Nasceu na freguesia de Souto da Carpalhosa, concelho de
Leiria, em 21 de Abril de 1911. Tinha 12 anos de idade quando embarcou
para o Brasil com toda a família em 26 de Fevereiro de 1923. Um ano
depois, em 18 de Fevereiro de 1924, entrou no Seminário dos Capuchinhos
da então Custódia e hoje Província de São Paulo. Vestiu o hábito
capuchinho em 11 de Fevereiro de 1929, emitiu a profissão temporária em
23 de Fevereiro do ano seguinte, a profissão perpétua em 25 de Março de
1933 e recebeu a ordenação sacerdotal em 29 de Dezembro de 1935. Fez os
estudos de Filosofia em São Paulo, de 1930 a 1933, e os de Teologia no
mesmo Convento, de 1933 a 1936.
Terminado o curso sacerdotal, o Frei Mateus foi mandado
para a paróquia e Fraternidade de Penápolis como Vigário cooperador em
12 de Dezembro de 1936. No ano seguinte foi transferido para o Seminário
de Piracicaba como Director de disciplina. Dois anos depois, em 1 de
Fevereiro de 1939, recebeu do então Ministro Geral, Frei Donato de Welle,
a obediência para deixar a Província de São Paulo e vir para Portugal, a
fim de aqui trabalhar na implantação da Ordem, de que foi um dos
fundadores.
Em 15 de Outubro de 1934, o então Comissariado Geral de
Portugal abriu em Fafe o seu primeiro Seminário Seráfico e o Frei Mateus
foi nomeado seu primeiro Director, sendo, ao mesmo tempo, professor de
várias disciplinas. Quando em 1941 o Seminário foi transferido de Fafe
para a Quinta e Casa do Tronco, no Porto, o Frei Mateus acompanhou os
seminaristas e aí continuou como Director e professor.
Em 1946 foi-lhe confiado o ofício de pregador e o cargo
de Secretário do Comissariado. Em 1947 foi nomeado Guardião da
recém-fundada Casa de Coimbra. Em 1948 foi escolhido para 1º Assistente
do segundo Comissário Geral, Frei José de Castro de El Rio. Em 1951, o
então Ministro Geral, Frei Clemente de Milwaukee, nomeou-o Comissário
Geral dos Capuchinhos portugueses, cargo que exerceu até 1955.
Nesse ano, o governo do Comissariado foi entregue ao
Frei Cornélio de San Felices e o Frei Mateus foi-lhe dado como 1º
Assistente. Poucos meses depois, ao ser fundada a Casa de Lisboa, veio
para a capital como Guardião dessa Fraternidade. Em 1957 deixou Lisboa e
passou a viver na Casa do Porto, a fim de acompanhar de perto as obras
da construção da nossa igreja da Imaculada Conceição, inaugurada no ano
seguinte e de que foi o principal impulsionador.
Em 1961 foi destinado para Fátima como Guardião da
Fraternidade, mas em Novembro de 1962 seguiu com o seu irmão gémeo, Frei
Jerónimo do Souto, para o Brasil a fim de ali pregar a mensagem de Nossa
Senhora de Fátima. Isso já tinha acontecido em anos anteriores e iria
voltar a repetir anos mais tarde. Ao regressar do Brasil em Maio de 1965
foi agregado à Fraternidade do Porto.
Em 1966 foi nomeado 3º Assistente do então Comissariado
Provincial, sendo colocado na Fraternidade de Gondomar como Vigário e
encarregado das obras do nosso novo Seminário e igreja. Mas em 1968
deixou Portugal e, juntamente com o seu irmão gémeo, regressou à
Província de São Paulo, no Brasil. Fê-lo sobretudo para secundar um
pedido que então lhe foi feito pelo Cardeal Agnelo Rossi, Arcebispo de
São Paulo, a fim de se encarregar da paróquia de Sápopemba e aí
construir um Santuário em honra de Nossa Senhora de Fátima, cuja
primeira pedra foi lançada em 13 de Maio de 1969 e inaugurado em 13 de
Maio de 1974.
Volvidos nove anos, tomou a decisão de vir novamente
para Portugal, onde chegou em 10 de Março de 1979, com vontade de por cá
ficar em definitivo. Efectivamente, em 19 de Fevereiro de 1980, a seu
pedido e com o respectivo Decreto do então Ministro Geral, Frei Pascoal
Rywalski, desvinculou-se da Província dos Capuchinhos de São Paulo e
ficou incardinado de “pleno jure” na nossa Província.
Em 1981 confiaram-lhe o cargo de Vigário da Fraternidade
de Lisboa e de Administrador da Difusora Bíblica. Em 1987 foi nomeado
Guardião da Fraternidade de Fátima, mas depois de uma intervenção
cirúrgica a que se submetera em Lisboa, por motivos de saúde, renunciou
ao cargo e, a partir de 1988, ficou agregado à Fraternidade de Barcelos.
O Frei Mateus foi o terceiro Comissário Geral dos
Capuchinhos em Portugal. De grande verticalidade e de convicções
profundas, o seu nome ficará para sempre ligado à implantação de nossa
Ordem em Portugal, de que foi um dos seus fundadores. De sublinhar
sobretudo o valiosíssimo contributo por ele dado no sector da formação
dos primeiros candidatos à nossa vida franciscana como professor,
educador e responsável do Seminário Seráfico de Fafe e do Seminário
Seráfico do Porto. Deixou-nos também um grande testemunho de apóstolo.
De parceria com o seu irmão gémeo, Frei Jerónimo do
Souto, percorreu o país de lés a lés ao serviço da Palavra de Deus. E
muito se distinguiu, sobretudo numa forma muito peculiar de
evangelização que tornou esta actividade pastoral dos Capuchinhos
querida e apreciada pelo povo das nossas aldeias, vilas e cidades: As
missões populares.
Estudioso e devoto da teologia mariana da mensagem de
Fátima, o Frei Mateus foi também um “instrumento” de que a Mãe do Céu se
serviu para divulgar o conteúdo evangélico dessa mensagem dentro e fora
de Portugal.
Faleceu no Hospital de
Barcelos em 23 de Junho de 1994. Contava 83 anos de idade, 64 de vida
religiosa e 59 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério municipal de
Barcelos em talhão privativo dos Capuchinhos.