7 de Abril | Presbítero | 1910-1997 Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu na localidade leonesa de El Burgo Ranero em 10 de Maio de 1910. Entrou no Seminário Seráfico de El Pardo, junto a Madrid, em 1 de Agosto de 1920. Sete anos depois vestiu o hábito Capuchinho no Convento de Bilbau em 6 de Novembro de 1927 com o nome de Frei Hilário de El Burgo. Aí fez a profissão perpétua no Convento de León em 22 de Novembro de 1931 e aqui estudou Teologia, de 1930 a 1936. Recebeu a ordenação sacerdotal na Catedral de León em 16 de Março de 1935. Chegou a Portugal em 30 de Julho de 1936 e no seguinte dia 31 foi destinado para Ponte de Lima, a fim de integrar a primeira comunidade dessa nossa Casa modestamente instalada nas dependências da igreja dos Terceiros. Aí ficou até 31 de Janeiro de 1937. Nessa altura teve que se deslocar ao Convento de León para fazer o exame de pregador e já não voltou para Portugal porque, deflagrada a Guerra Civil, lho impediram as autoridades militares, por ser ainda muito jovem. Cerca de três anos depois, a instâncias do então Comissário Geral, Frei Damião de Ódena, acabaria por receber a obediência do Padre Geral para regressar ao nosso país. Em 30 de Agosto de 1939 passou novamente a fronteira e em Setembro seguiu para a casa de Beja. Foram-lhe então pastoralmente confiadas as paróquias de Serpa, Brinches, Aldeia Nova de Ficalho, Mértola, Beringel, Mombeja, São Matias e, finalmente, a paróquia do Salvador onde estava a residência da Fraternidade. Aliás, foi nesta paróquia e na de Beringel que desenvolveu, de forma intensiva e programada, múltiplas acções de evangelização e catequese. Em 4 de Outubro de 1942 deixou Beja e foi para Barcelos ensinar Ciências Naturais aos nossos primeiros estudantes clérigos no Colégio de Filosofia que então começou a funcionar neste Convento. Por ter partido inesperadamente para o Brasil o indigitado Director e Lente de Filosofia, Frei Germano de Tabauté, o Frei Bernardino Baños – que ainda usava o nome de Hilário de El Burgo – teve de arcar com todos esses ofícios, de que recebeu a respectiva nomeação em 13 de Outubro de 1942, aguentando praticamente sozinho esse peso até 1946. Nesta data deixou as aulas de Ciências e, em Setembro de 1947, as de Filosofia que, em Janeiro de 1948, teve de retomar. Dada a deficiente preparação dos alunos no Latim, para lhes facilitar a aprendizagem, traduziu e resumiu em português quase todas as matérias filosóficas. Em Dezembro de 1948 deixou o cargo de Director e aí continuou apenas como professor de Filosofia. A 29 de Maio de 1949, com um princípio de esgotamento nervoso e o coração avariado, abandonou o Colégio, depois de quase sete anos de árduo e extraordinário trabalho. Após uns meses de repouso em Barcelos, foi encarregado de instalar o primeiro ano do Seminário Seráfico numa mansão alugada em Aldeia do Mato (Belmonte), que depois se chamou Vale Formoso, onde dirigiu a Casa como Guardião, Director e professor dos seminaristas desde 18 de Fevereiro de 1950 até 30 de Setembro de 1952. Suprimido esse Seminário, foi para a Casa do Porto onde ensinou Teologia aos nossos estudantes, de 30 de Novembro de 1952 a 22 de Julho de 1955. Nesta data já era Guardião da Fraternidade, cargo que desempenhou até 1957. No triénio de 1957-1960 foi-lhe confiado idêntico serviço fraterno na Fraternidade de Coimbra. No triénio seguinte, 1960-1963, veio para Lisboa como Vigário da Fraternidade e capelão dos Bairros das Furnas e da Boavista. Em 1963 passou a residir na Fraternidade de Coimbra e nela viveu sempre até ao momento de partir deste mundo para a Casa do Pai. Aqui granjeou a veneração e a estima de toda a gente que frequentava a nossa igreja de Santa Justa, sobretudo daqueles que encontraram nele um competente mestre e guia espiritual. Aliás, consagrou grande parte da sua vida ao ministério da reconciliação e à chamada direcção espiritual. Nos últimos 34 anos da sua estada em Coimbra diversificou a sua actividade por vários sectores. Foi director da catequese na igreja de Santa Justa, Vigário da Fraternidade de 1966-1969 e de 1974 a 1977 e, durante algum tempo, prestou assistência religiosa e serviços pastorais na paróquia de São Paulo de Frades. De 1964 a 1966 orientou no ISET, em Lisboa, o Curso de Psicologia Pastoral para os finalistas de Teologia de várias Congregações Religiosas do país. De 1966 a 1967 foi professor de Teologia Moral no nosso Colégio de Filosofia e Teologia do Porto, e de 1970 a 1978 regeu essa mesma cadeira nos Seminários Maiores de Leiria e Coimbra. Nesta última diocese desempenhou também o cargo de juiz sinodal do Tribunal diocesano. Não menos relevante foi a sua actividade científica. Em 1947 apresentou uma comunicação no Congresso Assuncionista Franciscano de Lisboa sobre «A morte e a assunção de Nossa Senhora nos escritos de São Lourenço de Brindes». Em 1948 participou na Semana Mariológica de Salamanca onde apresentou um trabalho subordinado ao tema «Um novo princípio mariológico em São Lourenço de Brindes». Durante alguns anos orientou na revista “Paz e Bem” a secção «Cartas à Çãozinha» e em 1972 publicou um livro intitulado «Sexo e Sexto. Psicologia e Graça» (Gráfica de Coimbra: 1972, 296 p.). Cultivou sempre um grande amor ao estudo, num processo pessoal de formação e actualização contínua, através da leitura crítica dos melhores livros de Teologia e Mariologia. Aliás, ao longo de toda a sua vida dedicou uma profunda e filial devoção a Nossa Senhora, que procurou incutir também nos jovens formandos que lhe iam passando pelas mãos. Foi o último capuchinho estrangeiro que ficou na nossa Província e aqui trabalhou pelo espaço de 58 anos! Embora juridicamente tenha pertencido sempre à Província de Castela, considerava-se português pelo coração. Foi uma das “pedras angulares” na implantação e consolidação da nossa Ordem em Portugal. Faleceu nos Hospitais Civis de Coimbra em 7 de Abril de 1997. No seguinte dia 8, às 10.30 horas da manhã, foi celebrada Missa de Corpo presente, concelebrada por mais de duas dezenas de sacerdotes diocesanos e irmãos sacerdotes das Fraternidades de Lisboa, Fátima, Coimbra e Cabanas de Viriato, com a igreja de Santa Justa repleta de fiéis. O seu féretro foi depois transportado para a nossa igreja do Porto. Às 15 horas, também aí se celebraram solenes exéquias em seu sufrágio com a presença de muitos Religiosos de todas as nossas Fraternidades. Ficou sepultado no cemitério de Paranhos em talhão privativo da nossa Província. Contava quase 87 anos de idade, 69 de vida religiosa e 62 de sacerdócio. |
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