O Senhor me deu Irmãos

frei Daniel de Vilar (Afonso Henriques Gonçalves Coelho)

8 de Março | Presbítero | 1935-2000

Natural da freguesia de Areias de Vilar, concelho de Barcelos, aí nasceu a 28 de Setembro de 1935. Ingressou no Seminário Seráfico do Porto em 2 de Outubro de 1947. Vestiu o hábito Capuchinho no Convento do noviciado da Fraternidade de Barcelos em 6 de Agosto de 1952, emitiu a profissão temporária em 15 de Agosto de 1953, a perpétua no Convento dos Capuchinhos de León, Espanha, em 4 de Outubro de 1956 e nesta cidade recebeu a ordenação sacerdotal em 12 de Março de 1960. Fez os estudos de Filosofia no Porto e no Convento de Santa Marta, em Salamanca, de 1953 a 1956, e os de Teologia no Convento de León, de 1956 a 1960.

Regressado a Portugal, em Setembro desse mesmo ano foi indicado como professor e Vice-Director do Seminário Seráfico de Gondomar, cargo que desempenhou até 1962. Em 1963 fez parte da Fraternidade do Porto com o ofício de pregador e, em 1964, partiu para Angola como Capelão militar, terminando a sua comissão de serviço em 1966.

No triénio de 1966-1969 foi destinado à Fraternidade de Beja como pároco do Salvador e Vice-Guardião; mas uma vez suprimida canonicamente a presença dos Capuchinhos naquela diocese, o Frei Daniel foi transferido para Coimbra como Guardião da Fraternidade.

Entretanto, ao ser nomeado pela Santa Sé bispo de Carmona (hoje Uíje), o senhor Dom Francisco da Mata Mourisca, que nessa altura era o Comissário Provincial dos Capuchinhos em Portugal, escolheu este irmão como seu secretário particular. Em 30 de Março de 1967 resignou ao cargo que exercia na Fraternidade de Coimbra e em 27 de Julho seguiu com o senhor Dom Francisco para Angola.

De 1967 a 1970 desempenhou também naquela diocese africana as funções de Vigário Geral, Consultor jurídico e membro do Conselho Presbiteral. Mas em Janeiro de 1970, o Capítulo da Missão dos Capuchinhos portugueses de Angola elegeu-o como Superior Regular. Deixou então o Paço Episcopal de Carmona (Uíje) e transladou-se para Luanda. Pouco tempo depois iniciou a construção da grande igreja de Santo António da Cuca na capital luandense. Passados três anos, cessou no cargo de Superior Regular, mas o Capítulo da Missão elegeu-o como seu 1º Assistente. Regressou de novo ao Uíje como Guardião e pároco da paróquia de São Francisco confiada ao cuidado pastoral daquela nossa Fraternidade missionária.

Em 1974 renunciou ao cargo de 1º Assistente da Missão Regular quando já se encontrava em Portugal desde Outubro de 1973 onde se viu obrigado a regressar por graves motivos de saúde, depois de ter sido submetido a uma primeira intervenção cirúrgica, sem grande sucesso, a uma hérnia discal no Hospital de Luanda. Nessa altura, ficou agregado à Fraternidade de Gondomar. Em Março de 1975 seria de novo operado com êxito, pela segunda vez, na Clínica de la Posaleda em Santiago de Compostela. Em 22 de Agosto de 1975 foi nomeado Guardião da Fraternidade de Fátima, cargo que desempenhou durante um triénio.

Em Abril de 1979 foi pela primeira vez ao Canadá em serviço pastoral. De volta à Província, algum tempo depois solicitou aos Superiores a competente autorização para ir trabalhar apostolicamente com a comunidade de emigrantes portugueses, radicada em Hamilton. Para lá seguiu em 17 de Outubro desse mesmo ano, sendo-lhe confiada pelo bispo da respectiva diocese a paróquia de Santa Maria. Aí desenvolveu um intenso trabalho pastoral, que culminou com a fundação do Movimento “Amigos do Seminário” com a finalidade de ajudar a formar futuros sacerdotes na nossa Ordem através da oração e da ajuda material.

Em 1988 regressou a Portugal. É então nomeado Secretário Provincial e delegado da Província para a informação na Comunicação Social. Em 1991 transitou para a Fraternidade de Barcelos, mas, sentindo o apelo da sua antiga terra de missão, pediu para ir de novo até ao Canadá, a fim de ajudar um outro irmão da Província que já há muito tempo ali se encontrava ao serviço da pastoral dos emigrantes – o Frei Augusto Aspra. E para lá viajou em 17 de Novembro. Posteriormente assumiu a cura pastoral da paróquia de St. Joseph, em Oakville, no Ontário.

Doze anos depois de ter fundado o Movimento “Amigos do Seminário”, em 28 de Março de 1999, viu concretizado o seu sonho e o das pessoas que integravam esse Movimento ao poder, finalmente, concelebrar uma soleníssima Eucaristia na igreja de Santa Maria em Hamilton, presidida pelo primeiro sacerdote capuchinho português, Frei Bernardino Costa, que, com a sua oração e a devoção daquela gente para com os ministros do Senhor, ele próprio tinha ajudado a formar.

Em 18 de Abril de 1999 deixou a paróquia onde tinha trabalhado pastoralmente pelo espaço de oito anos e, em 14 de Julho, voltou definitivamente para Portugal, ficando incardinado na Fraternidade de Barcelos. Em Setembro, encontrando-se de visita aos lugares por onde se tinha iniciado como sacerdote, em Espanha, viu-se acometido de súbita doença que lhe diminuiu a visão, a fala e os movimentos, sendo obrigado a regressar a Portugal. Após vários exames médicos inconclusivos e, devido ao agravamento progressivo do seu estado de saúde, entrou na Enfermaria Provincial em 16 de Novembro de 1999. No dia 30 desse mês foi internado no Hospital de Santo António, no Porto, tendo-lhe sido diagnosticado, finalmente, um carcinoma pulmonar em fase terminal.

Faleceu no dia 8 de Março do ano do Grande Jubileu 2000. Por onde passou, o Frei Daniel de Vilar deixou bem vincado o carisma do seu estilo e jeito de ser franciscano capuchinho, sobretudo na organização e dinamização pastoral e litúrgica das comunidades cristãs com quem sempre partilhou a fé e a vida na simplicidade e generosidade de coração.

O seu funeral realizou-se na igreja do nosso Convento de Santo António de Barcelos, no dia 10 de Março do Ano Santo 2000. Presidiu à soleníssima concelebração eucarística o Senhor Dom António Monteiro, bispo capuchinho da diocese de Viseu. Ficou sepultado no cemitério Municipal de Barcelos no talhão ali reservado pela Província para eterna morada dos nossos irmãos falecidos. Contava 65 anos de idade, 47 de vida religiosa e 40 de sacerdócio.

frei Fernando de Negreiros

www.capuchinhos.org página anterior