O Senhor me deu Irmãos

frei Júlio de Caxias (Ernesto Bianchi)

2 de Agosto | Presbítero | 1919-1975

Religioso brasileiro da Província do Rio Grande do Sul, nasceu em Caxias do Sul em 3 de Junho de 1919. Aos 21 anos ingressou no noviciado e vestiu o hábito capuchinho no Convento de Flores da Cunha em 5 de Janeiro de 1938. Aí fez a profissão temporária em 6 de Janeiro do ano seguinte, a profissão perpétua no Convento de Marau em 6 de Janeiro de 1942, e três anos depois recebeu a ordenação sacerdotal, no Convento de Garibaldi, em 6 de Janeiro de 1945.

Com 30 anos de idade e quatro anos após ter sido ordenado de presbítero, veio para Portugal desembarcando em Lisboa em 11 de Março de 1949, para ajudar os Capuchinhos que já cá trabalhavam na implantação da Ordem.

Depois de uma rápida passagem pela nossa Fraternidade do Porto, foi colocado na de Coimbra, onde esteve até ser transferido, em 5 de Agosto de 1949, para a Casa de Barcelos. Aí permaneceu quatro anos consecutivos dedicado ao ministério da reconciliação e do anúncio da Palavra de Deus.

A partir de 12 de Janeiro de 1952, o bondoso e fraterno Frei Júlio de Caxias foi rodando sucessivamente por várias fraternidades: nessa data foi destinado à Fraternidade do Porto, à de Beja em 22 de Setembro de 1952 e à de Coimbra em 14 de Agosto de 1954, com o cargo de Vice-Superior. E continuou neste cargo até ser mudado para o Seminário que os Capuchinhos portugueses tinham então a funcionar em Vila Nova de Poiares, diocese de Coimbra. E aí prestou bons serviços como professor e confessor dos seminaristas.

Não se pense que estas contínuas andanças e lugares de destino do Frei Júlio de Caxias, saltitando de fraternidade para fraternidade, eram fruto de qualquer instabilidade pessoal ou dificuldade sua em se adaptar às pessoas e às casas, para onde era enviado pelos Superiores. Bem pelo contrário! Em todas as Fraternidades onde viveu foi sempre um bom e exemplar religioso, e um óptimo companheiro, cuja presença era desejada por todos. Por outro lado, mostrou sempre uma permanente disponibilidade para servir e trabalhar onde os Superiores entendessem, tornando-se por isso um verdadeiro modelo de fraternidade e de obediência.

Durante os seis anos que passou no então Comissariado Geral dos Capuchinhos portugueses, dedicou-se com grande entusiasmo à pregação popular. E a sua simplicidade, alegria e cordialidade granjearam-lhe a estima e o apreço do clero e do povo de Deus nas muitas paróquias onde pregou.

Em 7 de Agosto de 1955 teve de partir inesperadamente para o Brasil a fim de visitar e dar assistência aos seus velhos pais doentes. Obteve então de Roma obediência para ficar na sua Pátria e não regressou mais a Portugal.

Na sua Província, continuou a trabalhar no campo da evangelização, mas destacou-se sobretudo no sector da formação e da pastoral do aconselhamento. Assim, em 1957 esteve ao serviço do Seminário de Veranópolis como professor e director espiritual dos seminaristas, cargo em que voltaria a ser sucessivamente reconduzido de 1963 a 1970. Nessa altura foi-lhe também confiado o múnus de Guardião e director dos irmãos não clérigos, depois de ter sido Mestre de Noviços no Convento de Garibaldi, de 1961 a 1963.

Atacado pela diabetes, pela arteriosclerose e por problemas cardíacos, após oito anos de tratamento em Flores da Cunha, aí viria a falecer em 2 de Agosto de 1984. Contava 65 anos de idade, 46 de vida religiosa e 39 de sacerdócio.

frei Fernando de Negreiros

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