O Senhor me deu Irmãos

frei Joaquim de S. Mamede (José Joaquim da Costa Moreira)

13 de Fevereiro | Religioso | 1916-1996

Era natural da freguesia de São Mamede do Coronado, concelho de Santo Tirso, onde nasceu em 25 de Novembro de 1916. Aos 27 anos sentiu-se chamado pelo Senhor à vida franciscana e em 2 de Janeiro de 1943 foi recebido como Postulante na nossa Fraternidade do Porto. Oito meses depois, a 8 de Agosto desse mesmo ano, vestiu o hábito Capuchinho em Barcelos, aí fez a profissão temporária em 13 de Agosto de 1944 e, três anos depois, em 15 de Agosto de 1947, emitiu a profissão perpétua, consagrando-se por toda a vida à Igreja e à Ordem Capuchinha.

Feita a primeira profissão, deixou Barcelos e foi colocado na Fraternidade do Porto, onde sempre viveu e trabalhou até ao fim dos seus dias. Aí desempenhou, com muita dedicação e sentido de responsabilidade, os mais variados ofícios: cozinheiro, enfermeiro dos seminaristas, sacristão, porteiro, delegado da Obra Seráfica das Santas Missas, encarregado da Igreja conventual e dinamizador do Centro de Propaganda Religiosa.

O Frei Joaquim não foi apenas um irmão dado como dom de Deus à nossa Fraternidade. Como queria o Pai São Francisco, ele soube desempenhar também, com desvelo materno, o “ofício” de verdadeira “mãe” dos frades, sempre solícito e atento para que nada lhes faltasse.

Tinha o condão de acolher, com um sorriso, toda a gente que batia à portaria do Convento. Sem nunca fazer acepção de pessoas, a sua preferência centralizava-se sobretudo nos problemas dos mais pobres e desfavorecidos que com ele se abriam e partilhavam as suas dramáticas situações de vida.

Durante muitos anos, foi também o amigo, o conselheiro e o confidente de gerações de jovens e adultos dos mais diversos estratos sociais que, na igreja ou na portaria, o procuravam para receber orientação e o reconforto duma palavra amiga e oportuna. Granjeou, por isso, a amizade e a simpatia de muitas pessoas que, depois, se tornaram amigas e benfeitoras da Ordem. A estima e o bom nome de que são credores os Capuchinhos na zona da cidade do Porto deve-se, em grande parte, à figura simples e cativante deste irmão que, em tudo o que fazia ou empreendia, punha sempre em primeiro lugar o prestígio da Ordem Capuchinha.

Venerava com especial admiração e afecto o primeiro irmão santo e espelho dos primeiros Capuchinhos, São Félix de Cantalício, modelo e padroeiro dos irmãos não clérigos. Ao longo de muitos anos, partiu sempre dele a iniciativa de promover e preparar na igreja do Porto, a celebração solene da festa deste nosso Santo Capuchinho. O pretexto era reunir ali, em clima de oração e convívio fraterno, todos os irmãos não sacerdotes da Província.

Contudo, o seu grande amor era Nossa Senhora, a quem chamava, com ternura filial, “a minha mãe, Maria”. Tributava um carinho muito particular ao privilégio da Sua Conceição Imaculada. A linda e preciosa imagem da Senhora da Conceição, que se venera no altar-mor da nossa igreja do Porto, concluída em 1958, foi por ele encomendada ao grande mestre escultor Ferreira Thedim, “segundo o modelo que ele próprio trazia no coração” (palavras do Bispo de Viseu, Dom António Monteiro, que presidiu à Missa exequial). Em 1986, dez anos antes da sua morte, o Senhor concedeu-lhe a graça de ver concretizado um grande sonho da sua vida: assistir à colocação da imagem de Nossa Senhora da Conceição, esculpida em granito, no plinto exterior da fachada principal da nossa igreja do Porto, também dedicada à Imaculada Conceição.

A sua morte ocorreu em 13 de Fevereiro de 1996 depois de prolongada doença. Contava 80 anos de idade e 52 de vida religiosa. Ficou sepultado, em jazigo privativo dos Capuchinhos, no cemitério de Paranhos.

frei Fernando de Negreiros

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