Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela,
nasceu na povoação espanhola de Carrocera em 13 de Junho de 1874. Vestiu
o hábito capuchinho em 16 de Dezembro de 1895, com a idade de 24 anos.
Fez a profissão temporária em 20 de Dezembro de 1896 e a profissão
perpétua em 24 de Dezembro de 1899. Recebeu a ordenação sacerdotal em 17
de Maio de 1905.
Antes de vir para Portugal, foi variadas vezes Guardião
em diversos Conventos da sua Província. Assim, em 1907, dois anos apenas
após a sua ordenação, foi nomeado Guardião da Fraternidade de São
Martinho de Trevejo, em 1910 foi Guardião no Seminário Seráfico de El
Pardo, em 1918 foi-o na Corunha, em 1922 na Fraternidade de Santander e
em 1931 na de Madrid.
Gostava muito do ministério da Palavra e tinha muito
jeito para pregar, o que fez com muito entusiasmo e agrado dos que o
ouviam sempre que lho permitia o ofício de Guardião.
Religioso de aspecto austero, soube manter sempre nas
Fraternidades a chamada disciplina da regular observância e, em tempos
de enormes dificuldades financeiras, equilibrar a economia das Casas.
Assim como tinha sido o primeiro Guardião das
Fraternidades da Corunha e de Santander, a Província dos Capuchinhos de
Castela também o destinou para desempenhar esse cargo na Casa que ia
fundar em Portugal. Chegou a Barcelos em 7 de Dezembro de 1934 e
hospedou-se em casa do prior da cidade, Padre Joaquim Gaiolas. Pouco
tempo depois, com mais dois capuchinhos castelhanos, foi constituída a
pequena Fraternidade de Barcelos e ele aí continuou até 1939 como
Superior. Os Religiosos foram instalados numa pequena e velha casa
alugada, situada perto da igreja de Santo António, logo a seguir à que
depois se comprou e que é a nossa actual Casa de Barcelos.
Ao ser instituído o Comissariado Geral dos Capuchinhos
de Portugal em 1 de Março de 1939, o Frei António de Carrocera foi
nomeado Assistente do Comissário Frei Damião de Ódena e, nessa data,
transferido para o Porto. Aqui esteve primeiro na pequenina Casa que
habitávamos na cerca das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora
(então conhecidas como Franciscanas de Calais), na Rua de São Dinis;
depois foi para uma Casa alugada, defronte do Jardim da Cordoaria, não
longe da igreja de São José das Taipas que, nessa altura, estava
encomendada aos nossos cuidados pastorais. Finalmente comprada a Quinta
e Casa do Tronco e instalado lá o Seminário Seráfico, que nos dois
últimos anos tinha estado em Fafe, o Frei António de Carrocera foi
nomeado Guardião da Fraternidade que aí se constituiu. Pouco depois
ajuntou a esse cargo o de Director do Seminário Seráfico.
Sentindo-se gasto e alquebrado de forças, e talvez um
pouco desanimado por não poder exercer em Portugal o ministério da
pregação como fizera em Espanha, em virtude de não falar correctamente a
língua portuguesa, em 1945 acabou por regressar à sua Província de
Castela. Tinha então 71 anos de idade.
Depois de deixar Portugal,
viveu ainda nove anos, como simples Religioso, nas Fraternidades de
Valhadolid, Montehano e Corunha, até que em 22 de Maio de 1954, estando
a residir na Fraternidade de León, entregou a sua alma ao Senhor com
quase 80 anos de idade. Contava 58 anos de vida religiosa, 11 dos quais
passados em Portugal ao serviço da implantação da Ordem Capuchinha, e 49
de sacerdócio.