“Ser peregrino não é um estatuto ou um dado adquirido”, disse José Rui Teixeira, na sua reflexão sobre “A Criação como paradigma da peregrinação”, que inaugurou a segunda sessão do primeiro dia do Simpósio Teológio-pastoral “Fátima, hoje: que caminhos” que decorreu no Centro Pastoral Paulo VI, na Cova da Iria entre os dias 21 e 23 de junho.

O diretor da Cátedra Poesia e Transcendência, da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, refletiu sobre o paradoxo entre uma certa “tendência fixista” com que nos habituámos a conceber a Criação no sentido de completude, a partir da alegoria do Livro do Génesis e a necessidade de contrariar um certo reducionismo com que entendemos a peregrinação vista a partir de um contexto especifico concreto ou uma expressão devocional. Por isso, afirmou que equacionar a Criação como paradigma da Peregrinação “supõe aceitarmos que o peregrino toma parte dessa criação continua”.

“O Peregrino é alguém em processo de desproteção, que abdica do hiato de tempo e espaço, que abdica do conforto”, com o propósito “de se deixar encontrar e de se encontrar”, afirmou.

Segundo José Rui Teixeira, “uma Igreja que não assume a sua condição peregrina, acaba por cair no esquecimento e na vaidade, presa aos males menores”, e o pior que pode acontecer é “a Igreja tornar-se um mal menor”.

“A Igreja precisa de mais santos do que propriamente dos ‘polícias’ do costume”, e nesse sentido a peregrinação “não é metáfora no caminho de santidade, é sim a afirmação da condição pascal de passagem em passagem, até à Páscoa definitiva”.

O teólogo afirmou ainda que “Fátima é lugar maior de peregrinação em Portugal”, no entanto o Santuário “é meta provisória, da peregrinação em caminho para Deus”.

José Rui Teixeira é natural do Porto. É licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, mestre em filosofia e doutorado em Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É, ainda, diretor da Cátedra Poesia e Transcendência, na universidade Católica Portuguesa, no Porto. É um dos teólogos incumbidos da redação da “Positio super vita, virtutibus et fama sanctitatis” do Processo de Beatificação e Canonização da Irmã Lúcia.

 

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