaram-se também amigos e benfeitores da nossa Ordem.

Depois de ter voltada à sua Província, O Frei Generoso esteve nos Conventos de Santander, Valhadolid, Manzanares e León. Em Valhadolid, onde permaneceu de 1960 a 1966, foi Guardião da Fraternidade e a ele se ficou  a dever a construção duma nova igreja e residência para os irmãos. Ainda chegou a cruzar os mares e a pregar a Palavra de Deus em terras venezuelanas, mas por pouco tempo, apenas por um ano. Regressou a Espanha e incardinou-se na Fraternidade de Manzanares por um triénio, com os cargos de Vigário, Coadjutor paroquial e ecónomo. Daqui passou para a Fraternidade de Madrid, onde viveu também três anos, e de 1975 a 1985 prestou serviços na Fraternidade de León.

Aqui começou a ressentir-se da saúde com a sua bronquite asmática e crónica a agudizar-se cada vez mais. A partir de 1985 ficou internado na Enfermaria Provincial de Santo António de Cuatro Caminos. Aí veio a falecer em 30 de Agosto de 1988. Contava 81 anos de idade, 65 de vida religiosa e 57 de sacerdócio.

frei Fernando de Negreiros

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