O Senhor me deu Irmãos

frei Toríbio de Portaje (Basílio Valle Diaz)

2 de Março | Presbítero | 1903-1960

Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu em Portaje, distrito de Cáceres, em 14 de Junho de 1903. Ainda muito jovem, sentiu-se chamado à vida sacerdotal e foi admitido no Seminário diocesano de Cória onde fez o curso preparatório e os dois primeiros anos de Filosofia. Antes de completar os estudos filosóficos decidiu optar pela vida religiosa e em 22 de Dezembro de 1922 iniciou o seu noviciado no Convento de Bilbau. Aí fez a profissão temporária em 24 de Dezembro do ano seguinte, a profissão perpétua em León em 15 de Agosto de 1927 e nessa cidade recebeu a ordenação sacerdotal em 15 de Maio de 1929.

Sete anos depois de ter sido ordenado sacerdote e com 33 anos de idade, a 8 de Dezembro de 1936 entrou em Portugal e no dia seguinte chegou à nossa Fraternidade de Barcelos. Aí continuou alguns meses até que o Superior, Frei António de Carrocera, instado por uma devota senhora de Ponte de Lima, Dona Rita Maria Magalhães, o mandou para essa Vila em 17 de Maio, a fim de aí estabelecer uma residência da nossa Ordem.

Ficou hospedado em casa dessa Senhora até ao seguinte mês de Julho. Nessa altura constituiu-se uma pequena Fraternidade em casa própria, formada por Frei Domingos de Amedo, Frei Hilário de El Burgo (Bernardino Banhos) e com o Frei Toríbio como Guardião. A casa da Comunidade era uma modesta residência instalada nas dependências da Igreja dos Terceiros. Entretanto, a referida senhora, a suas expensas, começou a adaptar o arruinado Convento dos Capuchos para nos servir de residência definitiva.

Dois anos depois, em 5 de Maio de 1938, o Frei Toríbio teve de se submeter a uma intervenção cirúrgica na Casa de Saúde da Boavista, no Porto, onde ficou internado até 28 de Novembro, data em que recolheu ao Convento de Barcelos. Nessa operação à rótula do joelho direito perdeu a articulação do mesmo. Isso iria deixá-lo meio deficiente e agarrado a uma bengala para o resto da vida.

Neste espaço de tempo, o Frei Hilário de El Burgo decidiu regressar a Espanha e ficou sozinho em Ponte de Lima o Frei Domingos de Amedo que, em Março de 1939, acabaria por morrer no Hospital de Viana do Castelo, terminando assim a nossa presença em Ponte de Lima.

Desde Novembro de 1938 até à sua partida deste mundo, o Frei Toríbio viveu sempre na Fraternidade de Barcelos. Aí foi Mestre de Noviços, de 29 de Setembro de 1940 a 14 de Novembro de 1943, e depois dessa data foi sempre Vice-Mestre, excepto de 8 de Setembro de 1947 a 11 de Dezembro de 1948. De 17 de Agosto de 1952 a 13 de Março de 1955 ajuntou a esse cargo o de Vigário da Fraternidade.

Em Barcelos prestou óptimos serviços com a sua serenidade, a sua afabilidade de carácter e, sobretudo, com o seu assíduo ministério do confessionário. Todos os dias, na sacristia conventual, passava horas e mais horas a atender principalmente homens da cidade e das aldeias concelhias que ali se ajuntavam, por vezes mesmo em filas intermináveis, para celebrar o Sacramento da Reconciliação.

Além disso, o seu amor ao escondimento, ao silêncio, à oração e à mortificação foram outras virtudes que exornaram a sua vida de capuchinho, e os seus irmãos religiosos muito admiravam nele.

Faleceu em 2 de Março de 1960, vitimado por um cancro pulmonar. Contava 57 anos de idade, 43 de vida religiosa, 31 de sacerdócio e 24 anos de estadia permanente na nossa Província. Os seus restos mortais repousam no Cemitério Municipal de Barcelos ao lado de outros Religiosos da sua Província de Castela: Frei Fidelis de San Sebastián, Frei Gil de Campo, Frei Inácio de Ajánguiz, Frei Damião de Villahibiera e Frei João Evangelista de Idiazábal.

frei Fernando de Negreiros

www.capuchinhos.org página anterior