O Senhor me deu Irmãos

frei Carlos Augusto (Carlos da Cumieira)

7 de Fevereiro | Presbítero | 1930-1996

Nasceu na freguesia da Cumieira, concelho de Ansião, em 28 de Fevereiro de 1930. Entrou no Seminário Seráfico do Porto em 16 de Outubro de 1942, vestiu o hábito capuchinho em 15 de Agosto de 1945, emitiu a profissão temporária em 18 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua em 8 de Novembro de 1951 e recebeu a ordenação sacerdotal em 29 de Março de 1953.

Fez os estudos de Filosofia em Barcelos de 1946 a 1949, e os de Teologia na Província de Navarra e no Seminário do Porto de 1949 a 1953. Neste ano foi destinado a Vila Nova de Poiares como professor do Seminário Seráfico. Aí esteve até 1955, ano em que passou a integrar a Fraternidade de Barcelos.

Em 1956 foi mandado para a Fraternidade do Porto onde durante alguns anos se dedicou com entusiasmo à pregação popular, ao apostolado e catequese de adolescentes e jovens. Com uma breve passagem por Lisboa em 1961, voltou para o Porto e, em 1967, foi nomeado Guardião da Fraternidade.

Em 1969 assumiu o cargo de Guardião da Fraternidade de Coimbra, em que se manteve pelo espaço de seis anos, sendo igualmente Definidor Provincial em dois triénios consecutivos, de 1967 a 1972. Em 1975 teve o seu “ano sabático”, que aproveitou para fazer alguns cursos “monográficos” na Universidade Católica de Lisboa.

Em 1976 foi-lhe confiada a capelania das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora, da Rua de São Dinis, no Porto. Dois anos depois, em 1978, foi nomeado Guardião da Fraternidade do Porto e coadjutor da paróquia do Amial. No triénio de 1981-1984 passou para a Fraternidade de Coimbra como Guardião e capelão da Casa de Saúde da Rua da Sofia. Em fins de 1984, após breve passagem por Fátima, foi transferido para Lisboa como Vice-Secretário Provincial e Vigário paroquial da paróquia do Calhariz, e em 30 de Janeiro de 1985 tomou posse da capelania do Hospital da Cruz Vermelha.

No triénio de 1987-1990 foi designado Guardião da Fraternidade de Lisboa e, ao terminar este serviço fraterno, em 1990 foi enviado para a Fraternidade de Coimbra como Vice-Guardião. Finalmente, em 1995, com a saúde bastante debilitada pela diabetes e falta de visão ocular, foi transferido para a Fraternidade de Fátima, onde, pouco tempo depois, nos seria arrebatado pela “nossa irmã morte corporal”.

A grande paixão da vida do Frei Carlos Augusto foi o ministério da pregação popular, ao qual se consagrou de alma e coração, sempre com renovado ardor e uma generosidade total. Em 1957, juntamente com o também já falecido Frei Alberto de Carcavelos, percorreu todo o Baixo Alentejo, diocese de Beja, a dar “missões populares” — uma forma peculiar de evangelização em que muito se distinguiram os Capuchinhos até aos começos da década de 70.

Dotado de grande sensibilidade nas relações humanas e de fácil poder de comunicação, notabilizou-se também no sector da pastoral da saúde, partilhando os problemas humanos e espirituais dos doentes e suas famílias como capelão da Casa de Saúde “Coimbra” e do Hospital da Cruz Vermelha em Lisboa.

Importa sublinhar também o seu grande amor à Ordem Capuchinha, à qual procurou dar o melhor da sua vida no desempenho de tarefas e cargos de responsabilidade, quer como responsável e servidor de algumas Fraternidades (Porto, Coimbra e Lisboa), quer como Conselheiro Provincial. Ele foi o “servo bom e fiel” do Evangelho.

Faleceu, de forma repentina, na nossa Casa de Fátima em 7 de Fevereiro de 1996. Contava quase 66 anos de idade, 50 de vida religiosa e 43 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério de Paranhos, no Porto, em jazigo privativo da Província.

frei Fernando de Negreiros

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