Natural da freguesia da Torre de Vale-de-Todos,
concelho de Ansião, nasceu em 19 de Julho de 1928. Entrou para o
Seminário no dia 9 de Outubro de 1942 e vestiu o hábito capuchinho
em Barcelos em 8 de Agosto de 1943. Aí emitiu a profissão
temporária em 13 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua
em 2 de Agosto de 1949 e recebeu a ordenação sacerdotal em 15 de
Abril de 1951. Fez os estudos de Filosofia em Barcelos, de 1944 a
1947, os três primeiros anos de Teologia no Convento dos
Capuchinhos espanhóis de Estella e Pamplona, e o último ano no
nosso Convento do Porto, de 1947 a 1951.
Empenhou grande parte da sua vida sacerdotal no
processo educativo e formativo dos candidatos à nossa Ordem. Neste
aspecto, revelou excelentes qualidades de pedagogo postas ao
serviço da orientação e formação cristã e franciscana de algumas
gerações de jovens seminaristas.
A partir de 1951 foi Director do Seminário
Seráfico do Porto, em Vila Nova de Poiares e Gondomar, cargo em
que se conservou ininterruptamente até 1959, tendo desempenhado
também o múnus de Guardião em quase todos esses anos.
De 1958 a 1963 foi designado Guardião da
Fraternidade de Gondomar. Mas neste último ano transitou para a do
Porto com o cargo de Director dos estudantes de Teologia, que em
Setembro do seguinte ano lectivo seriam enviados a estudar nas
Províncias de Toulouse (França) e Valência (Espanha). De 1966 a
1969 foi novamente destinado para Guardião de Gondomar e de 1969 a
1972 para Guardião da Fraternidade de Barcelos onde já tinha
estado como Mestre de Noviços a partir de 1964.
Foi membro eleito do Definitório Provincial
durante três triénios consecutivos: 1960-1963; 1963-1966;
1966-1969. No triénio de 1972 a 1975 esteve à frente das obras de
construção do novo Seminário e igreja de Gondomar, tendo tido
acção decisiva na aprovação oficial do Plano de Urbanização dos
Terrenos da “Quinta da Bouça Cova”.
Durante algum tempo, a título pessoal,
encarregou-se de cuidar pastoralmente das paróquias de Torre de
Vale-de-Todos e da Lagarteira, na diocese de Coimbra.
Em Outubro de 1974 partiu para o Brasil ao abrigo
do “ano sabático”, hospedando-se no Convento dos Capuchinhos de
São Paulo. Ao regressar à Província em Setembro de 1975, ficou de
novo agregado à Fraternidade de Gondomar. No triénio de 1978-1981
fez parte da Fraternidade do Porto, mas em meados de 1981 deixou
esta Fraternidade e voltou para a de Gondomar. Aí começou a
trabalhar como “coadjutor”, sem título oficial, do pároco de São
Cosme, tarefa que continuou a exercer no triénio de 1984-1987. Em
1987 deixou de prestar este ministério pastoral, mas ficou a
residir nesta Fraternidade.
Aliás, o nome do Frei Boaventura da Torre ficará
para sempre ligado à história dos Capuchinhos de Gondomar e ao
amor que devotava às suas gentes. A partir de 1958, com a
instalação do Seminário Seráfico na chamada “Quinta da Bouça
Cova”, aí viveu intensamente os melhores anos da sua vida,
repartidos pelo sector da formação, do serviço aos irmãos e da
acção apostólica. Como fruto do seu zelo pastoral, do amor à sua
vocação e à Ordem Capuchinha, fundou em Gondomar um grupo de
reflexão franciscana chamado “Amigos de São Francisco” que
acabaria por dar lugar à Fraternidade da Ordem Franciscana
Secular.
Numa época de aguda crise económica, soube
rodear-se sempre de grandes amigos e de pessoas gradas dessa terra
para o ajudarem na execução de variados empreendimentos então
realizados: o restauro da Capela primitiva de “Nossa Senhora Mãe
dos Homens”, a construção do Externato Paulo VI, o loteamento e
venda de terrenos desanexados da área rústica da referida “Quinta
da Bouça Cova”, a construção da Cripta e, anos depois, da actual
Igreja e Seminário Seráfico.
Cedo se viu atingido e diminuído pela falta de
saúde. Mas, apesar de fisicamente depauperado por uma implacável
doença, que o fazia entrar frequentemente em coma diabético, nem
assim o Frei Boaventura deixou de dar o melhor de si mesmo à
Província. Era, por natureza, determinado, optimista e um homem de
esperança, embora marcado por muito sofrimento nos últimos anos de
vida. Mas ele próprio considerava-se um “miraculado” do Padre Pio
de Pietrelcina e sentia-se realizado e feliz.
Faleceu repentinamente na sua terra natal,
vitimado por um ataque cardíaco, no dia 1 de Janeiro de 1993,
Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, quando celebrava Missa
exequial por alma de um familiar.
Contava 64 anos de idade,
49 de vida religiosa e 42 de sacerdócio. Ficou sepultado no
cemitério de São Cosme de Gondomar em jazigo privativo dos
Capuchinhos.