10 de Março | Presbítero | 1933-2000 Era natural da freguesia de Negreiros, concelho de Barcelos, onde nasceu a 5 de Abril de 1933. Entrou no Seminário Seráfico do Porto em 8 de Outubro de 1944, tomou o hábito capuchinho no Convento de Noviciado de Barcelos em 12 de Agosto de 1948, emitiu a profissão temporária em 15 de Agosto de 1949, a profissão perpétua em 6 de Junho de 1954, na Capela do Convento do Porto, e recebeu a ordenação sacerdotal na Catedral de Salamanca, em 1 de Abril de 1956. Fez os estudos de Filosofia em Barcelos de 1949 a 1952, e os de Teologia no Porto (1º, 2º e 3º anos) e no Convento de Santa Marta, em Salamanca (4º ano), de 1952 a 1956. Concluído o curso de Teologia foi colocado na Fraternidade de Lisboa como Administrador da revista BÍBLICA e Capelão do Bairro da Boavista. Mas em 1957 os Superiores Maiores transferiram-no para a Fraternidade do Porto e confiaram-lhe a direcção da revista PAZ E BEM. Três anos depois, em 1960, foi mandado para Barcelos com o cargo de Vigário da Fraternidade e o ofício de pregador. Em 1962 tomou parte em Segóvia num curso promovido pelo “Movimento por um Mundo Melhor” e, nesse mesmo ano, seguiu para Roma a fim de tomar contacto com este movimento eclesial e fazer, com o seu fundador, Padre Lombardi, um curso longo de três meses. Dedicou alguns anos da sua vida sacerdotal a trabalhar apostolicamente no “Movimento por um Mundo Melhor”, então dirigido em Portugal pelo Padre Manuel Vieira Pinto, que depois seria nomeado bispo de Nampula, em Moçambique. Em 1964 seguiu para o nosso Colégio Internacional de São Lourenço de Brindes em Roma a fim de se matricular em Filosofia na Universidade Gregoriana, cuja licenciatura concluiu em 1966. Nesse ano foi nomeado Vigário da Fraternidade do Porto, professor de Filosofia e Vice-Director do Colégio de Filosofia e Teologia, instalado nessa Fraternidade, e Fabriqueiro da Província. Em 1969 passou a estar de novo ao serviço do “Movimento por um Mundo Melhor", primeiro na Metrópole, e depois em Moçambique em colaboração com o bispo de Nampula, o já referido Dom Manuel Vieira Pinto. Em 1970 os bispos de Moçambique nomearam-no Conselheiro da Conferência Episcopal, membro do Conselho Presbiteral, Assistente do Apostolado dos Leigos e responsável pela assistência espiritual aos missionários. Ali permaneceu até Junho de 1972. No Capítulo Provincial de 1972 foi eleito 2º Definidor Provincial e depois nomeado Guardião da Fraternidade de Gondomar e Presidente da Comissão de Franciscanismo e Vida Fraterna. Nessa altura passou a dar também aulas de Filosofia e Teologia Pastoral no ISET do Porto. No seguinte mês de Julho foi eleito para o Conselho Presbiteral da diocese do Porto e, em Setembro, os Superiores das diversas Casas dos Institutos Religiosos desta cidade escolheram-no como seu delegado junto da Conferência Nacional dos Institutos Religiosos do nosso país. Em 1975 voltou a ser reeleito como 1º Definidor e Vigário Provincial, continuando a pertencer à Fraternidade de Gondomar. Em 1976 o governo da Província transferiu-o para a recém-fundada Fraternidade da Baixa da Banheira como Vigário da Fraternidade e pregador. Em 1977 nomearam-no Guardião da Casa de Coimbra, sendo reconduzido nesse cargo no triénio seguinte de 1978-1981, em que também foi reconfirmado como 1º Definidor e Vigário Provincial. De 1981 a 1984 ficou agregado à Casa de Fátima com o ofício de pregador. De 1984 a 1990 transitou de novo para Coimbra como Guardião da Fraternidade, e em 1987 o VIII Capítulo Provincial voltou a elegê-lo como 1º Definidor e Vigário Provincial. Em Janeiro desse ano, a convite do Vice-Provincial de Cabo Verde, Frei António Fidalgo, desloca-se àquele país a fim de orientar uma série de retiros e vários encontros de formação para os irmãos capuchinhos ali radicados. No ano de 1987 ainda presta a sua colaboração pastoral à “Missão da Baixa da Banheira” (cf. Francisco Leite de Faria–Fernando de Negreiros, OS CAPUCHINHOS EM PORTUGAL – Memória de um Cinquentenário (1939-1990), Lisboa 1990, p. 454-456, sobre outras grandes Missões populares pregadas pelo Frei Miguel), mas começando a não se sentir bem de saúde sujeitou-se a uma série de rigorosos exames médicos e, em 19 de Agosto, foi operado a uma grave neoplasia gástrica no Hospital de Santa Maria, no Porto. Com a sua indomável força de viver, no período pós-operatório fez uma recuperação sensacional do seu estado de saúde e, poucos meses depois, voltou a retomar as suas actividades normais, embora com bastantes limitações. Em 1990 o IX Capítulo Provincial reelegeu-o como 1º Definidor e Vigário Provincial, sendo depois transferido para Barcelos como Vigário da Fraternidade, Mestre dos Postulantes e Director espiritual dos Pós-Noviços. Recebeu também a nomeação de Assistente da nossa Fraternidade Franciscana Secular e seu Delegado junto da Família Franciscana Portuguesa. Como grande comunicador e pregador popular, dedicou-se com entusiasmo ao apostolado da pregação sobretudo junto das comunidades cristãs da Arquidiocese de Braga. Prestou também assídua colaboração, com programas regulares, à “Rádio local de Barcelos”. Participou com frequência, como conferencista, nas Semanas de Estudo sobre a Vida Religiosa, realizadas em Fátima, e em vários Cursos de Franciscanismo organizados pelo Centro de Franciscanismo de Leiria. Em 1992 integrou uma das Comissões encarregadas de preparar o VIII Centenário do Nascimento de Santa Clara – a “Comissão de Formação”. Por ocasião do mesmo Centenário, como reconhecimento do seu grande entusiasmo e devoção à “Irmã Clara, Mulher Nova”, orientou uma série de retiros nos Mosteiros das Irmãs Clarissas no Continente, Ilhas e, mais tarde, no Brasil. Compôs mesmo uma cantata, com o título de “Clara mais clara que o dia”, musicada pelo Frei Acílio Dias Mendes. Em 1993 continuou como Assistente da Ordem Franciscana Secular. Em 1994, Dom Eurico Dias Nogueira fê-lo membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Braga. No âmbito desta sua intensa actividade pastoral participou também em vários Congressos, nomeadamente no Congresso Internacional da OFS, realizado em Fátima em 1990, no Congresso sobre Paróquias a nível da CIC, no Congresso sobre o Centenário de Santo António, realizado em Lisboa, Porto e Coimbra em 1992. Foi um dos colaboradores permanentes da nossa revista BÍBLICA por cujas páginas deixou disseminados muitos dos seus textos poéticos, e deu também muita da sua competência e do seu tempo à revisão de notas e textos literários da Nova BÍBLIA dos Capuchinhos editada em 1998. Em 1993 concluiu a tradução das novas Constituições da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, a partir do original latino, elaborando um texto em língua vernácula de grande qualidade poética e literária. Em 1996 o XI Capítulo Provincial elegeu-o, mais uma vez, 1º Definidor e Vigário Provincial, continuando agregado à Fraternidade de Barcelos com o encargo de Presidente da então criada Comissão de Animação Franciscana, membro do Conselho Provincial de Pastoral e Assistente da OFS. Com o seu grande entusiasmo pela vida Franciscana, lançou em Barcelos o grupo JUFRA e o grupo dos “Pequenos Arautos” com o objectivo de captar para a OFS pessoas de todas as idades, e em 1996 teve a grande alegria espiritual de fundar na sua terra natal de Negreiros uma secção da Ordem Franciscana Secular. Em 1997, a convite do respectivo Vice-Provincial, deslocou-se a Moçambique para orientar o retiro espiritual aos irmãos daquela Vice-Província que, nessa altura, celebrava as Bodas de Ouro da presença dos Capuchinhos naquele país africano. Entretanto, no regresso a Portugal, sentindo-se fisicamente cada vez mais fragilizado, deu entrada na Enfermaria Provincial e em 15 de Novembro de 1998, na presença de todos os irmãos da Fraternidade do Porto, fez a confissão pública dos seus pecados e recebeu devotamente o Sacramento da Santa Unção dos Enfermos que lhe foi ministrado pelo Padre Provincial. Em 22 de Novembro foi internado no Instituto de Oncologia do Porto e no seguinte dia 24 submetido a uma intervenção cirúrgica para lhe ser extraído um tumor maligno alojado no intestino. Para facilitar a sua convalescença e os respectivos cuidados médicos, em 2 de Dezembro entrou na Enfermaria Provincial, onde permaneceu por dilatado período de tempo. Ainda chegou a voltar para Barcelos. Mas em 3 de Junho de 1999 ficou adscrito à Fraternidade do Porto e passou a residir na Enfermaria Provincial. Mas, mesmo a partir daí, com a sua grande genica e a vontade de partilhar a grande riqueza espiritual do “Poverello” de Assis, continuou a prestar assistência à OFS de Barcelos e Negreiros. Nos primeiros dias de Março, o seu estado de saúde agravou-se significativamente e a chama da vida foi-se apagando lenta e serenamente até a entregar nas mãos do Pai, para ser transformada em vida nova. Faleceu no dia 10 de Março do ano do Grande Jubileu 2000. Como irmão menor, o Frei Miguel deixou-nos um estimulante exemplo duma profunda vivência franciscana mesmo em situações de grande sofrimento. Soube cultivar em elevado grau a simplicidade, a minoridade, a disponibilidade, a amizade fraterna e a perfeita alegria. Sentia-se felicíssimo sempre que podia participar activamente e colaborar com entusiasmo na festa dos irmãos e nos grandes acontecimentos festivos da vida da Província. Duas grandes paixões marcaram também a sua vida: a sua grande paixão pelo Senhor Jesus Cristo e o seu enamoramento pela Ordem Capuchinha por quem se tinha verdadeiramente deixado seduzir e apaixonar. O seu funeral realizou-se no dia 11 de Março do Ano Santo 2000. Presidiu à soleníssima concelebração eucarística o senhor Arcebispo de Braga, Dom Jorge Ortiga, ladeado pelo Arcebispo resignatário, Dom Eurico Dias Nogueira, e pelo senhor Bispo de Viseu, Dom António Monteiro. Ficou sepultado no cemitério Municipal de Barcelos em jazigo próprio da nossa Ordem. Contava quase 67 anos de idade, 50 de vida religiosa e 44 de sacerdócio. |
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