«Temos de voltar a viver espiritualmente o planeta»

 

«Os frades do convento de S. Francisco [de Assis] são homens de espiritualidade, e hoje temos de voltar a viver espiritualmente o planeta», declarou este domingo o fotógrafo Sebastião Salgado.

As palavras do brasileiro internacionalmente reconhecido e premiado pelas suas imagens da natureza e do ser humano no sofrimento, exploração e esperança, foram proferidas no contexto do diálogo com o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, no último dia da iniciativa Átrio de Francisco, em Assis.

«Hoje falamos muito da Amazónia e da sua destruição. Mas o problema não é só a Amazónia: temos de encontrar uma maneira de voltar ao planeta, de amar o planeta», vincou.

Cerca de seis mil pessoas assistiram à projeção, na fachada da basílica superior de S. Francisco de Assis, de imagens do projeto de Salgado sobre a vasta região da América do Sul, que tem estado no epicentro das notícias devido à acelerada desflorestação.

«Ontem olhava para o planalto de Assis, a cadeia de montanhas no horizonte. Estou certo de que, um dia, no passado, S. Francisco olhou para as mesmas paisagens, caminhou até às montanhas, para admirar e amar a natureza», afirmou.

As imagens a preto e branco do fotógrafo mineiro mostraram povos nativos da Amazónia, acompanhadas por músicas do compositor Heitor Villa-Lobos, sugerindo um réquiem pelas regiões que já se perderam devido ao desmatamento e mineração.

A iniciativa realizou-se na véspera da reunião de líderes de estados membros das Nações Unidas, na Cimeira da Ação Climática, que decorre hoje em Nova Iorque, com o objetivo de dar novo impulso ao combate às alterações climáticas.

Para o cardeal Ravasi, «a experiência que se faz através das imagens de Salgado, espécie de grande itinerário, poético e também artístico, sobre a fachada da basílica de S. Francisco, é uma grande ocasião para reescrever de maneira ideal o “Cântico das criaturas” de S. Francisco».

É um cântico «que já não é pronunciado e proclamado por ele no interior desta cidade, fazendo-o fluir sob o céu da Úmbria ou no interior desta paisagem, mas precisamente sobre a fachada da sua igreja, escrito através das imagens», destacou o prelado italiano.

«Graças ao projeto “Amazónia”, de Salgado, ouvimos a voz de S. Francisco, atualizada de uma maneira absolutamente inesperada e surpreendente», assinalou.

De 6 a 27 de outubro, a assembleia especial do sínodo dos bispos para a região pan-amazónica vai debater, no Vaticano, o tema “Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

 

Rui Jorge Martins, Assisi News, Extra | Imagem: Vatican News, D.R.

«Temos de voltar a viver espiritualmente o planeta»

«Temos de voltar a viver espiritualmente o planeta»

 

«Os frades do convento de S. Francisco [de Assis] são homens de espiritualidade, e hoje temos de voltar a viver espiritualmente o planeta», declarou este domingo o fotógrafo Sebastião Salgado.

As palavras do brasileiro internacionalmente reconhecido e premiado pelas suas imagens da natureza e do ser humano no sofrimento, exploração e esperança, foram proferidas no contexto do diálogo com o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, no último dia da iniciativa Átrio de Francisco, em Assis.

«Hoje falamos muito da Amazónia e da sua destruição. Mas o problema não é só a Amazónia: temos de encontrar uma maneira de voltar ao planeta, de amar o planeta», vincou.

Cerca de seis mil pessoas assistiram à projeção, na fachada da basílica superior de S. Francisco de Assis, de imagens do projeto de Salgado sobre a vasta região da América do Sul, que tem estado no epicentro das notícias devido à acelerada desflorestação.

«Ontem olhava para o planalto de Assis, a cadeia de montanhas no horizonte. Estou certo de que, um dia, no passado, S. Francisco olhou para as mesmas paisagens, caminhou até às montanhas, para admirar e amar a natureza», afirmou.

As imagens a preto e branco do fotógrafo mineiro mostraram povos nativos da Amazónia, acompanhadas por músicas do compositor Heitor Villa-Lobos, sugerindo um réquiem pelas regiões que já se perderam devido ao desmatamento e mineração.

A iniciativa realizou-se na véspera da reunião de líderes de estados membros das Nações Unidas, na Cimeira da Ação Climática, que decorre hoje em Nova Iorque, com o objetivo de dar novo impulso ao combate às alterações climáticas.

Para o cardeal Ravasi, «a experiência que se faz através das imagens de Salgado, espécie de grande itinerário, poético e também artístico, sobre a fachada da basílica de S. Francisco, é uma grande ocasião para reescrever de maneira ideal o “Cântico das criaturas” de S. Francisco».

É um cântico «que já não é pronunciado e proclamado por ele no interior desta cidade, fazendo-o fluir sob o céu da Úmbria ou no interior desta paisagem, mas precisamente sobre a fachada da sua igreja, escrito através das imagens», destacou o prelado italiano.

«Graças ao projeto “Amazónia”, de Salgado, ouvimos a voz de S. Francisco, atualizada de uma maneira absolutamente inesperada e surpreendente», assinalou.

De 6 a 27 de outubro, a assembleia especial do sínodo dos bispos para a região pan-amazónica vai debater, no Vaticano, o tema “Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

 

Rui Jorge Martins, Assisi News, Extra | Imagem: Vatican News, D.R.