Nasceu na freguesia de Carcavelos, concelho de
Cascais, em 12 de Outubro de 1923. Começou por frequentar o
Seminário dos Franciscanos Menores de Montariol, nas cercanias de
Braga, mas aos 20 anos decidiu dar outro rumo à sua vocação e
pediu para ingressar nos Capuchinhos. Iniciou o noviciado em 8 de
Agosto de 1943 na Fraternidade de Barcelos e aí emitiu a profissão
temporária no ano seguinte. Fez a profissão perpétua em 15 de
Agosto de 1947 e recebeu a ordenação sacerdotal em 9 de Julho de
1950.
Concluiu em Barcelos o curso de Filosofia, que
decorreu de 1944 a 1947. Neste ano partiu para a Província dos
Capuchinhos de Navarra onde estudou os três primeiros anos de
Teologia nos Colégios de Estella e Pamplona, que acabou por
concluir na nossa Casa do Porto em 1951. Ficou integrado nesta
Fraternidade, onde estava sediado o Seminário Seráfico e ali deu
aulas como professor de matemática até 1952. Nessa altura o
Seminário foi transferido para Vila Nova de Poiares e o Frei
Alberto de Carcavelos recebeu então a nomeação de pároco dessa
Vila e das freguesias anexas de São Miguel e Santa Maria. Foi o
primeiro Capuchinho a exercer o ministério paroquial, que deixou
em 1957 para regressar à Casa do Porto com o cargo de Vigário da
Fraternidade. A partir dessa data, começou a dedicar-se à sua
actividade ministerial preferida — o apostolado da pregação.
Muito popular pela sua alegria, simplicidade e
arte de bem dizer e representar, consagrou grande parte da sua
acção sacerdotal a pregar “missões populares”, um pouco por todo o
país, com particular incidência no Alentejo. A extinta revista
«PAZ E BEM» publicou as suas bem-humoradas “Peripécias dum
pregador”, que eram lidas sempre com muito agrado.
A partir de 1961 foi destinado ao apostolado
castrense como capelão Militar, com três comissões de serviço na
ex-África portuguesa, duas em Angola e uma em Moçambique. Recebeu
numerosos louvores de dedicação e mérito militar, granjeando a
estima e o carinho de soldados e oficiais. No terreno de operações
e de combate oferecia-se para ir sempre nos carros da frente, onde
o eventual perigo poderia ser maior para ele e para os “seus”
homens. Mas não menos importante era a sua acção apostólica na
“retaguarda” onde procurava acompanhar também as famílias dos
militares e com elas partilhar os seus problemas nas horas de
tristeza e de alegria.
Regressado ao Continente, em 1968 foi promovido ao
posto de Major e a Chefia dos Serviços Religiosos do Exército
nomeou-o Capelão-Chefe, primeiro do Hospital Militar do Porto e,
depois, do de Lisboa. Durante 17 anos consecutivos serviu
devotadamente a instituição militar em acções de formação, de
evangelização e no importante sector da pastoral da saúde.
Deixou-nos um belíssimo testemunho de minoridade,
de atenção permanente aos mais carenciados, de inesgotável
generosidade apostólica e de amor à Ordem Capuchinha. E foi
sobretudo para todos os que privaram com ele o irmão da “perfeita
alegria”.
Faleceu no dia 14 de Janeiro de 1978 no Hospital
Militar da Estrela, vitimado por uma neoplasia gástrica. O seu
corpo esteve em câmara ardente na nossa igreja do Calhariz de
Benfica, em Lisboa. Muitas pessoas de todos os estratos sociais,
autoridades militares e religiosas ajoelharam diante do seu
féretro para prestar a última homenagem a este irmão que tanto
admiravam. Também lá esteve em oração o senhor Cardeal Patriarca,
Dom António Ribeiro, acompanhado do seu Vigário castrense.
Ficou sepultado no Cemitério do Alto de São João,
depois de ali lhe terem sido prestadas as honras militares da
praxe. Contava 54 anos de idade, 34 de vida religiosa e 27 de
sacerdócio.
Dez anos após a sua
morte, em 18 de Fevereiro de 1988, fez-se a exumação dos seus
restos mortais, que no seguinte dia 22 foram transladados para o
Cemitério de Paranhos, no Porto, e ali depositados em jazigo
privativo da Província.