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S. Francisco,
podes
ser
tu!
JOVEM:
Se o ideal de vida radical do Beato Aniceto Koplin e
companheiros
te fascina, estás convidado a experimentá-lo mais de perto
numa das nossas
Fraternidades.
Se
quiseres, envia-nos os teus dados por
e-mail.
Estamos à tua espera!... |
BEATO ANICETO KOPLIN
Aniceto
Koplin era originário de Dbrzno, na Pomerania Ocidental, onde entram em
contacto duas culturas, a eslava e a alemã; e duas comunidades
religiosas, os luteranos e os católicos.
Nasceu
no dia 30 de Julho de 1875. Os seus pais chamavam-se Lourenço (Wawrzyniec),
de origem polaca, e Berta Moldenhau, alemã, pertencentes à comunidade
luterana.
No
baptismo, em 8 de Agosto de 1875, recebeu o nome de Alberto António. O
primeiro nome foi, posteriormente, mudado por Adalberto. Tinha quatro
irmãos. Frequentou a escola elementar e média superior em Debrzno.
Aos
18 anos, no dia 23 de Setembro de 1893, entrou na Ordem dos Capuchinhos,
em Sigolsheim. Depois de um ano de noviciado, emitiu os primeiros votos
religiosos no dia 24 de Novembro de 1894. Na nossa Ordem recebeu o nome
de Aniceto. Depois de terminar a Escola Superior, começou os estudos
universitários no Seminário em ordem ao Sacerdócio. Professou
solenemente no dia 25 de Novembro de 1897. Ordenou-se sacerdote no dia
15 de Agosto de 1900, na festa da Assunção da Bem-aventurada Virgem
Maria.
Depois
da ordenação, trabalhou em vários conventos da Província de Westfalia. Destacou-se como bom pregador. Sonhava ser missionário mas não
lhe permitiram ir para "terras de infiéis". Por ordem dos seus
Superiores começou a trabalhar com os emigrantes polacos, como Capelão
de prisioneiros e feridos de guerra.
No
dia 20 de Março de 1901 chegou a Varsóvia. Não são muito claros os
motivos desta mudança. Foi chamamento do seu espírito polaco ou teria
sido enviado para aprender a língua a fim de ser mais eficaz o seu
trabalho com os polacos? De qualquer modo, aquele ano foi marcante na
vida de Fr. Aniceto. Ficará para sempre na Polónia.
Por
volta de 1930 naturalizou-se polaco, mas, como religioso, permanece
sempre como membro da Província Renano-Westfálica. Da língua polaca
aprendeu o suficiente para poder ser entendido, mas tinha dificuldade em
fazer uma homilia, por isso só o fazia em casos excepcionais.
Em
Varsóvia, é famoso como confessor carismático. Procuram-no leigos e
eclesiásticos. Foi confessor de Núncios Apostólicos, tais como:
Aquiles Ratti, Lourenzo Lauri, Francisco Marmaggi e Felipe Cortesi. Também
se confessavam com ele vários
Bispos de Varsóvia: o Cardeal Alexandre Kakowski, Stanislao Gall, José
Gawlina.
O
seu carisma assentava numa doutrina moral clara, pontual, seguindo
sempre o critério de estimular os penitentes para uma vida de perfeição.
Possivelmente, neste trabalho, possuía o dom de perscrutar os corações.
Era chamado para atender os doentes, mesmo aqueles que rejeitavam a
confissão no momento da morte. Alcançou
a conversão e a reconciliação
de muitas pessoas com Deus.
Muita
gente se impressionava com a solenidade e a inspiração com que
celebrava a Eucaristia. Disso era sinais a calma e o lento
desenvolvimento do ritual; dava a impressão de que vivia,
efectivamente, a realidade do mistério da Eucaristia.
Em
Varsóvia, conhecem-no como mendicante (esmoleiro) e protector dos
pobres. Nos 20 anos que vive nesta cidade, Fr. Aniceto consagrou grande
parte do seu tempo, exclusivamente, aos pobres, aos desempregados, aos
necessitados. Consagrou-lhes as suas preocupações e capacidade.
Inicialmente a sua acção cingiu-se ao distrito de Annpol, sobre a
margem direita do rio Vístula.
Os Capuchinhos tiveram a iniciativa de
criar uma grande cozinha, capaz de distribuir até umas oito mil refeições.
Fr. Aniceto abastecia a mesa com os produtos que conseguia, e isto
cobria, em grande parte, as necessidades económicas. Arranjou trabalho
a muitos desempregados, noutras ocasiões, ajudava nos estudos. Quem
tivesse qualquer dificuldade podia contar com ele. Criou um sistema
especial para pedir ajuda. Conseguiu que um grande número de pessoas
oferecessem, semanal ou mensalmente, uma quota para os pobres. Além do
dinheiro, recolhia víveres: farinha, pão, sêmola, azeite, açucar.
Pedia
ajuda às pessoas com possibilidades económicas. Não evitava o assim
dito, grande mundo. Ao pedir esmola foi objecto de grandes afrontas e
humilhações que, nalguns casos, chegaram a ser físicas. Suportava
tudo com calma, não obstante o seu forte carácter, o que causava
assombro aos que o conheciam de perto.
Era
poeta e sabia latim com perfeição. Frequentemente fazia poesias nesta
língua, em versos acrósticos, ou declamava, em honra de vários
personagens do lugar, e assim conseguia esmolas para os seus pobres. A
sua poesia estava ao serviço da caridade cristã.
Era
muito conhecido na cidade. Não havia uma cerimónia importante em Varsóvia
para a qual não fosse convidado. Os transeuntes e cocheiros
conheciam-no muito bem e, frequentemente, paravam-no para poderem
acarinhar o famoso esmoleiro capuchinho.
Aniceto
tinha sido muito dotado pela natureza, mas todos os seus talentos
estavam ao serviço do próximo. À sua volta difundia a serenidade do
espírito e alegria interior. Todos se reuniam à sua volta, e ele
mostrava a sua bondade, escondida sob o hábito castanho escuro, a sua
capacidade de consolar e a solidariedade humana. Encarnava aquela
bondade humana que era capaz de atrair ao próximo e aproximá-lo de
Deus. Os apelidos que o povo lhe atribuía
- pai dos pobres e esmoleiro de Varsóvia,
mostravam a dimensão social da sua figura e, com o tempo, a sua
evidente santidade.
Quando
começou a II Guerra Mundial, em 1939, Fr. Aniceto não abandonou Varsóvia.
Estava diante de uma Guerra que punha frente a frente os seus dois países
– a Alemanha, em que tinha crescido, e a Polónia que tinha eleito.
Efectivamente, era alemão, mas a sua concepção era universal. Também
no plano emocional se identificava como polaco.
Depois
da capitulação de Varsóvia, Fr. Aniceto permanece no Convento da
cidade. Apesar das dificuldades, foi pródigo na busca de auxílio para
os pobres e necessitados, que tinham aumentado grandemente. Para este
objectivo, valia-se do conhecimento da sua família alemã. Na Primavera
de 1940, os jornais da resistência referiam que 90% da população
estava sem trabalho e morria de fome. Aniceto, no limite das suas
possibilidades e forças, a todos socorria.
Em
Junho de 1940, Fr. Aniceto e o Guardião do Convento, Fr. Inocente
Hanski, foram chamados à Sede da Gestapo para serem interrogados.
Quando lhes perguntavam se liam o jornal clandestino, Fr. Aniceto disse
a verdade. Naquele momento poderá ter dito aos homens da Gestapo que se
envergonhava de ser alemão.
Na
noite de 26 para 27 de Junho de 1941, a Gestapo cercou o Convento dos
Capuchinhos de Varsóvia. Depois de pesquisarem durante algumas horas,
prenderam 22 religiosos e, entre eles, Fr. Aniceto. Todos foram
trasladados para a prisão de Pawiak a fim de serem interrogados. Os
guardas escarneciam os frades. Atormentavam-nos com a conhecida ginástica.
Apanharam Fr. Aniceto que, de todos, era o mais velho. Tiraram-lhe o hábito
religioso, deixando-o apenas com a camisa e roupa interior, e somente
uns dias mais tarde lhe deram roupa de leigo.
No
dia 4 de Setembro, Fr. Aniceto foi transferido, juntamente com os
restantes irmãos, para o campo de concentração de Auschwitz. Ao
descer do comboio foi maltratado; depois, ao caminhar a marcar passo,
bateram-lhe várias vezes, porque, dada a sua idade, não podia manter o
ritmo. Cansado como estava, ainda foi mordido por um dos cães das SS.
No bloco, recebeu o 30.376, como número de matrícula.
Depois
do período, dito de quarentena, Fr. Aniceto foi confiado ao bloco 19,
porque ele não tinha idade para trabalhar. Isto equivalia a uma tácita
condenação à morte. No bloco nunca se tinha salvo ninguém, pelo
contrário, em consequência de uma ginástica homicida, a morte
deveria chegar quanto antes. Todos os dias morriam centenas de
prisioneiros nestas circunstâncias. A morte era acelerada com uma injecção
de fenol.
Fr.
Aniceto morreu no dia 16 de Outubro de 1941. Não conhecemos, com precisão,
quais as causas da sua morte: se homicídio ou condições desumanas. O
certo é que, um mês e meio depois de entrar no campo de concentração,
sofreu o martírio.
A
fama do martírio de Fr. Aniceto teve grande repercussão. As numerosas
publicações dedicadas à sua vida e martírio são o testemunho do
fervor dos fiéis que se recomendam à sua intercessão. No
dia 26 de Março de 1999, o
Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.
BEATO HENRIQUE KRZYZTOFIK
Nasceu
no dia 22 de Março de 1908 em Zachorzew. Filho de José e de Francisca
Franaszcyk. Foi baptizado ma paróquia de Slawno (diocese de
Sandormiez
– Polónia), no dia 9 de Abril de 1908. Puseram-lhe o nome de José.
Terminada
a escola primária em 1925, apresentou-se no Colégio de São Fiel dos
Capuchinhos de Lomza. Entrou na Ordem dos Capuchinhos no Comissariado de
Varsóvia. No dia 14 de Agosto de 1927 entrou no Convento de Nowe
Miasto,
onde recebeu o hábito Capuchinho, mudado o seu nome para Henrique (Henryk).
Um ano depois, no dia 15 de Agosto de 1928, fez a sua profissão
simples. Imediatamente foi enviado para a Holanda, para o Convento
capuchinho de Breust-Eysden, Província de Paris. Aqui faz a sua profissão
perpétua no dia 15 de Agosto de 1931, e no dia 30 de Julho de 1933 foi
ordenado sacerdote. Por determinação dos Superiores, continuou os seus
estudos na Faculdade de Teologia da Universidade Gregoriana, residindo
no colégio Internacional de São Lourenço, dos Capuchinhos. Em 1935
obteve a Licenciatura em Teologia.
Regressando
à Polónia foi destinado ao Convento de Lublín, onde foi professor de
teologia dogmática no Seminário dos Capuchinhos. Pouco depois, foi
designado Reitor do Seminário e Vigário do Convento. Na igreja do
Convento pregou com grande entusiasmo espiritual e fervor interior. A
Segunda Guerra Mundial, iniciada no dia 1 de Setembro de 1939,
surpreendeu-o no cumprimento desta missão.
O
Guardião do Convento de Lublin, Fr. Jesualdo Wilem de Holanda (naquele
tempo, os Capuchinhos polacos eram ajudados por Capuchinhos provenientes
da Holanda), foi obrigado a renunciar ao serviço de guardião e deixar
a paróquia. Fr. Henrique é, então, nomeado guardião do Convento.
Nesta condição e ao mesmo tempo Reitor do seminário, encontra-se em
situação deveras complicada. Por causa da Guerra, as aulas no ano académico
de 1939-1940 começaram muito atrasadas. O clima era extremamente tenso.
As tropas alemãs atacavam ferozmente e as detenções continuavam sem
interrupção. Neste clima desfavorável, Fr. Henrique tratou de
tranquilizar os seminaristas.
No
dia 23 de Janeiro de 1940, a Gestapo prendeu 23 Capuchinhos do Convento
de Lublín, entre os quais estava o seu guardião, Fr. Henrique. O
primeiro lugar de reclusão foi o Castelo de Lublín, à espera de um
lugar na prisão.
Henrique
disse: “Irmãos, enquanto temos lucidez mental façamos este bom
propósito: qualquer coisa que aconteça, cada um de nós será uma
oferenda propiciatória a Deus”. Durante todo o tempo que passou
na prisão esteve atento a todos. Pela manhã celebrava a Eucaristia.
No
dia 8 de Junho de 1940 foi transferido, juntamente com os outros irmãos,
para o campo de concentração de Sachenhausen, perto de Berlim. Ali, “em
condições muito precárias, não se esquecia de nenhum de nós”,
- escreve um daqueles que partilhou o seu destino no campo de concentração,
Fr. Ambrósio Jastrzebski. Quando no Outono de 1940 recebeu um donativo,
comprou dois pães, partiu-os em 25 porções – era o número dos
Capuchinhos – e disse: “Irmãos, recebamos os dons do Senhor,
sirvámo-lo como Ele merece”. O já citado Fr. Ambrósio define
assim o gesto do irmão: “Um gesto nobre, que só pode ser
apreciado por quem esteve no campo de concentração; e quanta abnegação,
diremos heroísmo, se requer para distribuir o pão quando se está com
fome”.
No
dia 14 de Setembro de 1940, Henrique, juntamente com os restantes irmãos,
foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde recebeu o
número 22 637. Apesar da dureza da vida no campo, não poupou esforços
para ajudar os outros. Tal como estava, doente e fraco das pernas,
ajudava os mais débeis, sobretudo os mais idosos. Esteve neste campo de
concentração até ao Verão de 1941.
Em
Julho de 1941, devido ao seu estremo cansaço que, agora, o impedia de
caminhar sozinho, foi trasladado para o Hospital do Campo, o que
equivale a uma condenação à morte. Fez chegar aos próprios clérigos
uma mensagem secreta, que nos é recordada por um dos destinatários da
mesma, Fr. Caetano Ambrozkiewicz: “Queridos irmãos, estou no
corredor do bloco 7. estou totalmente magro e desidratado. Peso 35
quilos; só tenho ossos. Estou estendido sobre a minha cama como sobre a
cruz, com Cristo. Ele deu-me a graça de sofrer como Ele. Rezo por vós
e é por vós que eu ofereço estes sofrimentos a Deus” .
Morreu
no dia 14 de Agosto de 1942 e foi incinerado no campo número 12. No
dia 26 de Março de 1999, o
Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.
BEATO FLORIANO STEPNIAK
Fr.
Floriano nasceu em Zdzary,
perto de Nowe Miasto, no dia 3 de Janeiro de 1912. Os seus pais eram
camponeses e chamavam-se Paulo e Ana Misztal. Foi baptizado no dia 4 de
Janeiro de 1912, com o nome de José. A sua mãe morreu quando ele era
ainda muito pequeno. O seu pai casou-se novamente.
Terminada
a escola primária em Zdzary, sentiu um grande desejo de estudar e ser
Capuchinho. Graças aos Capuchinhos do Nowe Miasto terminou a escola
secundária e, sucessivamente, em 1927, os estudos no Colégio de São
Fiel dos Capuchinhos de Lomza.
Tinha
pouca capacidade intelectual; supria esta carência com a diligência e
o trabalho. Um companheiro de estudos, fr. Caetano Ambrokiewicz,
descreveu-o do seguinte modo: “Uma alma santa. Solidário, franco,
alegre, era, contudo, um pouco diferente de nós, rapazes inquietos e
com a cabeça nas nuvens”.
Entrou
na Ordem Franciscana Secular quando era estudante. Seguidamente, entrou
na Ordem dos Capuchinhos, iniciando o noviciado no dia 14 de Agosto de
1931. Mudou o nome para Floriano. No noviciado o seu zelo, generosidade
e devoção são evidentes. Faz a sua profissão simples no dia 15 de
Agosto de 1932. Depois de terminar o curso de Filosofia, no dia 15 de
Agosto de 1935, fez a profissão perpétua. Continuou os estudos teológicos
em Lublín. Terminados estes, foi ordenado sacerdote no dia 24 de Junho
de 1938. Depois, foi enviado para a Faculdade de Teologia da
Universidade Católica de Lublín para estudar Sagrada Escritura.
Quando
rebentou a Guerra, no dia 1 de Setembro de 1939, encontra-se em
Lublín.
Naqueles tempos cruciais não abandonou o Convento mas continuou a
confessar, fielmente. Devido à perseguição, muitos sacerdotes estavam
escondidos e não se encontrava ninguém para dar sepultura aos mortos.
Fr. Floriano dedicou-se a isso com grande generosidade. Não fazia mais
do que pôr em prática aquela frase da vida religiosa que tinha
colocado, com a sua própria mão e letra, na faixa da sua ordenação
sacerdotal: “Estejamos prontos não só a dar o Evangelho como a própria
vida”. Uma frase que resumia
a essência da sua vida.
Não
pode continuar a trabalhar assim durante muito tempo em Lublín. No dia
25 de Janeiro de 1940, juntamente com os restantes irmãos, foi levado
para o Campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim. Mesmo
assim não perdeu o bom humor apesar da vida, no Campo de concentração,
ser terrível. No dia 14 de Dezembro de 1940 foi transferido para o
campo de Dachau, onde lhe deram o número 22 738.
O
frio intenso terminou por afectar a sua saúde. Era um homem de
estrutura forte e robusta, que necessitava de muito alimento. À
debilidade, por causa da fome, seguiu-se a doença. No Verão de 1942, o
seu estado de saúde agravou-se e foi levado ao Hospital do lugar
chamado “corsia”. Naquele período, todos os que não podiam
trabalhar e os doentes eram destinados para aqui; como inválidos eram
transferidos para outro lugar que tivesse "melhores condições".
Para lá levaram Fr. Floriano. Depois de algumas semanas, malgrado as rações
de fome e as péssimas condições do hospital, a sua saúde melhorou.
Como convalescente foi levado para o bloco dos inválidos, o número 29.
O seu companheiro de prisão no Campo, Fr. Caetano Ambrozkiewicz,
recorda assim o comportamento do Fr. Floriano:
“Alguns amigos sacerdotes, que tinham saído do bloco dos
inválidos, diziam que Fr. Floriano tinha levado luz àquela barraca
horrorosa. Lá, os homens doentes estavam condenados a morrer ali mesmo.
Morriam às dezenas e muitos eram conduzidos em grupos para onde não se
sabia. Só mais tarde se soube que eram conduzidos para a Câmara de gás,
nos arredores de Munich. Quem não estivesse estado naquele lugar não
podia fazer uma ideia do que significava, para aquela gente de pele e
osso, uma palavra de ânimo e de consolação; o que podia representar o
sorriso de um Capuchinho reduzido à mesma situação que eles”.
Quando
chega a carta «S» (o seu apelido era Stepniak), Fr. Floriano foi
levado para a secção dos inválidos, ainda que se sentisse bem e com
forças para regressar ao trabalho. Morreu na câmara de gás no dia 12
de Agosto de 1942.
Supõe-se
que o seu corpo tenha sido incinerado. As autoridades do Campo
entregaram aos seus pais o hábito religioso dizendo-lhes, falsamente,
que o seu filho José tinha morrido de angina de peito. No
dia 26 de Março de 1999, O Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo
dos Mártires.
BEATO FIEL CHOJNACKI
Nasceu
em Lodz, no dia da Festa de Todos o Santos, no ano de 1906. Era o mais
novo de seis irmãos. No Baptismo, recebido três dias depois, os seus
pais Waclaw e Leokadia Sprusinska, puseram-lhe o nome de Jerónimo (Hieronim).
Na
família recebeu uma educação exemplar, frequentando a paróquia de
Santa Cruz. terminada a Escola Superior, inscreve-se na Academia
Militar. Concluídos os estudos, não consegue encontrar trabalho. Graças
à ajuda de uns parentes trabalha durante um ano em Szczuczyn
Nowogrodsky, perto do Instituto da Providência Social (ZUS) e,
sucessivamente, trabalha no Centro de Correios de Varsóvia. Era muito
apreciado pela sua afabilidade. Ao mesmo tempo, juntamente com o seu
tio, Pe. Estanislau Sprudiinski, colaborava na direcção da Acção Católica.
Abstémio,
empenha-se na campanha contra o alcoolismo. Trabalhando na Acção Católica,
sente a necessidade de uma profunda vida interior. Entrou na Ordem
Terceira de São Francisco, na igreja dos Capuchinhos de Varsóvia. A
nobreza do seu carácter conquistou a confiança das pessoas e deu-lhe o
poder de reconciliar as pessoas desavindas. Naquela altura conquistou a
amizade de Aniceto Koplin, famoso esmoleiro de Varsóvia. A proximidade
constante com os Capuchinhos suscitou nele a vocação religiosa.
No
dia 27 de Agosto de 1933, tomou o hábito capuchinho em Nowe Miasto,
recebendo o nome de Fidelis. Não obstante os seus 27 anos e a sua
experiência na vida, denotava uma grande simplicidade, mantendo com
todos uma grande amabilidade. No noviciado teve a preocupação de
conhecer os princípios da vida interior, e dedicou-se empenhadamente no
seu próprio aperfeiçoamento espiritual.
Fez
a sua profissão simples no dia 28 de Agosto de 1934 e parte para
Zakroczym para estudar Filosofia. Aqui, com autorização dos
Superiores, fundou um Círculo de Colaboradores Intelectuais para os
seminaristas. Prosseguiu com o seu trabalho contra o alcoolismo e fundou
um Círculo de Abstémios; além disso, cooperou com a Terceira Ordem
Franciscana.
No
princípio de 1937, superou com óptima classificação o exame final de
Filosofia. No dia 28 de Agosto de 1937, fez a sua profissão perpétua.
Depois, estudou Teologia no Convento de Lublín. No início da Segunda
Guerra Mundial frequentava o terceiro ano de Teologia. Numa carta,
datada de 18 de Dezembro de 1939, para o seu tio, Pe. Estanislau,
manifestou alguma desorientação e batimento pelo facto de não poder
viver e estudar normalmente.
Um
mês depois do Natal de 1939, no dia 25 de janeiro de 1940, foi preso e
internado na Prisão do castelo de Lublín. Suportou com serenidade e
com certo bom humor as duras condições da prisão, a falta de
movimentos, de espaço e de ar. Passados cinco meses, a 18 de Junho de
1940, foi transferido, juntamente com todos os do grupo, para o campo de
concentração de Sachsenhausen. Trata-se de um Bloco modelo, de um
verdadeiro selo prussiano, especialmente na disciplina e na ordem, cuja
finalidade era o aniquilamento do indivíduo. Aqui, o Fr. Fidelis perdeu
o seu optimismo. O tratamento inumano dos prisioneiros chocavam-no e
induzia-o ao pessimismo.
No
dia 14 de dezembro de 1940, num comboio de sacerdotes e religiosos, foi
transferido para o Campo de concentração de Dachau, perto de Munique,
na Baviera, onde o seu estado de espírito piorou. Imprimiram-lhe no braço
o seu número: 22 473. As notícias das contínuas vitórias militares,
vindas da frente de batalha alemã, não permitiam aos prisioneiros
pensar em sair dali um dia. A fome, o trabalho e as perseguições eram
cada vez maiores. Ia perdendo a esperança de sair, rapidamente, do
Campo de concentração, e as as suas energias iam diminuindo. Devido ao
trabalho superior às suas forças, à fome e à escassez de roupa, o Fr. Fidelis contraiu uma doença pulmonar.
Uma
manhã de Inverno de 1942, enquanto transportava juntamente com outro
companheiro uma grande caldeira de café para a cozinha, resvalou, e o
café provocou-lhe uma grande queimadura. A dura situação a que o
sujeitava o chefe do Bloco ainda o debilitou mais. Fr. Caetano
Ambrozkiewicz, seu companheiro no campo de concentração, narra assim o
adeus do Fr. Fidelis: “Nunca esquecerei aquela tarde de domingo do
Verão de 1942, quando o Fr. Fidelis saiu da nossa barraca 28 para ser
transferido para o Bloco dos inválidos. Estava estranhamente absorto,
nos seus olhos havia um reflexo de serenidade, mas não era uma
serenidade deste mundo. Despediu-se de todos com as palavras de São
Francisco – Seja louvado Jesus Cristo, ver-nos-emos no Céu”.
Pouco
tempo depois, no dia 9 de Julho de 1942, é internado no Hospital do
Campo. O seu corpo foi levado ao crematório. No
dia 26 de Março de 1999, o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo
dos Mártires.
BEATO SINFORIANO DUCKI
Nasceu
no dia 10 de Maio de 1888 em Varsóvia. Os seus pais chamavam-se Julião
Ducki e Mariana Lenardt. No baptismo, celebrado no dia 27 de Maio,
recebeu o nome Félix (Feliks). Frequentou a escola elementar na sua
cidade natal.
Em
1918, quando os Capuchinhos regressaram ao seu Convento, donde foram
expulsos durante a perseguição Czarista de 1864, Félix apresentou-se
como um aspirante de velha data à vida da Ordem Capuchinha, juntando-se
a eles primeiro como aspirante. No dia 9 de Maio de 1920, depois de dois
anos de prova, entrou no noviciado em Nowe Miasto, com o nome de
Sinforiano, que terminou no dia 20 de Maio de 1921 com a sua profissão
simples. Terminado o ano do noviciado, dedicou-se ao serviço dos irmãos
nos Conventos de Varsóvia, de 27 de Maio de 1924 até à sua profissão
solene que ocorreu no dia 22 de Maio de 1925.
Em
Varsóvia, exerceu o ofício de irmão esmoleiro, empenhando-se
sobretudo em recolher donativos para a construção do Seminário Menor
de São Fidelis, e depois, foi nomeado irmão Sócio do Ministro
Provincial.
De
carácter sociável, simples, cortês e amistoso, conquistava com
facilidade a amizade das pessoas e conseguia novos amigos para a Ordem.
Não obstante a sua vida muito activa entre as pessoas, não perdeu o
espírito de oração devota e fervorosa. Era conhecido e estimado pelos
habitantes da capital.
Ao
começar a Segunda Guerra Mundial, preocupou-se com que não faltasse o
necessário, até, que, no dia 27 de Junho de 1941, a Gestapo prendeu
todos os Capuchinhos do Convento da capital. No início, Fr. Sinforiano
foi internado na prisão de Pawiak, e, depois, no dia 3 de Setembro, no
Campo de concentração de Auschwitz. De compleição física robusta,
sente mais que os outros a fome e as perseguições, tudo suportando em
silêncio. A pouca quantidade de comida dada pelos alemães, realmente,
não satisfazia nem uma quarta parte das necessidades do organismo de um
homem normal. Depois de sete meses foi condenado a morrer lentamente.
Uma
noite, enquanto os alemães tinham começado a matar brutalmente os
prisioneiros, partindo-lhes a cabeça à paulada, Fr. Sinforiano
afrontou-os fazendo sobre eles o sinal da Cruz. A testemunha ocular –
seu companheiro de prisão, Czeslaw Ostankowich, declara que foi
golpeado na cabeça com um pau, caindo ao chão. Pouco depois, com a
pouca força que lhe restava, volta a fazer o sinal da cruz. Foi nesse
preciso momento que o assassinaram. Era o dia 11 de Abril de 1942.
A
morte de Fr. Sinforiano pôs fim à tremenda execução que os alemães
estavam a perpetrar, e uma quinzena de prisioneiros salvou-se graças à
sua intervenção. Estes carregaram com grande veneração os restos
mortais de Fr. Sinforiano, juntamente com outros, no carro que os
levaria até ao forno crematório.
Com
o seu martírio, Sinforiano demonstrou grande heroísmo, confessou a sua
fé na Santíssima Trindade e salvou a vida a muitos companheiros. No
dia 26 de Março de 1999, o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo
dos Mártires.
ORAÇÃO
Deus
eterno e omnipotente, que concedestes aos Mártires da Perseguição
Nazi na Polónia a graça de morrerem pelo nome de Cristo,
vinde em auxílio da nossa fraqueza, para que, a exemplo
daqueles que morreram corajosamente por amor de Vós, saibamos
dar testemunho da fé com a nossa vida. Por nosso Senhor. |