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O Senhor me deu Irmãos

frei Mateus do Souto (Martinho Gaspar Lopes)

23 de Junho | Presbítero | 1911-1994

Nasceu na freguesia de Souto da Carpalhosa, concelho de Leiria, em 21 de Abril de 1911. Tinha 12 anos de idade quando embarcou para o Brasil com toda a família em 26 de Fevereiro de 1923. Um ano depois, em 18 de Fevereiro de 1924, entrou no Seminário dos Capuchinhos da então Custódia e hoje Província de São Paulo. Vestiu o hábito capuchinho em 11 de Fevereiro de 1929, emitiu a profissão temporária em 23 de Fevereiro do ano seguinte, a profissão perpétua em 25 de Março de 1933 e recebeu a ordenação sacerdotal em 29 de Dezembro de 1935. Fez os estudos de Filosofia em São Paulo, de 1930 a 1933, e os de Teologia no mesmo Convento, de 1933 a 1936.

Terminado o curso sacerdotal, o Frei Mateus foi mandado para a paróquia e Fraternidade de Penápolis como Vigário cooperador em 12 de Dezembro de 1936. No ano seguinte foi transferido para o Seminário de Piracicaba como Director de disciplina. Dois anos depois, em 1 de Fevereiro de 1939, recebeu do então Ministro Geral, Frei Donato de Welle, a obediência para deixar a Província de São Paulo e vir para Portugal, a fim de aqui trabalhar na implantação da Ordem, de que foi um dos fundadores.

Em 15 de Outubro de 1934, o então Comissariado Geral de Portugal abriu em Fafe o seu primeiro Seminário Seráfico e o Frei Mateus foi nomeado seu primeiro Director, sendo, ao mesmo tempo, professor de várias disciplinas. Quando em 1941 o Seminário foi transferido de Fafe para a Quinta e Casa do Tronco, no Porto, o Frei Mateus acompanhou os seminaristas e aí continuou como Director e professor.

 Em 1946 foi-lhe confiado o ofício de pregador e o cargo de Secretário do Comissariado. Em 1947 foi nomeado Guardião da recém-fundada Casa de Coimbra. Em 1948 foi escolhido para 1º Assistente do segundo Comissário Geral, Frei José de Castro de El Rio. Em 1951, o então Ministro Geral, Frei Clemente de Milwaukee, nomeou-o Comissário Geral dos Capuchinhos portugueses, cargo que exerceu até 1955.

Nesse ano, o governo do Comissariado foi entregue ao Frei Cornélio de San Felices e o Frei Mateus foi-lhe dado como 1º Assistente. Poucos meses depois, ao ser fundada a Casa de Lisboa, veio para a capital como Guardião dessa Fraternidade. Em 1957 deixou Lisboa e passou a viver na Casa do Porto, a fim de acompanhar de perto as obras da construção da nossa igreja da Imaculada Conceição, inaugurada no ano seguinte e de que foi o principal impulsionador.

Em 1961 foi destinado para Fátima como Guardião da Fraternidade, mas em Novembro de 1962 seguiu com o seu irmão gémeo, Frei Jerónimo do Souto, para o Brasil a fim de ali pregar a mensagem de Nossa Senhora de Fátima. Isso já tinha acontecido em anos anteriores e iria voltar a repetir anos mais tarde. Ao regressar do Brasil em Maio de 1965 foi agregado à Fraternidade do Porto.

Em 1966 foi nomeado 3º Assistente do então Comissariado Provincial, sendo colocado na Fraternidade de Gondomar como Vigário e encarregado das obras do nosso novo Seminário e igreja. Mas em 1968 deixou Portugal e, juntamente com o seu irmão gémeo, regressou à Província de São Paulo, no Brasil. Fê-lo sobretudo para secundar um pedido que então lhe foi feito pelo Cardeal Agnelo Rossi, Arcebispo de São Paulo, a fim de se encarregar da paróquia de Sápopemba e aí construir um Santuário em honra de Nossa Senhora de Fátima, cuja primeira pedra foi lançada em 13 de Maio de 1969 e inaugurado em 13 de Maio de 1974.

Volvidos nove anos, tomou a decisão de vir novamente para Portugal, onde chegou em 10 de Março de 1979, com vontade de por cá ficar em definitivo. Efectivamente, em 19 de Fevereiro de 1980, a seu pedido e com o respectivo Decreto do então Ministro Geral, Frei Pascoal Rywalski, desvinculou-se da Província dos Capuchinhos de São Paulo e ficou incardinado de “pleno jure” na nossa Província.

Em 1981 confiaram-lhe o cargo de Vigário da Fraternidade de Lisboa e de Administrador da Difusora Bíblica. Em 1987 foi nomeado Guardião da Fraternidade de Fátima, mas depois de uma intervenção cirúrgica a que se submetera em Lisboa, por motivos de saúde, renunciou ao cargo e, a partir de 1988, ficou agregado à Fraternidade de Barcelos.

O Frei Mateus foi o terceiro Comissário Geral dos Capuchinhos em Portugal. De grande verticalidade e de convicções profundas, o seu nome ficará para sempre ligado à implantação de nossa Ordem em Portugal, de que foi um dos seus fundadores. De sublinhar sobretudo o valiosíssimo contributo por ele dado no sector da formação dos primeiros candidatos à nossa vida franciscana como professor, educador e responsável do Seminário Seráfico de Fafe e do Seminário Seráfico do Porto. Deixou-nos também um grande testemunho de apóstolo.

De parceria com o seu irmão gémeo, Frei Jerónimo do Souto, percorreu o país de lés a lés ao serviço da Palavra de Deus. E muito se distinguiu, sobretudo numa forma muito peculiar de evangelização que tornou esta actividade pastoral dos Capuchinhos querida e apreciada pelo povo das nossas aldeias, vilas e cidades: As missões populares.

Estudioso e devoto da teologia mariana da mensagem de Fátima, o Frei Mateus foi também um “instrumento” de que a Mãe do Céu se serviu para divulgar o conteúdo evangélico dessa mensagem dentro e fora de Portugal.

Faleceu no Hospital de Barcelos em 23 de Junho de 1994. Contava 83 anos de idade, 64 de vida religiosa e 59 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério municipal de Barcelos em talhão privativo dos Capuchinhos.

 

 
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