077/2007
Caríssimo Irmão Guardião,
com todos os Irmãos da Fraternidade!
«Aleluia! Paz e Bem!»
Esta era a saudação – sempre pascal e franciscana – que o querido frei
Anselm
o
de Moena usava em todo a parte, como cidadão do mundo, como apaixonado
de Cristo Ressuscitado e como enamorado de Francisco e Clara de Assis.
Completam-se amanhã – dia 6 de Outubro – 100 anos do nascimento de
Domenico Mario Donei, que, como franciscano capuchinho, viria a receber
o nome de frei Anselmo de Moena. Todos evocamos o entusiasmo com que, na
festa do seu aniversário natalício, além de apagar as respectivas velas,
procedia a um original, rico e inusitado ritual: acender mais uma vela.
Era o sinal de louvor e acção de graças ao Deus da Vida e manifestação
de esperança em mais um ano a caminho da sua «promoção» à Cidade eterna,
onde «a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro» (Ap
21,23).
A Santíssima Trindade dignou-se «promover» o frei Anselmo à Vida eterna
a 23 de Dezembro de 1995, no convento de Tonadico, em Fiera de Primiero,
Província de Trento. Transcrevo na íntegra o último manuscrito que dele
conservamos na Cúria Provincial:
«Paz e Bem.
Acílio!
Estimado e amado irmão em Cristo Senhor e em Francisco, de Cristo
Senhor, servidor fiel.
O Senhor esteja sempre connosco e ele faça que nós estejamos sempre com
Ele para desde já usufruirmos da Sua Paz.
Obrigado! Celebrar o ANIVERSÁRIO é amor para com Deus – O Pai – que nos
criou; para com Nossos Pais – que nos aceitaram e educaram; para com
todas as pessoas com quem convivemos que nos aturaram e aturam. E «Dêmos
Graças ao Senhor, porque Ele é Bom e eterna é Sua Misericórdia».
Após uma caminhada de 88 anos, não há-de se admirar se achaques
incomodam, é questão de lhes fazer boa cara! Praticamente são apenas as
pernas, que não se encontram sempre com muito boa disposição de serviço.
Novamente obrigado e saudosas lembranças e fraternais saudações aos
co-irmãos,
com estima e afecto
irmão e servo em Cristo.
Tonadico, 23/10/95
fr. Anselmo
– cappuccino –»
Precisamente dois meses depois, a Irmã Morte veio bu
scar
o saudoso frei Anselmo para a Fraternidade da Bem-aventurança eterna.
Ao fazer memória do primeiro centenário do seu nascimento, quero apenas
provocar no coração de cada um dos nossos Irmãos e no coração de cada
Fraternidade o entoar hinos de louvor, de glória, de honra e de bênção
ao Altíssimo, omnipotente e bom Senhor pelos 88 anos de vida do frei
Anselmo, mas sobretudo pelos 21 anos que ele viveu entre nós. Em 1960, o
Ministro Geral enviou-o para Portugal como Mestre de Noviços. Mais tarde
foi Pároco de Beja. Incansável e decisiva foi a sua acção como
Comissário Nacional e Assistente da Ordem Franciscana Secular, tendo
sido um dos grandes agentes da sua renovação. Nos últimos anos, vividos
na Fraternidade do Porto, dedicou-se sobretudo aos doentes e ao
ministério da Reconciliação. Frei Anselmo a todos nos marcou com a sua
paixão pela dimensão franciscana da vida.
Em 1981 a nossa Província muito sofreu com a partida do frei Anselmo
para a sua Província de Trento. Frei António Monteiro, então Ministro
Provincial, tudo fez para que tal não acontecesse. No mesmo sentido,
houve abaixo-assinados por parte de muitos leigos. Vale a pena partilhar
com os Irmãos alguns excertos de uma carta de frei António Monteiro,
escrita a 19 de Agosto de 1981 e dirigida ao “Padre Provincial” de
Trento:
«Em todos estes cargos e em todas as Fraternidades onde esteve ou por
onde passou deixou, dentro e fora do convento, o belíssimo testemunho de
um irmão profundamente franciscano, com uma fé irradiante e uma
simplicidade que a todos impressionou. Por tudo isto, ao longo destes
quase 21 anos, foi um verdadeiro dom de Deus à nossa Província. Por isso
mesmo é que, muito singelamente, quero transmitir deste modo o nosso
grande reconhecimento à Província de Trento por todos os anos em que
permitiu que este seu filho ficasse no meio de nós. É claro que
gostaríamos que ele aqui tivesse continuado. Pedimo-lo encarecidamente.
Não foi possível atender-nos. Sentiram-no muito os irmãos da Província e
sentiram-no também os leigos que tanto beneficiavam do seu zelo
apostólico e do seu testemunho tão profundamente evangélico.
Compreendemos entretanto que não tínhamos o direito de insistir.
Resta-nos apenas agradecer. É o que fazemos, pedindo ao Senhor que vos
dê muitos irmãos como o nosso caríssimo Frei Anselmo.»
Por seu lado, o frei Manuel Arantes, então Ministro Provincial, ao
comunicar o «trânsito» do frei Anselmo deste mundo para o Pai, assim se
exprimia em carta de 29 de Dezembro de 1995: «A Província Portuguesa
deve muito a este irmão, não só pelo muito que fez, mas sobretudo pelo
exemplo de simplicidade, alegria e amor à oração e à vida fraterna que
nos deixou».
«Aleluia! Paz e Bem!» Dêmos glória ao Pai, que o criou; ao Filho,
que o remiu e o escolheu para franciscano capuchinho e o revestiu do
ministério sacerdotal; e ao Espírito Santo, que o embelezou e encheu com
os seus dons de Sabedoria, de Alegria, de Fé, de Simplicidade!
«Aleluia! Paz e Bem!» Francisco e Clara de Assis encontraram em
frei Anselmo um testemunho vivente e carismático da sua vocação e missão
na Igreja e no mundo!
«Aleluia! Paz e Bem!» Temos no Céu um Irmão, um Auxílio, um
Exemplo de Vida!
«Aleluia! Paz e Bem!» Que o Senhor nos conceda o seu Espírito, a
fim de nos parecermos um pouco com o nosso muito querido e saudoso frei
Anselmo de Moena!
O abraço fraterno e amigo,
«Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!»
Lisboa, 05 de Outubro de 2007
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frei Acílio Dias Mendes – ofmcap.
Ministro Provincial