Nasceu na freguesia de Faria, concelho de Barcelos, em
31 de Março de 1915. Depois de nove meses de postulantado na nossa Casa
de Barcelos, em 29 de Março de 1938 seguiu para o Convento de Bilbau, a
fim de aí fazer o noviciado. Vestiu o hábito capuchinho em 14 de Abril
desse mesmo ano, mas no seguinte 2 de Outubro voltou a Barcelos para se
apresentar às autoridades militares e regressou depois a Bilbau, onde
fez a profissão temporária em 18 de Maio de 1939. Foi o primeiro e único
capuchinho português que a Província de Castela, tendo-o admitido como
postulante, enviou de Portugal para o seu noviciado, mostrando assim que
tinha a intenção de introduzir a nossa Ordem em Portugal. Três anos mais
tarde, em 19 de Maio de 1942, fez a profissão perpétua na nossa Casa do
Porto.
Alguns meses depois de ter feito a profissão temporária,
os Superiores de Castela entregaram-lhe obediência para vir para
Portugal. Com breve passagem pelas Fraternidades de Barcelos e Beja, em
Outubro de 1939 os Superiores mandaram-no para o Seminário Seráfico de
Fafe, que acabava de ser aberto na Quinta do Calvário. Aí permaneceu até
à sua extinção, verificada em Julho de 1941.
Acompanhou a transferência do Seminário de Fafe para o
Porto, que começou a funcionar na chamada Casa e Quinta do Tronco, e aí
viveu de 1941 a 1949 como auxiliar do Seminário e instrutor dos
postulantes.
Em 1949 foi colocado na Fraternidade de Barcelos onde,
no decurso de 46 anos, sempre se devotou com exemplar dedicação às
múltiplas tarefas e exigências da vida fraterna. Era um exímio alfaiate,
que, com a pedaleira da sua velha e eficiente máquina de costura,
confeccionou os hábitos de quase todos os irmãos da Província.
Desempenhou o ofício de porteiro, de esmoleiro, de cozinheiro e de
esmerado sacristão. Pela simpatia e boas maneiras de receber, acolher e
comunicar com as pessoas, que diariamente batiam à portaria do Convento,
o Frei António de Faria tornou-se credor, em Barcelos, da estima e
admiração de toda a população do Concelho, convertendo-se quase num
“ex-libris” da cidade.
Por decreto da Sagrada Congregação dos Religiosos de 21
de Janeiro de 1958, desvinculou-se da Província dos Capuchinhos de
Castela e ficou definitivamente incardinado na nossa Província.
Era um grande devoto de Nossa Senhora. A oração do
rosário era o seu Saltério, que rezava integralmente todos os dias. Mas
não se limitava a passar as contas do rosário. Ao longo de toda a sua
vida, de alicate na mão, confeccionou, na perfeição, dezenas de milhares
de terços para as pessoas rezarem. Agraciado com o dom de ensinar,
transmitia aos noviços os seus conhecimentos na feitura dos cíngulos que
os próprios faziam para o dia das suas profissões temporárias.
Tinha também uma especial devoção à Eucaristia. Nos
últimos anos de vida, enquanto as artroses dos joelhos e dos pés não lhe
tolheram de todo os movimentos, lá ia o Frei António arrimado à sua
bengala, de igreja em igreja da cidade, participar na celebração da
santa Missa.
Dotado de uma memória prodigiosa, sabia de cor toda a
história dos começos da fundação da nossa Província e dos seus
principais protagonistas – ele que foi também um dos seus co-fundadores.
Muita dessa história, feita memória viva, foi dele recolhida oralmente e
estampada em letra de fôrma no Boletim Oficial da Província. Mas
conhecia igualmente outras «estórias» como a vida e o perfil dos nossos
Beatos e Santos Capuchinhos, e também a especificidade de quase todas as
Congregações Religiosas femininas implantadas em Portugal depois da
proclamação da República, com suas ramificações e ligações à Regra de
São Francisco.
Faleceu no Convento de Santo
António de Barcelos em 24 de Julho de 1995. Contava 80 anos de idade e
56 de vida religiosa. Os seus restos mortais repousam no cemitério
municipal daquela cidade, em talhão privativo dos Capuchinhos.