(Ambiente: Bíblia, Crucifixo de São Damião, Fontes Franciscanas, imagem de São Francisco, velas acesas)

 

Oração Inicial:

Com todo o nosso coração,
com toda a nossa alma,
com todo o nosso espírito,
com toda a coragem e fortaleza,
com toda a inteligência e com todas as forças,
com toda a boa vontade e afeto,
com todas as entranhas,
com as ânsias todas da alma,
amemos todos ao Senhor Deus
que a cada um de nós deu e dá
o corpo, a alma e a vida;
que nos criou e remiu
e só por sua misericórdia nos salvará;
que nos fez e nos faz todo o bem,
a nós miseráveis e mesquinhos,
corruptos e fétidos,
ingratos e maus. (RnB XXIII, 8)

 

O que é a Fraternidade?

A palavra “Fraternidade”, talvez, faça pensar no carinho, na alegria de termos companhia: termos alguém que partilhe algum tempo ou toda a vida connosco, para estarmos sempre alegres, trabalhar alegres, divertirmo-nos muito. Portanto a fraternidade é desejável porque evitamos a solidão e a tristeza.

Na verdade, a palavra “Fraternidade” vem da raiz latina “Frater” que significa “irmão”; é descobrir ter irmãos (e irmãs) ao meu lado, e não apenas “alguém”. E este irmão deve ser constante e fielmente alvo do nosso amor, em nome de Jesus.

 

A Fraternidade na Sagrada Escritura – O mandamento do amor fraterno

É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.
Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai.
Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá.
É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.» (João 15, 12-17)

Para Refletir: Jesus, na hora mais trágica da sua vida terrena, vive com intensidade e intimidade a sua missão confiando aos seus discípulos ... uma missão: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei». Jesus interpreta a nossa vida cristã a partir da relação com Deus Pai: quem reconhecer a Deus como Pai, identifica quem está e caminha a seu lado como irmão, isto é, alguém igual a si, com os seus dons e defeitos, merecedor de atenção e respeito, de bondade e amor. O amor de Jesus manifestou-se em dar a própria vida por nós: não podemos ficar com este amor sem palpitarmos de compaixão pelo nosso próximo (quem quer que seja, sem escolher). Daí que devemos alegrar-nos com os que são alegres e consolarmos os que andam tristes. Não é uma nossa escolha, desde que fomos chamados e convidados por Jesus a irmos e a darmos fruto que permaneça. Esta fraternidade, dom de Deus, mantém-se viva pela mútua oração e sentimentos de estima, com a certeza de que o Pai nunca se esquece de nós e nunca nos faz faltar algo de necessário para a nossa vida de verdadeiros amigos.

 

A Fraternidade “segundo” São Francisco de Assis

S. Francisco não projetou a fraternidade por cima duma mesa, idealisticamente, mas simplesmente descobriu-a vivendo-a: ele procurava a Deus, e Deus deu-lhe irmãos...

(lê o texto individualmente e vai sublinhando o que te chamar mais à atenção)

Desprezadas as coisas terrenas e imunizados contra as tentações do amor-próprio, [os irmãos] centravam todo o afeto na comunidade, pelo que todos disputavam na doação de si mesmos para acorrerem às necessidades dos irmãos.

Eram felizes quando podiam reunir-se e, mais ainda, quando juntos viviam. A ausência, pelo contrário, era-lhes penosa; amarga a separação, doloroso o adeus. Nada, porém, esses obedientíssimos soldados de Cristo ousavam antepor aos preceitos da santa obediência. Antes mesmo que a palavra de ordem fosse pronunciada até ao fim, já eles se antecipavam a cumpri-la.

Eram incapazes de discutir as ordens recebidas, antes, removendo todos os obstáculos, precipitavam-se a dar-lhes cumprimento. E, pois eram seguidores fiéis da santíssima pobreza, nada possuíam, a nada se apegavam e nada receavam perder. Contentavam-se com uma só túnica, remendada às vezes por dentro e por fora e, mesmo assim, tão pobre e desprezível a queriam que todos vissem estarem verdadeiramente crucificados para o mundo. Cingiam-se com uma corda, usavam bragas de rude pano e era seu propósito permanecerem naquele estado e não terem outro. Por isso, andavam sempre serenos, sem temores que os inquietassem, nem preocupações que os distraíssem. Nem os angustiava sequer a incerteza do abrigo onde passar a noite, por grandes que tivessem sido os incómodos padecidos em viagem. Frequentemente, em tempo de frio rigoroso, não encontrando hospitalidade, pernoitavam anichados em alguma gruta ou forno.

Durante o dia, os que sabiam algum ofício trabalhavam com suas próprias mãos, ou assistiam aos leprosos, a todos servindo com dedicação e humildade. Ocupações que pudessem ser motivo de escândalo eram recusadas, pelo que se entregavam somente a trabalhos honestos e úteis, dando exemplo de humildade e de paciência a quantos com eles tratavam. (1 Cel 39).

 

Para refletir: Francisco de Assis descobriu ter irmãos quando reconheceu a Deus como seu único Pai (no episódio do despojamento perante o Bispo). E não apenas os homens são irmãos, mas toda a criatura (conhecemos todos o Cântico do Irmão Sol!). Também para são Francisco, portanto, a fraternidade mais do que uma prenda para gozar é um dom para partilhar. Mais ainda: uma missão para viver sempre com a alegria no rosto (Francisco não gostava dos frades tristes), como diz s. Paulo na Carta aos Filipenses: “Irmãos caríssimos, alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos!” (Fl 4,4). Viver a fraternidade é achar o outro mais importante do que eu e, se for necessário, dar a minha vida por ele. Devo defender o irmão, protegê-lo, encorajá-lo, cuidar dele se for necessário, sem cálculo algum. Há um episódio em que dois frades a caminhar encontram um maldoso que está a lançar pedras contra eles; um deles, vendo que a pedra dirigia-se contra o irmão, lançou-se para frente para ser apanhado ele antes do irmão...

Para Francisco de Assis viver a fraternidade é tentar fazer tudo o que eu posso para o irmão, antes do que ficar à espera do que o outro deveria fazer para mim. Porquê? Por amor de Deus, porque me sinto amado por Deus, porque não posso ser verdadeiramente feliz de outra maneira.

(Após a leitura e breve reflexão individual deverão juntar-se em pequenos grupos, onde cada um possa partilhar as suas impressões.  Após a discussão nos grupos, reúnem-se todos e partilham de modo resumido os pontos essenciais falados).

 

Breve introdução à realidade atual

Após a partilha, poderão colocar-se algumas questões para discussão… como por exemplo…

a) Como pode a fraternidade franciscana ser estímulo para mim hoje?

b) Como posso viver a fraternidade no grupo de jovens e na Igreja?

c) Pensando na Carta Encíclica do Papa Francisco “Laudato Si”: como posso ser irmão do homem marginalizado, da mulher violada, da criança ferida e desfrutada, do ancião desprezado, da natureza poluída ou destruída...? Qual estilo de vida mais fraterno será necessário empreendermos juntos?

 

Oração final:

Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da esperança para efetuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amen. (Papa Francisco)

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