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O Senhor me deu Irmãos

frei Boaventura da Torre (Alfredo de Sá)

1 de Janeiro | Presbítero | 1928-1993

Natural da freguesia da Torre de Vale-de-Todos, concelho de Ansião, nasceu em 19 de Julho de 1928. Entrou para o Seminário no dia 9 de Outubro de 1942 e vestiu o hábito capuchinho em Barcelos em 8 de Agosto de 1943. Aí emitiu a profissão temporária em 13 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua em 2 de Agosto de 1949 e recebeu a ordenação sacerdotal em 15 de Abril de 1951. Fez os estudos de Filosofia em Barcelos, de 1944 a 1947, os três primeiros anos de Teologia no Convento dos Capuchinhos espanhóis de Estella e Pamplona, e o último ano no nosso Convento do Porto, de 1947 a 1951.

Empenhou grande parte da sua vida sacerdotal no processo educativo e formativo dos candidatos à nossa Ordem. Neste aspecto, revelou excelentes qualidades de pedagogo postas ao serviço da orientação e formação cristã e franciscana de algumas gerações de jovens seminaristas.

A partir de 1951 foi Director do Seminário Seráfico do Porto, em Vila Nova de Poiares e Gondomar, cargo em que se conservou ininterruptamente até 1959, tendo desempenhado também o múnus de Guardião em quase todos esses anos.

De 1958 a 1963 foi designado Guardião da Fraternidade de Gondomar. Mas neste último ano transitou para a do Porto com o cargo de Director dos estudantes de Teologia, que em Setembro do seguinte ano lectivo seriam enviados a estudar nas Províncias de Toulouse (França) e Valência (Espanha). De 1966 a 1969 foi novamente destinado para Guardião de Gondomar e de 1969 a 1972 para Guardião da Fraternidade de Barcelos onde já tinha estado como Mestre de Noviços a partir de 1964.

Foi membro eleito do Definitório Provincial durante três triénios consecutivos: 1960-1963; 1963-1966; 1966-1969. No triénio de 1972 a 1975 esteve à frente das obras de construção do novo Seminário e igreja de Gondomar, tendo tido acção decisiva na aprovação oficial do Plano de Urbanização dos Terrenos da “Quinta da Bouça Cova”.

Durante algum tempo, a título pessoal, encarregou-se de cuidar pastoralmente das paróquias de Torre de Vale-de-Todos e da Lagarteira, na diocese de Coimbra.

Em Outubro de 1974 partiu para o Brasil ao abrigo do “ano sabático”, hospedando-se no Convento dos Capuchinhos de São Paulo. Ao regressar à Província em Setembro de 1975, ficou de novo agregado à Fraternidade de Gondomar. No triénio de 1978-1981 fez parte da Fraternidade do Porto, mas em meados de 1981 deixou esta Fraternidade e voltou para a de Gondomar. Aí começou a trabalhar como “coadjutor”, sem título oficial, do pároco de São Cosme, tarefa que continuou a exercer no triénio de 1984-1987. Em 1987 deixou de prestar este ministério pastoral, mas ficou a residir nesta Fraternidade.

Aliás, o nome do Frei Boaventura da Torre ficará para sempre ligado à história dos Capuchinhos de Gondomar e ao amor que devotava às suas gentes. A partir de 1958, com a instalação do Seminário Seráfico na chamada “Quinta da Bouça Cova”, aí viveu intensamente os melhores anos da sua vida, repartidos pelo sector da formação, do serviço aos irmãos e da acção apostólica. Como fruto do seu zelo pastoral, do amor à sua vocação e à Ordem Capuchinha, fundou em Gondomar um grupo de reflexão franciscana chamado “Amigos de São Francisco” que acabaria por dar lugar à Fraternidade da Ordem Franciscana Secular.

Numa época de aguda crise económica, soube rodear-se sempre de grandes amigos e de pessoas gradas dessa terra para o ajudarem na execução de variados empreendimentos então realizados: o restauro da Capela primitiva de “Nossa Senhora Mãe dos Homens”, a construção do Externato Paulo VI, o loteamento e venda de terrenos desanexados da área rústica da referida “Quinta da Bouça Cova”, a construção da Cripta e, anos depois, da actual Igreja e Seminário Seráfico.

Cedo se viu atingido e diminuído pela falta de saúde. Mas, apesar de fisicamente depauperado por uma implacável doença, que o fazia entrar frequentemente em coma diabético, nem assim o Frei Boaventura deixou de dar o melhor de si mesmo à Província. Era, por natureza, determinado, optimista e um homem de esperança, embora marcado por muito sofrimento nos últimos anos de vida. Mas ele próprio considerava-se um “miraculado” do Padre Pio de Pietrelcina e sentia-se realizado e feliz.

Faleceu repentinamente na sua terra natal, vitimado por um ataque cardíaco, no dia 1 de Janeiro de 1993, Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, quando celebrava Missa exequial por alma de um familiar.

Contava 64 anos de idade, 49 de vida religiosa e 42 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério de São Cosme de Gondomar em jazigo privativo dos Capuchinhos.

 

 
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