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frei Cornélio de San Felices (Federico Cenera de La Fuente)

1 de Junho | Presbítero | 1908-1979

Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu na povoação de San Felices de Castilleria, distrito de Palência, na Espanha, em 15 de Novembro de 1908. Ingressou no Seminário Seráfico de El Pardo, junto a Madrid, em 15 de Novembro de 1922 e vestiu o hábito Capuchinho no Convento de Bilbau em 15 de Agosto de 1925. Aí fez a profissão temporária em 15 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua em 16 de Novembro de 1929 e recebeu a ordenação sacerdotal em 10 de Julho de 1934.

Em Setembro de 1934 foi nomeado professor do Seminário de El Pardo e no ano seguinte Vice-Director. Durante a Guerra Civil espanhola de 1936 a 1939, viveu clandestinamente em Madrid e aí assistiu ao bárbaro fuzilamento de vários companheiros. Esteve preso duas vezes, mas conseguiu escapar sempre com vida.

Em 1937, por intermédio de um seu grande amigo, o Cônsul Geral da Finlândia, Senhor Luís Blanch, a Embaixada da Grécia, na capital espanhola, ofereceu-lhe o lugar de intérprete para as línguas espanhola e grega, o que lhe facilitou imenso a vida em ambiente de guerra. No desempenho deste cargo, ainda lhe sobrou tempo não só para se dedicar à pastoral sacramental, sobretudo dos sacramentos da Confissão, da Santa Unção, do Matrimónio e da Eucaristia — que celebrava às escondidas em diversas casas de Madrid —, mas também para procurar no cemitério madrileno de Almudena os corpos dos Religiosos Capuchinhos de Castela assassinados por “esbirros” do então chamado “exército vermelho”.

Terminada a Guerra Civil, em Dezembro de 1939 foi destinado para o Seminário de Bilbau como Vigário, professor e Vice-Director. Em 1940 regressou com os seminaristas ao Seminário de El Pardo e aí continuou a exercer os mesmos cargos. Em Agosto de 1943 transitou para a Fraternidade de Jesus de Medinaceli, em Madrid, como Director das “Quintas-Feiras Eucarísticas”, da catequese e da Ordem Terceira Franciscana. De 1948 a 1951 foi também Vigário desta Fraternidade, e em 1950 ajuntou a este cargo o de Director da Casa de Retiros de Cuatro Caminos. No triénio de 1948 a 1951 foi eleito Definidor Provincial e em 1951 os irmãos da sua Província elegeram-no para Superior Provincial.

Alguns meses depois de ter terminado o seu primeiro triénio como Provincial de Castela, após consulta previamente feita aos Religiosos de Portugal, em Janeiro de 1955, foi nomeado pelos Superiores Maiores de Roma Comissário Geral dos Capuchinhos portugueses. Foi o quarto e último Comissário Geral dos Capuchinhos de Portugal e, a partir de 17 de Setembro de 1957, seria também o seu primeiro Comissário Provincial, na altura em que o nosso Comissariado foi elevado de Geral a Provincial.

Durante o seu mandato, em Fevereiro de 1955, começou a ser publicada a revista BÍBLICA como plataforma de apoio à DIFUSORA BÍBLICA, cuja primeira semente tinha sido lançada em Beja pelo carismático Frei Inácio de Vegas. Em Abril desse ano fez-se uma nova fundação da Ordem em Fátima com a aquisição de uma Casa onde estava instalada a antiga pensão “Sagrada Família” que, alguns anos mais tarde, seria vendida aos Padres Franciscanos Conventuais, para dar lugar à compra dos terrenos onde está instalada a Casa actual. Em Maio de 1955 foi fundada a Casa de Lisboa, situada nos terrenos onde está hoje construída a nossa igreja e o edifício contíguo de sétimo andar, no Calhariz de Benfica. Apareceu, pela primeira vez, em letra de fôrma, o Boletim da Província com o título de BOLETIM OFICIAL. Realizou-se também a I Semana Bíblica Nacional em Abril de 1956, a que então se deu o nome de “Primeira Semana Nacional de Estudos Bíblicos”.

Em Outubro de 1956, o Frei Cornélio de San Felices fez a primeira visita pastoral às nossas Missões e missionários de Angola. Foi durante o seu mandato que, em Julho de 1958, se adquiriu a Quinta e Casa da Bouça Cova, em Gondomar, para aí ser instalado o Seminário Seráfico, e nesse mesmo ano se inaugurou também a nossa igreja do Porto. Com o Frei Cornélio à frente dos destinos do Comissariado, a nossa Ordem acabaria por ser reconhecida oficialmente como Corporação Missionária em Fevereiro de 1961. Organizou também todo o Arquivo provincial e deu normas aos Superiores das Fraternidades para a selecção, recolha e guarda de Documentos nos Arquivos locais.

Grande devoto de Nossa Senhora, promoveu a consagração do Comissariado ao Imaculado Coração de Maria e escolheu como Padroeiro da Ordem em Portugal o mesmo Coração Imaculado de Maria.

Como já antes referimos, em Setembro de 1957, com a elevação do Comissariado Geral a Provincial, o Frei Cornélio foi nomeado para o cargo de Comissário Provincial. Mas em Julho de 1960 seria eleito, pela Segunda vez, Provincial de Castela e, durante pouco mais de um ano, desempenhou este serviço fraterno na sua Província juntamente com o de Comissário Provincial de Portugal. Mas, em Agosto de 1961, não podendo estar em dois sítios ao mesmo tempo, renunciou a este último cargo e regressou definitivamente a Madrid.

Ao terminar o seu segundo triénio de Provincial de Castela, já muito doente dos olhos, retirou-se para o Convento de Cuatro Caminos. Nesta  última etapa da sua vida dedicou-se especialmente a dirigir o Dispensário médico-jurídico e o “Club de Ancianos San António”, que ele mesmo tinha fundado em 1968.

Faleceu em Madrid em 1 de Junho de 1979 vitimado por um acidente vascular cerebral. Contava 71 anos de idade, 53 de vida religiosa e quase 50 anos de sacerdócio.

 

 
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