Era natural da freguesia da Correlhã, concelho de Ponte
de Lima, onde nasceu em 13 de Maio de 1920. Arrastado pelo exemplo de
seu irmão, Frei Lourenço Torres Lima, e seduzido pelo mesmo ideal
evangélico de vida franciscana, aos 26 anos de idade pediu para ser
admitido na Ordem Capuchinha. Fez o postulantado e iniciou o seu
noviciado na Fraternidade de Barcelos em 13 de Agosto de 1946, com o
nome de Frei João da Correlhã. Aí emitiu a profissão temporária no ano
seguinte e a profissão perpétua, também em Barcelos, em 21 de Novembro
de 1951.
O Frei João viveu quase sempre nas nossas Casas do Porto
e Gondomar. Apenas passou três anos na Fraternidade de Lisboa, de 1955 a
1958, como “irmão sócio” do então Comissário Geral, Frei Cornélio de San
Felices – um cargo que estava contemplado nas Constituições da Ordem
anteriores a 1968. Os restantes anos da sua vida foram repartidos por
aquelas duas Fraternidades. Nelas prestou muitos e valiosos serviços,
sobretudo com o seu constante e aturado trabalho agrícola no amanho da
terra e da vinha, actividade para a qual era dotado de qualidades
excepcionais, pois possuía vastos conhecimentos práticos em questões de
agronomia.
De “antes quebrar que torcer”, nunca virava a cara às
dificuldades. Em determinada altura da sua vida pensou valorizar-se
intelectualmente e matriculou-se no Liceu. A sua persistência e
indomável força de vontade levou-o a ultrapassar algumas dificuldades e
a concluir com êxito o antigo 5º ano liceal, o que, à partida e na sua
idade, parecia uma meta inatingível.
Espelho de simplicidade, de desprendimento, de espírito
de sacrifício, mas sempre alegre e festivo, o Frei João foi sobretudo um
irmão totalmente disponível para ajudar e servir onde fosse preciso.
Granjeou a simpatia dos nossos seminaristas, que ao longo dos anos
frequentaram o Seminário Seráfico de Gondomar, pela forma afável e o
carinho com que lhes transmitia muitos ensinamentos, quando era por eles
ajudado nos vários serviços que prestava à Fraternidade.
Deixou-nos também um exemplo magnífico de intensa vida
de piedade e oração. Aliás, a fidelidade ao dever de cada dia e uma
profunda vida interior foram os pontos fulcrais do seu itinerário
franciscano.
Cultivou também um amor apaixonado à sua vocação e à
Ordem Capuchinha, alegrando-se com o sucesso dos seus irmãos e sofrendo
com as suas contrariedades e reveses.
Agraciado por Deus com o dom de trabalhar, em
conformidade com o que o Pai São Francisco recomendava na Regra
“trabalhou fiel e devotamente”. E permaneceu fiel à “graça de trabalhar”
até ao fim da sua vida na Fraternidade de Gondomar, onde sempre viveu a
partir de 1981 e até ao momento em que foi inesperadamente visitado pela
“nossa irmã morte corporal”.
Faleceu em 22 de Junho de
1986, vitimado por um enfarte do miocárdio. Contava 66 anos de idade e
39 de vida religiosa. Ficou sepultado no cemitério de São Cosme de
Gondomar em jazigo privativo dos Capuchinhos.