5 de Março | Presbítero | 1900-1990 Nasceu em Ódena (Barcelona) em 25 de Setembro de 1900 e vestiu o hábito capuchinho no Convento de Manresa, da Província da Catalunha, em 26 de Setembro de 1915. Aí fez a profissão temporária em 26 de Setembro do ano seguinte, emitiu a profissão perpétua no Convento de Sarriá em 29 de Setembro de 1921 e recebeu a ordenação sacerdotal em Roma a 31 de Março de 1923. Obteve o título de Doutor em Direito Canónico na Universidade Gregoriana de Roma e, de 1926 a 1938, exerceu o cargo de Vice-Secretário Geral para a língua espanhola na nossa Cúria Geral. Com o cargo de Vice-Secretário Geral, exercido durante doze anos, foi-nos enviado como Visitador Geral em Julho de 1938. Visitou cada uma das nossas casas e falou com todos os Religiosos que nelas se encontravam. De volta a Roma, redigiu um relatório sobre a situação dos Capuchinhos em Portugal onde vincava que, para fazer progredir entre nós a nossa Ordem, era não só conveniente mas necessário fundar um Comissariado. O Definitório Geral só em Novembro de 1938 analisou esse relatório e, consideradas demoradamente todas as circunstâncias, das quais a não menos importante era não se prever ainda quando acabaria a Guerra Civil Espanhola, o Padre Geral, Frei Donato de Welle, em 1 de Março de 1939 assinou o Decreto que estabelecia o Comissariado Geral dos Capuchinhos em Portugal. Nesse mesmo dia o Padre Geral assinara também outro Decreto que nomeava o Frei Damião de Ódena primeiro Comissário Geral do novo Comissariado, que constava das Casas já existentes ou que viessem a existir em Portugal. As já existentes eram as do Porto e Barcelos, dependentes da Província de Castela, e as de Beja e Serpa na dependência da Província de Andaluzia. O Frei Damião de Ódena, depois de ter falado em Madrid e em Sevilha com os Provinciais de Castela e Andaluzia, entrou em Portugal pela fronteira de Vila Real de Santo António em 25 de Maio de 1939 e, no dia seguinte, chegou à nossa Casa de Beja. Visitou demoradamente as outras nossas Casas onde então viviam dezanove Capuchinhos — três portugueses e dezasseis espanhóis, ou doze da Província de Castela, quatro da de Andaluzia, dois da de São Paulo e um da de Navarra. Aliás, conhecia praticamente todos estes Religiosos, pois já tinha estado duas vezes em Portugal: em Julho de 1937, quando acompanhou como Secretário o Ministro Geral, Frei Vigílio de Valstagna, e em Julho-Agosto de 1938 quando, por mandato do novo Geral, Frei Donato de Welle, visitou as nossas casas e apresentou depois aos Superiores Gerais um relatório circunstanciado dessa visita. Uma das suas preocupações fundamentais foi procurar instituir no recém-nascido Comissariado as Casas de Formação. A primeira a entrar em funcionamento foi a Casa do Calvário em Fafe. Em 15 de Outubro de 1939 nela se instalaram alguns Religiosos que, no seguinte dia 29, festa de Cristo Rei, inauguraram com quinze alunos o Seminário Seráfico. Esta Casa não teve fundação canónica e era uma simples filial da do Porto. Pouco depois abandonou-se a Casa-Seminário de Serpa, que para nós representava um peso económico insustentável. Dois anos depois, em meados de 1941, adquirida no Porto a Casa e Quinta da Rua Nova do Tronco, ao Amial, sita dentro dos limites da cidade invicta, nela se instalou o Seminário Seráfico, deixando-se a que tivemos em Fafe. O Noviciado foi estabelecido na Casa de Barcelos, por Rescrito da Sagrada Congregação dos Religiosos de 10 de Agosto de 1940, e foi inaugurada no seguinte 4 de Outubro, festa de São Francisco, com quatro noviços. Finalmente, o nosso Colégio de Filosofia começou a funcionar, pela primeira vez, no ano lectivo de 1941 a 1942 com três estudantes, a quem dava aulas na Casa do Porto o próprio Frei Damião de Ódena. Em 19 de Outubro de 1942 esse Colégio instalou-se devidamente na nossa Casa de Barcelos sob a eficiente direcção do Frei Bernardino Banhos (Hilário de El Burgo). Como o número de alunos continuou a progredir de maneira palpável nos anos seguintes, ali se fizeram, de 15 de Maio a 27 de Dezembro de 1944, grandes obras com a construção do segundo andar da referida Casa. Como não nos era possível ter o Colégio de Teologia em Portugal, o Frei Damião conseguiu que a Província de Navarra aceitasse generosamente os nossos estudantes do curso teológico, como se fossem seus. Os nossos primeiros clérigos foram para essa Província em 1 de Setembro de 1945. Resolvido o problema básico do Comissariado, que era a instituição das Casas de Formação, muito trabalhou também o Frei Damião para que tivéssemos uma Casa em Coimbra e os seus esforços foram coroados de êxito. O Rescrito Apostólico que nos permitia fundar essa Casa foi dado pela Sagrada Congregação dos Religiosos em 7 de Julho de 1943 e logo no seguinte dia 10 o Arcebispo-Bispo Conde confiou-nos a igreja de Santa Justa, sita ao fundo da Rua da Sofia. Por serem então muito poucos os Religiosos do Comissariado não se pôde tomar logo posse dessa igreja, o que aconteceria dois anos depois, em 1945, ficando dois irmãos nossos hospedados numa casa vizinha. A 29 de Abril de 1946 começou a construção da nossa actual Casa de Coimbra e em 13 de Novembro desse ano, concluídas as obras, foi oficialmente inaugurada. No seguinte dia 17 de Novembro o Prelado da diocese, em documento oficial, cedeu-nos o usufruto e administração da igreja de Santa Justa com os terrenos anexos e os mais pertences. Embora habitada, a Fraternidade da referida Casa só seria constituída canonicamente em Agosto de 1947 tendo como Guardião o Frei Mateus do Souto. Outra sua grande preocupação foi a dimensão missionária dos Capuchinhos em Portugal. O primeiro passo para que os Religiosos do Comissariado tivessem um território missionário no ex-ultramar português foi dado em 31 de Dezembro de 1942, quando o Cardeal Secretário de Estado do Vaticano pediu à nossa Cúria Geral que os Capuchinhos tomassem conta duma Missão em Moçambique. Cerca de ano e meio depois, em 15 de Julho de 1944, seguiram para Quelimane dois Religiosos nossos - Frei Francisco Leite de Faria e Frei Conrado de Ribeiros – acompanhados por quatro irmãos da Província da Suíça. Até fins de 1948 aquela Missão pertenceu ao nosso Comissariado, embora desde 1946 estivesse destinada aos Capuchinhos da Província de Trento, expulsos da Abissínia durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Por tudo isto podemos dizer que o Frei Damião de Ódena foi o homem providencial que, no momento oportuno, nos foi enviado por Deus para organizar e pôr em marcha a Ordem Capuchinha em Portugal. Não foram fáceis os anos do seu governo. Apesar de já cá se encontrarem Capuchinhos de outras Províncias, praticamente estava tudo por fazer. Os Religiosos de Andaluzia viviam e trabalhavam na diocese de Beja, os de Castela na diocese de Braga, quase sem se conhecerem. Nesta situação, um tanto anómala, não era fácil, a curto prazo, vislumbrar no horizonte a exequibilidade de um projecto viável para a implantação da Ordem no nosso país. Mas o Frei Damião com a sua clarividência, a sua diplomacia e a sua capacidade de criar consensos soube dar corpo a este projecto e conseguiu lançar os fundamentos do que é hoje a Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos. O que fica dito é suficiente para que este nosso irmão se possa considerar, em certo sentido, o Fundador da nossa Ordem em Portugal. Esteve à frente do então Comissariado Geral mais de nove anos, precisamente de 25 de Maio de 1939 a 13 de Dezembro de 1948. Trabalhou sempre com inexcedível dedicação, inesgotável espírito de sacrifício e uma inquebrantável fé na divina Providência. De fino trato, bondoso, optimista, contemplativo, semeador de esperança, o Frei Damião “teve sempre um verdadeiro coração de mãe para com os ‘seus’ Capuchinhos portugueses”. Em 1 de Dezembro de 1948 foi-lhe nomeado o sucessor, mas a notícia só foi oficialmente conhecida no Comissariado no seguinte dia 11 e dois dias depois, a 13 de Dezembro, teve lugar na Casa do Porto a tomada de posse do novo Comissário, Frei José de Castro de El Rio. Quando nos deixou de governar, o Frei Damião de Ódena já estava nomeado, desde o 1º de Dezembro, Comissário Geral dos Capuchinhos do Equador e Colômbia, para onde partiu. Dividido esse Comissariado em 1950 em duas Custódias – a do Equador confiada à Província de Navarra e a da Colômbia entregue à Província de Palermo – o Frei Damião foi nomeado em Setembro desse ano Superior Regular da Missão de Caquetá, que pertencia à Província da Catalunha. Partilhada essa Missão, acabou por ficar no Vicariato Apostólico de Sibundoy, encomendado aos capuchinhos catalães. Regressado à sua Província, os seus confrades elegeram-no Ministro Provincial de 1954 a 1957. Neste último ano foi eleito Custódio Geral dessa Província e Guardião do Convento de Sarriá, em Barcelona, e de 1960 a 1966 prestou também esse mesmo serviço fraterno no Convento de Igualada. A sua morte ocorreu em 5 de Março de 1990, na Enfermaria do Convento de Sarriá, quatro dias depois de se terem encerrado as comemorações solenes dos 50 anos da presença dos Capuchinhos em Portugal. Contava quase 90 anos de idade, 69 de vida religiosa e 67 se sacerdócio. |
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