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S. Francisco,
podes
ser
tu!
JOVEM:
Se o ideal de vida radical do Beato Aurélio Vinalesa e
companheiros
te fascina, estás convidado a experimentá-lo mais de perto
numa das nossas
Fraternidades.
Se
quiseres, envia-nos os teus dados por
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Estamos à tua espera!... |
BEATO AURÉLIO DE
VINALESA
Nasceu
no dia 3 de Fevereiro de 1896 em Vinalesa (Valência); era o
terceiro dos sete filhos que teve o casal Vicente Ample e
Manuela Alcaide. Foi baptizado no dia seguinte (4 de Fevereiro)
na paróquia de Santo Honorato Bispo e foi crismado no dia 21 de
Abril de 1899.
Fez
os primeiros estudos no Seminário Seráfico de
Massamagrel (Valência). Vestiu o hábito capuchinho no convento
de Santa Maria Madalena no dia 7 de Agosto de 1912. Emitiu a
profissão temporária no dia 10 de Agosto de 1913 e a perpétua,
no convento do Santo Nome de Jesus de Orihuela, no dia 18 de
Dezembro de 1917. A seguir, foi enviado a Roma para aperfeiçoar
os estudos, sendo ordenado sacerdote
na Cidade Eterna pelo arcebispo de Filipos, Dom José Palica, no
dia 26 de Março de 1921.
Retornando
à Espanha, foi nomeado Director do Instituto de Filosofia e
Teologia dos Frades Capuchinhos, em Orihuela (Alicante), cargo
que exerceu até à sua morte, com prudência e satisfação
geral de todos.
"Gozava
entre os fiéis -
disse sobre ele o sacerdote Operário Diocesano Pascoal Ortells
- da fama de
santo e
a esta fama
unia também a de sábio. Era fiel observante de toda a Regra de
São Francisco, trabalhando com todo o empenho para que seus
alunos capuchinhos fossem perfeitos religiosos".
Durante
a revolução de 1936, todos os capuchinhos do convento de
Orihuela se dispersaram no dia 18 de Julho. Fr. Aurélio buscou
refúgio na casa paterna, em Vinalesa, onde, no dia 28 de Agosto
foi capturado pelos milicianos e conduzido ao lugar da morte.
Antes de ser assassinado exortou todos os seus companheiros para
morrerem bem, dando-lhes a absolvição sacramental e
acrescentou:
"Gritem
forte: Viva Cristo Rei!"
Foi
assassinado no dia 28 de Agosto de 1936. O seu corpo foi
sepultado no cemitério de Foyos (Valência), próximo de onde
fora morto. Terminada a guerra civil, foram exumados os seus
restos e transladados para o cemitério de Vinalesa, no dia 17
de Setembro de 1937. Hoje, descansam na capela dos mártires
capuchinhos do convento da Madalena de Massamagrel.
Fr
Aurélio conservou a disponibilidade interior, desde o momento
em que foi capturado até à sua morte, mantendo-se em todo o
momento fiel a Cristo. "Conservou
a serenidade até ao último momento - disse sobre ele
Rafael Rodrigo, testemunho do seu martírio
-
animando-nos a todos os que íamos morrer. Quando tudo já
estava preparado para a execução,
exortou-nos para que pronunciássemos a fórmula do acto
de contrição. Assim o fizemos e quando o Servo de Deus estava
recitando a fórmula da absolvição, um miliciano
deu-lhe duas bofetadas. Alguém do grupo dos milicianos
disse ao companheiro para não esbofetear mais o frade pois pelo
tempo de vida que nos restava não valia a pena. O Servo de Deus
permaneceu inalterável ante esta injúria, continuando até
terminar a absolvição. Quando o Servo de Deus terminou de
cumprir seu sagrado dever, ouviu-se um disparo e caímos todos
repetindo com ele o grito "Viva Cristo Rei!"
BEATO
AMBRÓSIO DE BENAGUACIL
Nasceu
no dia 3 de Maio de 1870 em Benaguacil (Valência) e foi
baptizado no dia seguinte (4 de Maio), na paróquia de Nossa
Senhora da Assunção de Benaguacil e foi crismado na paróquia
de Liria (Valência). Era filho de Valentim Vaus e Mariana
Matamales. Ingressou na Ordem Capuchinha em 1890, vestindo o hábito
a 28 de Maio. Emitiu a profissão temporária a 28 de Maio de
1891 e a perpétua a 30 de Maio de
1894.
Foi ordenado sacerdote a 22 de Setembro de 1894, no convento
capuchinho de Sanlúcar de Barrameda (Cádiz), celebrando ali a
sua primeira missa.
"Era um religioso muito modesto -disse sobre ele a Irmã Maria
Amparo Orteus - com o
olhar sempre recolhido. Era muito humilde. Tudo lhe parecia
demasiado e notava-se nele um grande espírito de oração. Era
muito devoto da Santíssima Virgem". "Entre
os seus confrades
era considerado bom religioso, fiel, observante da Regra
franciscana e muito devoto do nosso Pai São Francisco.
Trabalhou apostolicamente na pregação, no ministério da
confissão e da direcção espiritual. "Preferentemente trabalhou como confessor e como director da Ordem
Terceira de São Francisco . " O seu campo de apostolado
foi principalmente a pregação". Foi considerado
como um dos melhores pregadores da Província capuchinha de
Valência.
A sua límpida devoção à Virgem ficou plasmada num pequeno opúsculo
dedicado à Virgem de Montiel, entitulado
História,
Novenas, Favores y Montielerias de Nuestra Señora de Montiel,
venerada en su ermita de Benaguacil, que em 1934 alcançava a
terceira edição.
Residia
no convento de Massamagrel (Valência) quando se desencadeou a
perseguição religiosa de 1936 na Espanha. Refugiou-se na casa
da senhora Maria Orts Loris, em Vinalesa. No seu esconderijo,
desejava morrer por Cristo dentro da Igreja Católica. "Não
teve reacção contrária ao martírio - manifesta a
senhora Maria Orts - ao
contrário, tinha grande desejo de morrer por Cristo. Diante do
perigo que corria, a sua reacção era de grande serenidade e de
valente ânimo. 'Eles matar-me-ão',
dizia, 'mas a
vocês nada acontecerá', e assim, efectivamente sucedeu".
For
preso em Vinalesa, na noite de 24 de Agosto de 1936. Levado num
automóvel até Valência, foi assassinado naquela mesma noite.
Neste momento - narra a senhora Maria - "despedindo-se,
o Servo de Deus pediu-nos que rezássemos por ele para que não
retrocedesse em seu caminho. Os milicianos estavam armados com
fuzis e metralhadoras. Fr. Ambrósio, da nossa casa, foi levado
ao Comité de Vinalesa para o interrogatório. Uma hora depois,
levaram-no ao lugar do martírio. Consta-me que no
caminho o insultaram e o maltrataram, imputando-lhe o delito de
haver pregado em Benaguacil um sermão contra o comunismo. O
Servo de Deus respondeu-lhes:
"Eu somente tenho pregado a doutrina de Deus e o Evangelho".
BEATO
PEDRO DE BENISA
Nasceu
em Benisa (Alicante) a 11 de Dezembro de 1876, sendo o último
dos quatro filhos do casal Francisco Mas e Vicenta Ginestar. Foi
baptizado no dia seguinte (a 12 de Dezembro) na paróquia
"Puríssima xiqueta" de Benisa. Ingressou na Ordem
Capuchinha, vestindo o hábito no dia l de Agosto de 1893, no
convento de Santa Maria Madalena de Massamagrel. Emitiu a
profissão temporária a 3 de Agosto de 1894 e a perpétua a 8
de Agosto de 1897, no convento de Orihuela (Alicante).
Concluídos
os estudos eclesiásticos, foi ordenado sacerdote em Olleráa
(Valência) a 22 de Dezembro de 1900, desenvolvendo desde então
o seu ministério apostólico em diversas casas da província,
dedicando-se principalmente ao apostolado da juventude e da
catequese.
Distinguiu-se
sempre pela sua fidelidade à Regra franciscana. “Era fiel observante da regra franciscana – disse sobre ele
o senhor Francisco Barres, habitante de
Masamagrell – e
das Constituições capuchinhas, a ponto de deixar os jovens
alguns momentos antes de
tocar a campainha para qualquer acto comunitário para
poder chegar a tempo”. Todos sabiam que era “Homem
de carácter, porém, sabia dominar-se e mostrava-se
muito bondoso”. "Foi
um bom religioso - afirma dona Josefa Moreno - e,
devido à sua bondade, em mais de uma ocasião, interveio junto
dos seus, para resolver situações difíceis na família,
conciliando os ânimos e procedendo sempre com requintada prudência".
"Enquanto esteve
escondido - afirmou a jovem Mercedes Loris - demonstrou
sempre grande serenidade. Rezava muitíssimo e o Santo Rosário
recitávamo-lo todos em família, a seu convite".
Também
ele se viu obrigado a abandonar o convento depois do dia 18 de
Julho de 1936, refugiando-se primeiro na casa de uns amigos, e
depois, na casa de uma irmã, em Vergel (Alicante).
"Durante
este tempo - recorda o senhor Barres Ferrer - era
visto sereno, sem se queixar de que Deus permitia tais coisas.
Mostrou paciência e rezava o Ofício Divino".
"Dava-se perfeitamente conta - manifesta a senhora
Maria Jansarás -
do
grande perigo que corriam ele e todos, e
dizia isso muitas vezes ao meu pai. Exortava-nos para que
rezássemos muito e que estivéssemos sempre preparados,
entregando-nos nas mãos de Deus. Enquanto estava escondido, em
todos os momentos que o visitávamos, mostrava-se resignado e
repetia-nos muitas vezes: 'que não chorássemos, pois se
Deus o permitia era porque nos convinha'. Rezava
constantemente".
Foi
detido pelos milicianos a 26 de Agosto de 1936 e,
posteriormente, assassinado na assim chamada Alberca de
Denia,
sendo sepultado no cemitério de Denia. No dia 31 de Julho de
1939 foram exumados os seus restos mortais. O seu crânio estava
totalmente destroçado. Havia recebido mais de quatorze tiros.
Os seus restos mortais descansam na capela dos mártires
capuchinhos do convento Madalena, em Massamagrel.
Os
sentimentos de fr. Pedro perante a morte ficaram condensados em
algumas frases suas, que repetia para a sua irmã: "Se
vêm buscar-me, já estou pronto".
BEATO
JOAQUIM DE ALBOCÁCER
Nasceu
em Albocácer, diocese de Tortosa e província de
Castellón de
la Plana, a 29 deAbril de 1879, sendo baptizado no mesmo dia.
Era o único filho do casal José Ferrer e Antonia Adell.
Realizados
os primeiros estudos no Seminário Seráfico Capuchinho, vestiu
o hábito em Massamagrel a 1 de Janeiro de 1896, professando a 3
de Janeiro do ano seguinte. Emitiu a profissão perpétua a 6 de
Janeiro de 1900 no convento de Santa Maria Madalena. Fez a
Filosofia em Totana (Múrcia) e a Teologia em Orihuela
(Alicante). Recebeu a ordenação sacerdotal a 19 de Dezembro de
1903 das mãos do bispo de Segorbe.
Em 1913 partiu como missionário para a Colômbia e em 1925 foi
nomeado Superior regular da Custódia de Bogotá. Terminado o
seu mandato, retomou à Espanha e foi nomeado Director do Seminário
Seráfico de Masamagrel. Como Director, procurou infundir nos
seminaristas o amor à vida religiosa e o espirito missionário.
"Fr. Joaquim -
disse o senhor José Piquer - dedicava-se no convento de Masamagrel ao ensino dos seminaristas como
Director do referido Seminário. Era incansável no trabalho do
ensino aos alunos, tratando-os como um bom pai",
declara sobre ele o senhor António Sales. Era lembrado como um
místico: "Era uma pessoa mística, suave no trato para com todos", disse
sobre ele o senhor António Sales. Era verdadeiramente
consagrado à salvação de todos. Foi uma alma eucarística: a
revista Vida eucarística fundada por ele, a adoração perpétua
diurna, as Horas Santas, as Quintas-feiras Eucarísticas foram
obras às quais se entregou com total generosidade.
Desencadeada
a perseguição religiosa, primeiro, colocou a salvo os seus
seminaristas e depois rumou para Rafel-buñol (Valência) e
refugiou-se na casa Piquer, preocupando-se, dali mesmo,
com seus estudantes e ocupando o tempo na oração, com plena
confiança na Divina Providência. Ali foi capturado pelos
milicianos a 30 de Agosto e conduzido a Albocácer, com os seus
familiares. Depois, foi transladado pelo Presidente do Comité
de Rafel-buñol às 10 horas da manhã e às quatro da tarde do
mesmo
dia, conduzido no mesmo automóvel, ao km 4 da estrada de Puebla
Tornesa a Villafamés, onde foi assassinado e sepultado no cemitério
de Villafamés. Os seus
restos mortais não puderam ser identificados.
Fr.
Joaquim, nas suas poucas horas de cárcere, tratou de animar e
ajudar os seus companheiros. Alguns testemunhos dizem: "Quando
foi preso, a sua atitude foi de máxima humildade e
entrega" e, ao despedir-se de seus familiares
disse-lhes:
"Se não nos
virmos na terra, até breve na glória”.
BEATO
MODESTO DE ALBOCÁCER
Nasceu
em Albocácer, diocese de Tortosa e província de Castellón de
la Plana, a 18 de Janeiro de
1880,
sendo baptizado no dia seguinte (19 de Janeiro), na paróquia de
Nossa Senhora da Assunção, em Albocácer. Era o terceiro dos
sete filhos do casal Francisco Garcia e Joaquina Martíde,
formando assim uma família muito cristã.
Ainda
criança, ingressou no Seminário Seráfico dos Capuchinhos da
Província de Valência, em Massamagrel, vestindo o hábito
capuchinho, no mesmo convento, a 1 de Janeiro de 1896. Emitiu a
profissão
temporária a 3 de Janeiro de 1897 e a perpétua, a 6 de Janeiro
de 1900, em Massamagrel. Estudou a Filosofia em Orihuela e a
Teologia em Massamagrel, sendo ordenado sacerdote a 19 de
Dezembro de 1903.
Exerceu
a maior parte do seu ministério apostólico como missionário
na Colômbia, Custódia de Bogotá. Regressando a Valência, foi
nomeado guardião durante vários anos.
Os
que o conheceram falam dele como um sacerdote apostolicamente
comprometido na pregação, nos exercícios espirituais, na
direcção espiritual, que foram entre outras, as suas tarefas
preferidas. Assim manifestam aqueles que viveram com ele: "
O seu campo de apostolado preferido - disse a jovem Pilar
Beltrán - foi a pregação, os exercícios espirituais e a direcção das almas.
Nunca ouvi críticas de sua actuação". Gozava de
fama de santidade tanto no convento como entre os fiéis. "Era
de temperamento pacifico. A sua qualidade mais destacada -
manifesta o senhor Daniel García -
era
a amabilidade. Gozava de boa fama entre os seus confrades e os
fiéis. Era fiel observante da Regra e Constituições
franciscanas.
Quando
surgiu a Revolução Nacional, era guardião de Olllería
(Valência),
onde "a
fraternidade foi violentamente dissolvida, o convento e a igreja
incendiados pelas chamas, o pinheiral do mesmo convento cortado,
os seus muros destruídos, ficando tudo reduzido a nada".
(Art. 84-8). Restabelecidas as comunicações, fr. Modesto
dirigiu-se à sua cidade, refugiando-se na casa de sua irmã
Teresa, junto do seu irmão sacerdote Mosén Miguel, pároco de
Torrembesora. Para maior segurança, foram à casa "la
Masá",
mas lá foi capturado por uns milicianos armados. Fr. Modesto "entregou-se
mansa e humildemente - manifesta o senhor Artur
Adell - e sem algum
protesto". "A sua atitude durante este período
- disse a jovem Pilar Beltrán -
foi de total entrega ao Senhor e de uma vida exemplar".
FR.
GERMANO DE CARCAGENTE
Nasceu
em Carcagente (Valência), de uma família cristã, a 12 de
Fevereiro de 1895. Foi baptizado no mesmo dia, na paróquia de
Nossa Senhora da Assunção, de Carcagente e crismado a 22 de
Julho de 1912, por Dom fr. Atanásio Soler Royo, devidamente
autorizado pelo arcebispo da diocese. O casal João Baptista
Garrigues e Maria Ana Hernández teve oito filhos, três dos
quais se tornaram capuchinhos.
Fez
os seus primeiros estudos no Seminário Seráfico Capuchinho em
Monforte del Cid. Vestiu o hábito capuchinho a 13 de Agosto de
1911. Emitiu os votos temporários a 15 de Agosto de 1912 e os
perpétuos a 18 de Dezembro de 1917. Dom Ramón Plaza
ordenou-o sacerdote em Orihuela, a 9 de Fevereiro de
1919. Os Superiores encaminharam-no
para a formação e ensino
e, ao mesmo tempo, trabalhou no apostolado. Disse fr. Domingos
Garrigues, capuchinho:
"Desempenhou
os cargos de Vice-mestre de Noviços e professor de uma escola
primária em Alcira. Empenhou-se preferentemente no apostolado
do confessionário, dos enfermos e também com a catequese das
crianças da escola".
Muitos
que o conheceram, falam dele como um religioso fiel à sua vocação,
fervoroso na oração e muito caritativo: "Entre
os fiéis - afirmou a sua irmã Mercedes Garrigues - e
ainda entre os confrades, gozava de boa fama pelo seu carácter
jovial, caridade e
candor. Costumavam dizer: 'É um anjo'. Dos mesmos
religiosos ouvi dizer que era um religioso
muito
observante da Regra e das Constituições
franciscano-capuchinhas". " As suas qualidades
mais salientes - afirma seu irmão, Francisco Pascoal
Garrigues - eram
a sua profunda piedade e a atracção
que exercia sobre os jovens, sem que se lhe reconhecesse defeito
algum". Henrique Albelda, habitante de Carcagente,
recorda:
"O
seu temperamento era bonachão e alegre. Também se ressalta as
suas qualidades como caritativo e esmoler. Era homem
virtuoso, sobressaindo pela sua paciência ilimitada. Era
sereno, humilde, recatado e modesto".
Quando
desencadeou a perseguição religiosa na Espanha, viu-se forçado,
como seus irmãos, a refugiar-se na casa paterna, levando ali
uma vida dedicada à oração. Foi detido pelos milicianos a 9
de Agosto de 1936 e conduzido ao Centro do Partido Comunista e,
dali, conduzido, à meia noite, à ponte dos caminhos-de-ferro
sobre o rio Júcar, lugar em que foi assassinado.
"Se
Deus me quer mártir -
disse quando refugiado - dar-me-á forças para sofrer o martírio" Quando
chegou ao lugar do martírio - afirma o senhor Clemente Albelda
- "fr.
Germano, depois de beijar as mãos dos carnificinas e perdoá-los,
ajoelhou-se”.
O
cadáver de fr. Germano foi enterrado no cemitério de
Carcagente e, a 15 de Dezembro de 1940 os seus restos mortais
foram reconhecidos e transladados ao novo cemitério da mesma
cidade. Actualmente, os seus restos mortais repousam na capela
dos Mártires Capuchinhos do convento de Madalena, em Masamagrel.
BEATO
BOAVENTURA DE PUZOL
Nasceu
em Puzol (Valência), a 9 de Outubro de 1897 e foi baptizado no
dia seguinte (10 de Outubro) na paróquia dos santos Juanes de
Puzol. Era um dos nove filhos do casal Vicente Esteve e Josefa
Flors.
Júlio
fez os seus estudos no Seminário Seráfico, vestindo o hábito
capuchinho no convento dos Santos Adbón e Sené, de Ollería, a
15 de Setembro de 1913, mudando o nome para Boaventura. Emitiu a
profissão temporária a 17 de Setembro de 1914 e a perpétua, a
18 de Setembro de 1918, em Orihuela.
Enviado
a Roma para aperfeiçoar os estudos, doutorou-se em Filosofia na Universidade Gregoriana. Nesta mesma cidade foi ordenado
sacerdote pelo arcebispo de Filipos, Dom José Palica, a 26 de
Março de 1921. Regressando à Província, foi nomeado professor
de Filosofia e Direito Canónico no Instituto de Teologia de Orihuela. Destacou-se também como pregador, conferencista,
director espiritual, porém, sobretudo como homem de Deus. Tudo
isto nos confirma o senhor João F. Escrirá: "Dedicou-se
ao estudo e à pregação.
O seu temperamento era pacífico. Além disso, era uma pessoa
muito viva e inteligente, como também muito educado e correcto.
Entre os fiéis era muito edificante. Era um autêntico homem de
Deus". Dados que confirmam também o senhor Vicente
Aguilar, habitante de Puzol:
"Trabalhou
especialmente no campo apostólico da pregação da palavra de
Deus. As suas qualidades mais salientes eram uma grande bondade,
além de inteligente. Era muito humilde e mortificado".
Com
a perseguição religiosa, viu-se obrigado a abandonar o
convento, levando uma vida de oração: "Enquanto
esteve escondido - afirma o senhor Vicente Aguilar - não
se queixava que Deus
permitisse tais coisas, apesar de pressentir que era um tempo de
martírio e perseguição para a Igreja, como o manifestou àqueles
com quem conversava ou o tratavam. Apesar disso, mostrava-se
sereno na sua vida de constante oração". Refugiou-se
na casa paterna de Carcagente, de onde foi detido
pelo Comité de Puzol, a 24 de Setembro de 1936, para prestar
declarações. Na noite de 26 de Setembro foi conduzido, junto
com outros detidos, ao cemitério de Gilet (Valência), onde foi
assassinado às duas da madrugada. Antes de morrer, fr.
Boaventura havia declarado: "Vou
receber a palma do martírio". E,
antes de ser executado, disse a seus carnificinas: "Com
a mesma medida com que medis
agora, depois sereis medidos". Terminada a guerra, estas
mesmas palavras foram lembradas pelos seus verdugos, quando caíram
nas mãos
da justiça. "Agora
sucede-nos o
que nos disse
o
frade".
A
senhora Vicenta Esteve Flors, irmã de fr. Boaventura, recorda.
"ele
comportou-se nos últimos instantes com a mesma serenidade de
sempre e antes de ser fuzilado, deu a absolvição a uns treze
detidos que foram conduzidos num camião e, entre estes, o pai
e um irmão do Servo de Deus”.
Foi
sepultado no cemitério de Gilet, numa fossa comum. Os seus
restos mortais, ao finalizar a guerra civil, foram exumados e
reconhecidos por sua irmã Vicenta e transladados ao Panteão
dos Mártires do cemitério de Puzol. Actualmente repousam na
capela dos mártires capuchinhos do convento de Madalena de Masamagrel.
BEATO
SANTIAGO DE RAFELBUÑOL
Nasceu
em Rafelbuñol (Valência), a 10 de Abril de 1909 e foi
baptizado dois dias depois (12 de Abril) na paróquia Santo António
Abade. Era o sétimo dos nove filhos do casal Onofre Mestre e
Mercedes Iborra. Todos morreram juntos, vítimas da mesma
perseguição religiosa.
Desde
criança, Santiago destacou-se pela sua vida de piedade.
Os seus vizinhos dizem que ele era um rapaz modelo e
exemplar em tudo. Ingressou na Ordem Capuchinha aos 12 anos,
vestindo o hábito a 6 de Junho de 1924, em Ollería (Valência).
Emitiu a profissão temporária a 7 de Junho de 1925 e a perpétua,
em Roma, a 21 de Abril de 1930, nas mãos de fr. Melchior de
Benisa, Ministro geral da Ordem. Ordenou-se sacerdote
também em Roma, a 26 de Março de 1932.
Regressando
à Espanha, depois de conseguir o doutoramento em Teologia na
Universidade Gregoriana, foi nomeado vice-director do Seminário
Seráfico de Massamagrel. Na sua curta vida religiosa
distinguiu-se pela sua devoção à Virgem, pela sua
simplicidade e obediência, pela sua humildade e como homem de
profunda vida interior "Era de um carácter bondoso e temperamento vivaz (...). Era
considerado pelos fiéis como um religioso exemplar. Apesar de
suas qualidades de ciência e de sua virtude, mostrava-se sempre
humilde e simples (...). Ocupou-se sempre com trabalhos apostólicos
próprios da sua condição de religioso sacerdote", dizem
sobre eles os seus confrades.
Quando
desencadeou o Movimento Nacional, fr. Santiago apressou-se em pôr
a salvo os seminaristas que estavam sob os seus cuidados e
depois refugiou-se na sua cidade Rafelbuñol. Ali, o comité
local fê-lo
trabalhar como operário das obras que se realizavam então na
casa Abadia, recolhendo os escombros da igreja paroquial,
levando uma vida normal. Um dia teve notícias de que os seus
irmãos tinham sido detidos pelo comité e as suas vidas corriam
perigo. Disse a si mesmo: "Vou
ao comité ver se,
deixando-me
prender, libertam
meus irmãos”.
Ao
apresentar-se ao
comité foi detido junto dos seus irmãos e fez-se prisioneiro a
26 de Setembro de 1935. Na prisão, confessou todos os presos.
Na noite de 28 para 29 de Setembro, os presos foram conduzidos
ao cemitério de Massamagrel e, ao passar diante da igreja da
padroeira, a Virgem do Milagre, aclamaram-na e, chegados ao
cemitério, foram fuzilados gritando: “Viva
Cristo
Rei!".
Fr
Santiago foi assassinado com seus irmãos e sepultado numa fossa
comum no cemitério de Massamagrel. Exumados os seus restos e
identificados depois, foram transladados para o Panteão de
Tombados de Rafelbuñol. Hoje, descansam na capela dos Mártires
Capuchinhos do convento da Madalena, em Massamagrel.
BEATO
HENRIQUE DE ALMAZORA
Nasceu
em Almazora, diocese de Tortosa e província de Castellón de la
Plana a 16 de Março de
1913, sendo baptizado no mesmo dia na igreja paroquial. Era
filho de Vicente Garcia e Conceição Beltrán.
Henrique
viveu a sua infância num ambiente profundamente religioso.
Disse Vicente Beltrán,
seu tio que “em sua
infância era o que se diz,
um anjo. O menino não
saía da igreja; empregava
o tempo entre a igreja, a escola e a casa paterna".
Aos 14 anos ingressou no Seminário Seráfico de Massamagrel.
Recebeu o hábito capuchinho a 13 de Agosto de 1928, em Ollería,
das mãos de fr. Eloy de Orihuela, guardião, definidor e mestre
de noviços do convento de Massamagrel. Emitiu a profissão
temporária no dia 1 de Setembro de 1929, em Ollería, nas mãos
de fr Pio de Valência, guardião, e a perpétua, a 17 de
Setembro de 1935, em Orihuela.
A
Revolução surpreendeu-o
quando era ainda diácono e se preparava para receber o sacerdócio.
"Era de
temperamento jovial e dócil". Entre seus
companheiros religiosos "gozava
de fama de piedade. Era homem de vida interior e tinha uma
grande devoção a São José. Era amante da liturgia.
Dedicou-se ao estudo da música sacra para dar esplendor ao
Culto Divino. Distinguia-se no coro poela sua devoção no canto
das horas canónicas. Era moderado
e mortificado nas refeições; também era muito humilde,
destacando-se pela sua conduta e submissão..." Recorda-se,
além disso, como fiel observante da Regra e das
Constituições, tanto nos actos diurnos
como nos nocturnos”.
Quando
desencadeou a Revolução, refugiou-se na casa paterna,
preparando-se para o martírio com a oração e o estudo, com
grande serenidade e ânimo. Um dia do mês de Agosto de 1936
apresentou-se em sua casa uma dupla de milicianos, capturaram-no
e o levaram-no para o quartel da Guarda Civil, que servia de cárcere.
Miguel Pesudo, companheiro de prisão de fr. Henrique disse que "viveu
com fr. Henrique como companheiro de prisão e observou que ele
conservava sempre um carácter jovial e alegre. E estava
conformado com a
vontade de Deus".
Dali foi
retirado a l6 de Agosto de 1936 e conduzido, com um grupo de
seculares, ao lugar denominado "A Pedreira", na
estrada de Castellón de la Plana em Benicasim, onde foi
assassinado, gritando:
"Viva Cristo Rei!".
BEATO
FIÉL
DE PUZOL
Nasceu
em Puzol, diocese e província de Valência, a 8 de Janeiro de
1856. Cresceu no seio de uma família piedosa. Era filho de
Mariano Climent e Mariana Sanchís. Bem cedo ficou órfão de
pai e mãe. Sua tia materna, Josefa Sanchís,
adoptou-o e deu-lhe
educação cristã.
Prestou
serviço militar, chegando a participar na guerra carlista.
Terminada esta, ingressou na Ordem Capuchinha como frade
"leigo", vestindo o hábito a 13 de Junho de 1880, em
Massamagrel. Emitiu a profissão temporária a 14 de Junho de
1881 e a perpétua, a 17 de Junho de 1884.
A
figura franciscana de fr. Fidel recorda a dos santos frades
'leigos" capuchinhos: entrado no convento com idade madura,
a sua vocação não foi, portanto, fruto das loucuras próprias
de uma idade jovem; eram trabalhadores
incansáveis: empenharam-se durante anos como porteiros,
esmoleres, hortelãos, sacristãos, cozinheiros..., trabalhos
estes que requerem uma constituição física robusta. Além
disso, eram homens de vida de fé, oração profunda, devotos da
Virgem, obedientes e submissos em tudo, silenciosos, penitentes,
austeros... Fr. Fidel, ao longo da sua vida religiosa, passou
pelos conventos de Barcelona, Totana, Orihuela, Massamagrel e
Valência, trabalhando como porteiro, cozinheiro, assistente do
Seminário seráfico, companheiro do Ministro provincial.
Eis
um pequeno retracto de como o recordam os religiosos: "Era
de temperamento quieto e aprazível. Não se perturbava por nada
e seu aspecto era sempre sorridente. Consideravam-no com grande
apreço e boa fama, tanto os religiosos como todos os fiéis.
Cumpria muito bem suas obrigações e a Regra da Ordem. Era um
homem todo de Deus. Rezava continuamente. Tinha sempre o rosário
nas mãos e era muito devoto da Virgem. Havia fama de santo".
Quando
foi fechado o convento de Valência, fr. Fidel buscou refúgio
em Puzol, na casa de uns familiares, onde, devido à sua idade
avançada (82 anos), não saía de casa, pois via mal. Ali
permaneceu sereno, ocupando-se da oração, quando foi detido ao
entardecer do dia 27 de Setembro, por membros do comité local,
com o pretexto de levá-lo ao asilo das "Hermanitas de los
Pobres" de Sagunto, levando-o pela estrada principal de
Barcelona até ao distrito municipal de Sagunto, onde, na
entrada da casa "Laval de Jesus" foi assassinado. Foi
a caseira desta casa que advertiu sobre a presença de um cadáver
na entrada, que há dois dias estava ali, aguardando sepultura.
Era o corpo de fr. Fidel.
Foi
sepultado no cemitério de Sagunto, junto a outros corpos; no
entanto, os seus restos mortais não puderam ser identificados.
BEATO
BERARDO
DE LUGAR NUEVO DE FENOLLET
Nasceu
em Lugar Nuevo de Fenollet (Valência) a 23 de Julho de 1867 e
foi baptizado na paróquia de São Diego de Alcalá de Lugar
Nuevo, a 28 de Julho do mesmo ano, pelo pároco Don António
Donat, com o nome de José. Era o
primeiro dos três filhos
do casal José Bleda Flores e Rosária Antónia Grau Más.
Na
sua cidade recordam que “foi um menino muito piedoso desde a sua infância. Em sua casa -
dizem - conserva-se uma
pedra, na qual, segundo o dizer de todos, se ajoelhava para a
oração. Pertencia
a uma família muito cristã. Embora sentisse desde a sua infância
o desejo de abraçar a vocação religiosa, como um irmão
prestava serviço militar em Cuba, José teve que ajudar os pais
e assim atrasou a entrada na Ordem capuchinha até ao retorno
deste irmão".
Ingressou entre os Capuchinhos em 1900, como frade
"leigo". Estava com 32 anos quando recebeu o hábito,
dia 2 de fevereiro de 1900, das mãos do Ministro Provincial, fr.
Luiz de Massamagrel. Emitiu a profissão temporária a 2 de
Fevereiro de 1901 em Massamagrel e a perpétua, a 14 de
Fevereiro de 1904, em Orihuela.
Os
religiosos dizem sobre ele
"que era filho da obediência. O seu temperamento era
extraordinariamente pacífico e a qualidade mas destacável era
a sua entrega à vontade de Deus (...). Era fiel observante da
Regra e Constituições capuchinhas.
Fr Berardo era um santo homem. Não ousava levantar o
olhar a nenhuma parte (...), era um religioso muito exemplar.
Cumpriu perfeitamente os cargos que os seus superiores lhe
confiaram. Era amado por todos os que o conheciam".
Depois
de professar, foi destinado ao convento de Orihuela (Alicante),
onde passou toda sua vida como esmoler e alfaiate da
fraternidade. Edificou a gente da cidade com uma vida exemplar
quando "esmolava" e a sua fraternidade com a sua
bondade, humildade e santidade de vida.
Fechado
o convento por causa da perseguição de 1936, fr. Berardo
refugiou-se na sua cidade com os seus familiares,
dedicando-se à oração e às obras de caridade, mostrando em
todo o momento grande paciência e resignação. Estava quase
completamente cego. Na noite de 30 de Agosto de 1936 foi detido
pelos membros do comité local, com o pretexto que deveria fazer
algumas declarações. Puseram-no
num carro e conduziram-no
pela estrada de Beniganim, distrito de Genovés (Valência),
onde foi assassinado. No Registro Civil a sua morte é datada a
4 de Setembro de 1936.
O
senhor Francisco Cháfer, habitante da cidade, recorda como
descobriu o cadáver de fr. Berardo: "No
final de Agosto, num dia muito quente, ia com meu pai até à
vizinha cidade de Beniganim e vi na sarjeta da estrada o cadáver
de um ancião. Meu pai disse-me
para prosseguir adiante e eu, menino de treze anos, vencido pela
curiosidade, aproximei-me e vi que tinha recebido um tiro no olho que
sangrava abundantemente". Assim se soube da sua
morte.O seu corpo foi sepultado numa fossa comum, no cemitério
de Genovés. Os seus restos mortais não puderam ser
identificados.
BEATO
PACÍFICO DE VALÊNCIA
Nasceu
em Castellar (Valência) a 24 de Fevereiro de 1874 e foi
baptizado no dia seguinte (25 de Fevereiro) na sua terra natal.
Era o segundo dos cinco filhos do casal Matías Salcedo e Elena
Puchades. O ambiente familiar era pobre, mas profundamente cristão
e piedoso e influiu muito na sua infância e juventude. Antes de
ingressar no convento, frequentava todos os domingos o convento
dos capuchinhos de Massamagrel.
Na
sua cidade recordam-no
como “um menino bom,
de família honrada e piedosa" "Era muito pacífico - disse uma conhecida – e
as suas qualidades mais salientes era a piedade, até ao extremo
que, ao recitar o rosário em casa, não
queria que
fizessem trabalhos que pudessem
impedir a atenção". E dizem sobre ele que "ingressou nos
capuchinhos movido pelr seu grande amor à penitência”.
Recebeu
o hábito capuchinho em Massamagrel, a 21 de Julho de 1899 das mãos
de fr. Francisco Maria de Orihuela. Emitiu a profissão simples,
com 26 anos, nas mãos de fr. Luís de Massamagrel, a 21 de
Junho de 1900 e a perpétua, a 21 de Fevereiro de 1903.
Destinado
ao convento de Massamagrel, durante 37 anos serviu como esmoler.
Os religiosos não economizam elogios quando se referiam a ele: "O
seu temperamento era simples e tranquilo. Gozava de boa fama
entre os companheiros e fiéis e era um religioso muito
observante(...). Era um homem muito virtuoso, sobretudo muito
humilde e muito cumpridor dos votos religioso(s..). O seu
temperamento era bonachão. Era devotíssimo da Santíssima
Virgem. Praticou a austeridade e a pobreza em grau eminente. Era
muito humilde e abnegado e a
sua cama estava cheia de pedras e cacos para maior
mortificação". Era muito estimado por todos, tanto
dentro como fora do convento.
Fechado
o convento de Massamagrel em Julho de 1936 devido à perseguição
religiosa, fr. Pacífico refugiou-se
na casa de seu irmão, onde esteve quatro meses, dedicado à oração.
Ali, na noite de 12 de Outubro, enquanto ele recitava o rosário,
foi aprisionado pelos milicianos, que o levaram aos empurrões e
coronhadas de fuzil, em direcção de Monte-olivete até Azud,
junto ao rio, onde foi assassinado.
No
dia seguinte, uns sobrinhos, indo ao mercado de Valência,
descobriram o cadáver, estreitando fortemente com a mão
esquerda o crucifixo sobre o peito. Seu corpo foi sepultado no
cemitério de Valência, porém não pôde ser identificado.
BEATA
MARIA JESUS MASIÁ FERRAGUT
Nasceu
em Algemesí (Valência) a 12 de Janeiro de 1882, sendo
baptizada no mesmo dia pelo Pe. Joaquim Cabanes, pároco.
Recebeu a Confirmação na paróquia de São Tiago Apóstolo de
Algemesí, das mãos de Dom Sebastião Herrero e Espinosa de los
Monteros, arcebispo de Valência, dia 19 de Maio de 1899. Vestiu
o hábito no mosteiro das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência)
a 13 de Dezembro de 1900 e professou no dia 16 de Janeiro de
1902. Morreu em
Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz
coberta", a 25
de Outubro de
1936.
BEATA
MARIA VERÓNICA MASIÁ FERRAGUT
Nasceu
em Algemesí (Valência) a 15 de Junho de 1884 e foi baptizada
no dia seguinte (16 de Junho), por D. José Sanchís
Beneficiado. Recebeu a Confirmação a 19 de Maio de 1899.
Ingressou no mosteiro
das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência), vestindo o hábito
a 18 de Janeiro de 1903. Emitiu a profissão temporária
a 26 de Janeiro de 1904 e a perpétua, a 10 de Abril de 1907.
Morreu em Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz
coberta" a 25 de Outubro de 1936.
BEATA
MARIA FELICIDADE MASIÁ FERRAGUT
Nasceu
em Algemesí (Valência) a 28 de Agosto de 1890. Vestiu o
hábito no mosteiro das clarissas capuchinhas de Agullent (Valência)
a 17 de Abril de 1909. Emitiu os votos temporários a 20 de
Abril de1910 e os perpétuos a 26 de Abril de1913.
Morreu em Alcira (Valência) num lugar denominado "Cruz
coberta" a 25 de Outubro de 1936.
As
três irmãs nasceram na mesma cidade. Eram seus pais Vicente
Masiá e Teresa Ferragut. O casal teve sete filhos, dos quais
cinco filhas tornaram-se religiosas capuchinhas de clausura e o
único filho homem foi capuchinho.
Purificação,
irmã delas, disse que desde jovens
”frequentavam
os sacramentos, comungando diariamente. Jamais foram vistos em
lugares públicos ou frequentados. A minha mãe soube educar as
minhas irmãs,
inculcando-lhes o
santo
temor de Deus".
A
vida religiosa das três capuchinhas prosseguiu paralela.
"Durante
a vida no convento
- disse Purificação,
irmã delas - tinham
uma conduta que causava a admiração das outras religiosas pelo
exemplo e o modo de comportar-se, próprios da sua profissão.
Apesar de serem irmãs,
não existia entre elas
distinção alguma
entre si e com respeito às outras As três irmãs eram muito
estimadas pela comunidade. A piedade de
todas
elas era sólida e vigorosa, inculcada pela nossa querida mãe.
Eram amantes do sacrifício e muito observantes do silêncio, da
Regra e das Constituições".
Irmã
Benvinda Amorós, religiosa do mesmo mosteiro, descreve assim a
vida religiosa delas:
"Jamais
ouvi crítica alguma sobre a actuação destas religiosas. Eram
de uma piedade sólida. Dedicavam-se especialmente à oração e
a presença de Deus reflectia-se
nelas. Eram muito humildes e estavam sempre dispostas a
sacrificarem-se pelas outras irmãs. Eram devotíssimas da
Eucaristia e da Santíssima Virgem e, extraordinariamente, da
Paixão do Senhor".
Com
a chegada da República, em 1931, saíram do convento,
permanecendo na casa paterna uns dois meses até retornarem ao
convento sem haver recebido vexames. Ao iniciar a revolução de
1936, voltaram novamente para casa em Algemesí, onde
permaneceram até 16 de Outubro do mesmo ano, ocupando-se dos
serviços da casa, fazendo vida de comunidade, completamente
entregues à oração.
Dia
19 de Outubro de 1936, às quatro da tarde, foram detidas por
milicianos: elas e uma religiosa agostiniana do convento de
Beniganim. Teresa, a mãe das religiosas, não quis abandoná-las
e partiu com elas. Encarceraram as cinco religiosas no convento
de Fons Salutis, que servia como prisão. Ali permaneceram oito
dias, serenas e resignadas. Finalmente, padeceram a mesma sorte.
Na
noite de 28 de Outubro, que era domingo e festividade de Cristo
Rei, os milicianos conduziram-nas
à morte. Quiseram deixar a mãe, porém ela
opôs-se e pediu para acompanhar as suas filhas e ser
fuzilada em último lugar. Vendo-as tombar uma por uma,
animava-as dizendo: “Filhas
minhas, sejam fiéis ao esposo celeste
e não queiram, nem consintam aos afagos destes homens".
Levadas
num caminhão ao lugar denominado "Cruz
aberta", na direcção de Alcira, ali foram
martirizadas. Os corpos das cinco mártires foram
enterrados em Alcira. Actualmente descansam na paróquia de
Algemesí.
BEATA
ISABEL CALDUCH ROVIRA
Nasceu
em Alcará de Chivert, diocese de Tortosa e província de
Castellón de la Plana, a 9 de Maio de 1882. Seus pais Francisco
Calduch Roures e Amparo Rovira Martí tiveram cinco filhos e
Isabel era a última.
Seus
vizinhos dizem sobre ela que
"durante
a sua infância viveu num ambiente muito cristão. Exerceu a
caridade com os
necessitados. Ela mesma ia com outra amiga levar comida a uma
anciã e também lhe prestava ajuda na limpeza pessoal e da casa".
Durante a sua
juventude namorou um jovem da sua localidade, muito cristão,
porém terminou este relacionamento para abraçar um estado de
vida mais perfeito, com o consentimento de seus pais.
Ingressou
no mosteiro das capuchinhas de Castellón de la Plana, vestindo
o hábito em 1900. Disse seu irmão José que "o
motivo que induziu sua irmã a entrar na vida religiosa foi
puramente por vocação". Emitiu a profissão
simples a 28 de Abril de 1901 e a perpétua, a 30 de Maio de
1904. Dizem as religiosas que ela "era de temperamento pacifico e amável, sempre alegre. Era uma
religiosa exemplar.
Sempre estava contente.
Era muito observante da Regra e das Constituições. Era muito
modesta no olhar prudente no falar e muito mortificada. Era
mortificada ao comer sendo sempre muito estimada pela
Comunidade. Cultivava uma intensa
vida interior sendo muito devota do Santíssimo, da Virgem e de
São João Baptista".
No
mosteiro desempenhou o cargo de Mestra de noviças,
“fazendo-o
com muito zelo
para que fossem religiosas observantes,
tratando as noviças sem distinções",
disse
sobre ela Irmã Micaela. Foi reeleita para outro triénio, que não
chegou a desempenhar devido à chegada da revolução.
Chegada
a revolução, a Irmã Isabel foi para Alcalá de Chivert (Castellón)
onde tinha um irmão sacerdote, Mosén Manuel, que depois foi
assassinado. Enquanto permaneceu na sua cidade, dedicou-se ao
retiro e à oração. Ali foi detida a 13 de Abril de 1937 por
um grupo de milicianos, com fr. Manuel Geli, sacerdote
franciscano. Conduzidos ambos ao comité local de Alcalá de
Chivert, foram injuriados e ridicularizados. Foi assassinada no
distrito de Cuevas de Vinromá (Castellón) e sepultada no cemitério
daquela mesma cidade.
BEATA
MILAGROS ORTELLS GIMENO
Nasceu
em Valência a 29 de Novembro de 1882, na rua Zaragoza e foi
baptizada no dia seguinte (30 de Novembro), na igreja paroquial
de São João Baptista. Foi a terceira e última filha do casal
Henrique Ortelís e Dolores Gimeno.
Durante
a sua infância era muito devo-ta e o ambiente familiar no qual
se criou era eminentemente cristão. Os seus vizinhos recordam
que "
a sua piedade era extraordinária; o seu amor à penitência
singular; ao extremo de um dia a sua mãe a surpreender
aspirando "catingas", não
havendo outro modo para mortificar-se
(...). Na igreja, ao invés de se
sentar
na cadeira, sentava-se no soalho (...)
A
Irmã Virtudes,
capuchinha, recorda-se
que Irmã Milagros "entrou
na Ordem Capuchinha levada pelo seu desejo de maior perfeição.
Sua mãe havia-lhe proposto ser religiosa reparadora,
mas não quis
aceitar; buscando a maior estreiteza da Regra Capuchinha".
Ingressou no mosteiro
das capuchinhas de Valência a 9 de Outubro de 1902. Ali
recordam que "quando
ingressou o fez com
muito entusiasmo".
Neste
convento exerceu os cargos de enfermeira, refeitoreira,
porteira, sacristã e mestra de noviças, todos ofícios que
desempenhou com fidelidade.
As
suas irmãs religiosas descrevem a sua autêntica personalidade
com estes traços: "Era
muito caridosa, oferecendo-se sempre a prestar qualquer serviço
às suas irmãs religiosas. Era vista sempre recolhida. Após o
matinal da meia-noite permanecia ainda por mais um pouco de
tempo, com a intenção de praticar maior penitência".
"Gozava de fama de
santidade entre as suas religiosas ao ponto de exclamarem
sempre: é uma santinha". A
sua piedade era sólida e a característica mais saliente era o
seu amor à Eucaristia e à Imaculada. A .sua penitência era
extraordinária, usando disciplinas, cilícios. Era muito
estimada por todas as religiosas e observava muito bem toda a
Regra. A oração e a presença de Deus eram evidentes nela.
A sua humildade aparecia claramente ao sentir-se indigna de
aceitar cargos e
até
de receber a eucaristia".
Com
a chegada da revolução, teve que refugiar-se na casa de sua
irmã Maria, em Valência, levando ali uma vida de oração e
recolhimento. Depois refugiou-se
numa casa da Rua Maestro Chapí, em Valência, onde viviam também
outras religiosas da Doutrina Cristã. Ali foi detida por um
grupo de milicianos a 20 de Novembro de 1936 e assassinada junto
com 17 religiosas da Doutrina Cristã, num lugar conhecido como
"Picadero de Paterna". Foi sepultada no cemitério de
Valência. A 30 de Abril de 1940 foram exumados os seus restos
mortais e transladados para o mosteiro das capuchinhas de Valência,
onde actualmente repousam.
ORAÇÃO
Senhor,
nosso Deus, que nos dais constância na fé e força na
fraqueza, concedei-nos, pelo exemplo e pelos méritos dos Mártires
capuchinhos de Valência, a graça de participar na morte e
ressurreição de vosso Filho, para podermos também gozar
convosco, na companhia de todos os Mártires, a plena alegria do
vosso reino. Por nosso Senhor. |