Frei Lourenço da Correlhã

Frei Lourenço (Augusto José Luís Torres Lima) era natural da freguesia da Correlhã, concelho de Ponte de Lima, onde nasceu em 18 de Outubro de 1918. Filho de abastados agricultores, com cerca de 20 anos de idade ouviu ressoar no mais íntimo de si mesmo a voz de Deus que o desafiava a optar por um estilo de vida diferente, como anos mais tarde faria o mesmo o seu irmão, Frei João da Correlhã. Despediu-se da sua numerosa família e pediu para ingressar na Ordem Capuchinha. Foi acolhido no extinto Seminário Seráfico de Fafe a 18 de Setembro de 1939, que seria oficialmente inaugurado no seguinte dia 20 de Outubro. Apenas com um ano de estudos preparatórios, iniciou o seu noviciado na Fraternidade de Barcelos a 4 de Outubro de 1940. Aí emitiu a profissão temporária em 5 de Outubro do ano seguinte, a profissão perpétua a 26 de Outubro de 1944 na Fraternidade de Extramuros, em Pamplona (Espanha) e, ao concluir o 3º ano de teologia, recebeu a ordenação presbiteral na velha Sé de Braga a 4 de Julho de 1948. Foi o primeiro capuchinho português a ser promovido ao sacerdócio depois da fundação jurídica da Ordem em Portugal. Fez o curso de Filosofia em Barcelos de 1942 a 1945 e o de Teologia no Convento de Estella, Pamplona, Província de Navarra, de 1945 a 1949.

Concluído o curso de teologia, em Junho de 1949 foi colocado no Seminário Seráfico do Porto como prefeito de disciplina e professor. Um ano mais tarde, em Setembro de 1950, confiaram-lhe o cargo de Guardião dessa Fraternidade, função que deixou em 1951 para ficar integrado na Fraternidade de Coimbra. Em Agosto do ano seguinte foi nomeado Vice-Superior, mas em Junho de 1953 deixou Coimbra e rumou para Barcelos.

Recebeu aí a investidura de missionário “ad gentes” e a 22 de Agosto de 1954 embarcou para Angola na companhia do Frei Cirino de Getúlio Vargas, confrade brasileiro da Província do Rio Grande do Sul, naturalizado português. Desembarcou em Luanda a 6 de Setembro e, no seguinte dia 8, festa da Natividade de Nossa Senhora, entrou na Fazenda Tentativa para iniciar o que mais tarde viria a ser a nossa Missão Regular. Foi aí que o então arcebispo de Luanda, Dom Moisés Alves de Pinho, lhe confiou a descristianizada paróquia de Santa Ana do Caxito, à qual estava anexada uma vastíssima área de evangelização. Ali construiu, primeiro, uma Escola de Artes e Ofícios por onde passaram e receberam formação humana e profissional, muitos jovens que foram depois personalidades de relevo na vida política e social de Angola. Mais tarde conseguiu também erguer a igreja da “Mamã Sant’Ana”, ao lado da pequena e histórica capela do mesmo nome que viria a tornar-se um famoso santuário de peregrinação do povo angolano.

Do Caxito estendeu a sua acção missionária às zonas de Nambuangongo, São José do Encoge e Ambrige, que evangelizou até 1961. Nesse ano, a instabilidade social e política provocada nos Centros Missionários pela eclosão dos acontecimentos sangrentos da Guerra de Libertação de Angola, obrigou-o a limitar a sua actividade à zona do Dande, desde o Úcua até à Barra do Dande e desde os Libongos até Quifandongo. Porém, este impasse causado pela guerra de guerrilha permitiu-lhe canalizar todas as suas energias para o trabalho pastoral na circunscrição missionária do Caxito, onde também desempenhava o ofício de Superior e pároco.

Em 1973 sentiu necessidade de vir à Província para ser observado e tratado a um carcinoma em formação na corda vocal esquerda. Durante alguns meses fez tratamento de radioterapia em Lisboa, no Instituto Português de Oncologia (I.P.O.), que o deixaram com disfonia persistente da voz e, como sequela, uma rouquidão crónica. Regressou a Angola no ano seguinte para reatar a sua actividade missionária não já em Luanda – Caxito, mas na diocese do Uíje. Aqui viveu momentos verdadeiramente dramáticos, decorrentes da ajuda humanitária que prodigalizava às vítimas indefesas de constantes e sangrentos massacres provocados pela guerra civil angolana. E aqui assistiu também à proclamação da independência de Angola, oficializada em 11 de Novembro de 1975.

Em 5 de Janeiro de 1976, na refrega da luta armada entre as facções beligerantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) e da FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola), o Frei Lourenço acabou por ser preso e sequestrado por um comandante cubano. E com ele também o então bispo da diocese, Dom Francisco da Mata Mourisca, e mais algumas dezenas de missionários e irmãs missionárias. Numa penosa via-sacra, foram conduzidos em coluna militar para Luanda num verdadeiro degredo que durou dois dias e duas noites. Avançando à sua frente, os cubanos davam ordens às populações, afectas ao MPLA, para vir à estrada insultá-los e cuspir-lhes, apelidando-os de lacaios da FNLA. Mas chegados a Luanda, fisicamente depauperados e maltratados, o então Presidente da República, Agostinho Neto, posto ao corrente do que se tinha passado e reconhecendo ter havido um lamentável “equívoco” na sua detenção, mandou-os restituir à liberdade. E cheio de alegria por ter dado, juntamente com os seus companheiros, testemunho de Cristo, o Frei Lourenço regressou ao Uíje para continuar a ser uma presença solidária da Igreja junto das populações marcadas por situações desumanas de extrema pobreza e de grande sofrimento.

De 1976 a 1982, assumiu o cuidado pastoral da paróquia de São Francisco de Assis do Uíje que serviu também de plataforma para acolher e prestar assistência humanitária aos milhares de exilados angolanos que regressavam às suas terras, vindos da República Democrática do Zaire, transportando ora de jipe, ora de camião, toneladas de alimentos para lhes matar a fome. E ainda lhe sobrou tempo para distender essa mesma acção humanitária e cristã aos povos de Nova Caipemba, Songo, Bembe, Quitexe e municípios anexos. Em 1988, com a criação da Vice-Província dos Capuchinhos de Angola, ficou integrado na Fraternidade do Uíje como pároco do Quitexe e Kipedro.

Entretanto, por razões de saúde e a juízo dos Superiores Maiores da Província, viu-se obrigado a fazer uma pausa na sua intensa actividade missionária, e em Julho de 1989 passou a fazer parte da Fraternidade de Cabanas de Viriato, diocese de Viseu, que nesse ano começou a funcionar como casa de noviciado. Em 1991 ainda regressou a Angola mas, sentindo-se fisicamente muito fragilizado, despediu-se, de vez, dessas “enfeitiçadas” terras africanas e, no ano seguinte, voltou definitivamente para Província. Foram quase 40 anos de labuta permanente ao serviço da evangelização e promoção humana do povo angolano através da doação desgastante de si mesmo para a implantação e crescimento daquela Igreja africana.

Ficou agregado à Fraternidade da Baixa da Banheira como Vigário paroquial da comunidade cristã de São José Operário. Dois anos depois transitou para a Fraternidade do Porto como Assistente da Fraternidade Franciscana Secular. Em 1996 recebeu do bispo da diocese a nomeação de Vigário paroquial da paróquia de Nossa Senhora de Fátima do Amial. Aqui viveu de modo gratificante e com o entusiasmo apostólico, que sempre o caracterizou, os últimos anos da sua vida.

Em Agosto de 2006, em consulta de otorrinolaringologia no I.P.O. de Lisboa, através de endoscopia laríngea, foi-lhe diagnosticada uma formação polipoide na corda vocal esquerda. E no seguinte mês de Setembro foi submetido a uma microlaringospia em suspensão com excisão da lesão polipoide dessa banda ventricular, que o deixou com uma disfonia da alteração da voz e da palavra ainda mais acentuada. Cinco anos depois, a 18 de Setembro de 2011, de visita aos seus familiares na sua terra natal, foi acometido de violento e sufocante ataque de tosse. Transportado para a Urgência do Hospital de Viana do Castelo, diagnosticaram-lhe um tumor maligno alojado na traqueia e na faringe. Transcorrido algum tempo, foi internado no Instituto Português de Oncologia (I.P.O.) do Porto e, a 7 de Dezembro, submetido a uma traqueostomia. A partir daí, ficou a ser alimentado por uma sonda cirurgicamente direcionada ao estômago. Aliás, os seus últimos anos de vida foram marcados por muitas limitações e sofrimentos: um derrame ocular privou-o da visão da vista esquerda com progressivo estreitamento do seu campo visual até ficar praticamente cego, e também com uma cada vez mais reduzida capacidade de audição.

Com o súbito agravamento do seu estado de saúde, a 13 de Abril de 2012 acabou por ser internado no mesmo estabelecimento hospitalar onde, meses antes, tinha sido oncologicamente intervencionado. E aí veio a falecer no seguinte 17 de Abril.

Sempre comprometido com o seu tempo de viver, o Frei Lourenço foi um verdadeiro enamorado da espiritualidade franciscana e da vida capuchinha. Na vivência do seu carisma franciscano nele refulgiram, em alto grau, as virtudes da simplicidade, da perfeita alegria, do despojamento de si mesmo e duma inesgotável capacidade para servir. E tudo isso era fruto duma intensa vida interior alimentada pela leitura orante da Palavra de Deus, pela vivência da Eucaristia e por uma terníssima devoção a Nossa Senhora. Dedicou-se apaixonadamente ao serviço da pastoral dos doentes para, através do seu jeito peculiar de os acolher, ouvir e com eles dialogar, lhes levar alívio e conforto. Mas foi sobretudo o grande apóstolo e servidor do perdão e da misericórdia de Deus para todos os que, de perto e de longe, o procuravam no Sacramento da Reconciliação. Era tudo isto que o tornava apreciado e querido por toda a gente. E na sua cativante simplicidade, o Frei Lourenço correspondia a esse apreço com o seu sorriso, o seu conselho, a sua palavra de consolação e a sua bênção.

O seu funeral realizou-se no dia 18 de Abril de 2012 na nossa Igreja do Porto. Contava 94 anos de idade, 64 de sacerdote e 71 de vida religiosa. Ficou sepultado no cemitério de Paranhos em jazigo privativo dos Capuchinhos.

Frei Lourenço da Correlhã

Frei Lourenço da Correlhã

Frei Lourenço (Augusto José Luís Torres Lima) era natural da freguesia da Correlhã, concelho de Ponte de Lima, onde nasceu em 18 de Outubro de 1918. Filho de abastados agricultores, com cerca de 20 anos de idade ouviu ressoar no mais íntimo de si mesmo a voz de Deus que o desafiava a optar por um estilo de vida diferente, como anos mais tarde faria o mesmo o seu irmão, Frei João da Correlhã. Despediu-se da sua numerosa família e pediu para ingressar na Ordem Capuchinha. Foi acolhido no extinto Seminário Seráfico de Fafe a 18 de Setembro de 1939, que seria oficialmente inaugurado no seguinte dia 20 de Outubro. Apenas com um ano de estudos preparatórios, iniciou o seu noviciado na Fraternidade de Barcelos a 4 de Outubro de 1940. Aí emitiu a profissão temporária em 5 de Outubro do ano seguinte, a profissão perpétua a 26 de Outubro de 1944 na Fraternidade de Extramuros, em Pamplona (Espanha) e, ao concluir o 3º ano de teologia, recebeu a ordenação presbiteral na velha Sé de Braga a 4 de Julho de 1948. Foi o primeiro capuchinho português a ser promovido ao sacerdócio depois da fundação jurídica da Ordem em Portugal. Fez o curso de Filosofia em Barcelos de 1942 a 1945 e o de Teologia no Convento de Estella, Pamplona, Província de Navarra, de 1945 a 1949.

Concluído o curso de teologia, em Junho de 1949 foi colocado no Seminário Seráfico do Porto como prefeito de disciplina e professor. Um ano mais tarde, em Setembro de 1950, confiaram-lhe o cargo de Guardião dessa Fraternidade, função que deixou em 1951 para ficar integrado na Fraternidade de Coimbra. Em Agosto do ano seguinte foi nomeado Vice-Superior, mas em Junho de 1953 deixou Coimbra e rumou para Barcelos.

Recebeu aí a investidura de missionário “ad gentes” e a 22 de Agosto de 1954 embarcou para Angola na companhia do Frei Cirino de Getúlio Vargas, confrade brasileiro da Província do Rio Grande do Sul, naturalizado português. Desembarcou em Luanda a 6 de Setembro e, no seguinte dia 8, festa da Natividade de Nossa Senhora, entrou na Fazenda Tentativa para iniciar o que mais tarde viria a ser a nossa Missão Regular. Foi aí que o então arcebispo de Luanda, Dom Moisés Alves de Pinho, lhe confiou a descristianizada paróquia de Santa Ana do Caxito, à qual estava anexada uma vastíssima área de evangelização. Ali construiu, primeiro, uma Escola de Artes e Ofícios por onde passaram e receberam formação humana e profissional, muitos jovens que foram depois personalidades de relevo na vida política e social de Angola. Mais tarde conseguiu também erguer a igreja da “Mamã Sant’Ana”, ao lado da pequena e histórica capela do mesmo nome que viria a tornar-se um famoso santuário de peregrinação do povo angolano.

Do Caxito estendeu a sua acção missionária às zonas de Nambuangongo, São José do Encoge e Ambrige, que evangelizou até 1961. Nesse ano, a instabilidade social e política provocada nos Centros Missionários pela eclosão dos acontecimentos sangrentos da Guerra de Libertação de Angola, obrigou-o a limitar a sua actividade à zona do Dande, desde o Úcua até à Barra do Dande e desde os Libongos até Quifandongo. Porém, este impasse causado pela guerra de guerrilha permitiu-lhe canalizar todas as suas energias para o trabalho pastoral na circunscrição missionária do Caxito, onde também desempenhava o ofício de Superior e pároco.

Em 1973 sentiu necessidade de vir à Província para ser observado e tratado a um carcinoma em formação na corda vocal esquerda. Durante alguns meses fez tratamento de radioterapia em Lisboa, no Instituto Português de Oncologia (I.P.O.), que o deixaram com disfonia persistente da voz e, como sequela, uma rouquidão crónica. Regressou a Angola no ano seguinte para reatar a sua actividade missionária não já em Luanda – Caxito, mas na diocese do Uíje. Aqui viveu momentos verdadeiramente dramáticos, decorrentes da ajuda humanitária que prodigalizava às vítimas indefesas de constantes e sangrentos massacres provocados pela guerra civil angolana. E aqui assistiu também à proclamação da independência de Angola, oficializada em 11 de Novembro de 1975.

Em 5 de Janeiro de 1976, na refrega da luta armada entre as facções beligerantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) e da FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola), o Frei Lourenço acabou por ser preso e sequestrado por um comandante cubano. E com ele também o então bispo da diocese, Dom Francisco da Mata Mourisca, e mais algumas dezenas de missionários e irmãs missionárias. Numa penosa via-sacra, foram conduzidos em coluna militar para Luanda num verdadeiro degredo que durou dois dias e duas noites. Avançando à sua frente, os cubanos davam ordens às populações, afectas ao MPLA, para vir à estrada insultá-los e cuspir-lhes, apelidando-os de lacaios da FNLA. Mas chegados a Luanda, fisicamente depauperados e maltratados, o então Presidente da República, Agostinho Neto, posto ao corrente do que se tinha passado e reconhecendo ter havido um lamentável “equívoco” na sua detenção, mandou-os restituir à liberdade. E cheio de alegria por ter dado, juntamente com os seus companheiros, testemunho de Cristo, o Frei Lourenço regressou ao Uíje para continuar a ser uma presença solidária da Igreja junto das populações marcadas por situações desumanas de extrema pobreza e de grande sofrimento.

De 1976 a 1982, assumiu o cuidado pastoral da paróquia de São Francisco de Assis do Uíje que serviu também de plataforma para acolher e prestar assistência humanitária aos milhares de exilados angolanos que regressavam às suas terras, vindos da República Democrática do Zaire, transportando ora de jipe, ora de camião, toneladas de alimentos para lhes matar a fome. E ainda lhe sobrou tempo para distender essa mesma acção humanitária e cristã aos povos de Nova Caipemba, Songo, Bembe, Quitexe e municípios anexos. Em 1988, com a criação da Vice-Província dos Capuchinhos de Angola, ficou integrado na Fraternidade do Uíje como pároco do Quitexe e Kipedro.

Entretanto, por razões de saúde e a juízo dos Superiores Maiores da Província, viu-se obrigado a fazer uma pausa na sua intensa actividade missionária, e em Julho de 1989 passou a fazer parte da Fraternidade de Cabanas de Viriato, diocese de Viseu, que nesse ano começou a funcionar como casa de noviciado. Em 1991 ainda regressou a Angola mas, sentindo-se fisicamente muito fragilizado, despediu-se, de vez, dessas “enfeitiçadas” terras africanas e, no ano seguinte, voltou definitivamente para Província. Foram quase 40 anos de labuta permanente ao serviço da evangelização e promoção humana do povo angolano através da doação desgastante de si mesmo para a implantação e crescimento daquela Igreja africana.

Ficou agregado à Fraternidade da Baixa da Banheira como Vigário paroquial da comunidade cristã de São José Operário. Dois anos depois transitou para a Fraternidade do Porto como Assistente da Fraternidade Franciscana Secular. Em 1996 recebeu do bispo da diocese a nomeação de Vigário paroquial da paróquia de Nossa Senhora de Fátima do Amial. Aqui viveu de modo gratificante e com o entusiasmo apostólico, que sempre o caracterizou, os últimos anos da sua vida.

Em Agosto de 2006, em consulta de otorrinolaringologia no I.P.O. de Lisboa, através de endoscopia laríngea, foi-lhe diagnosticada uma formação polipoide na corda vocal esquerda. E no seguinte mês de Setembro foi submetido a uma microlaringospia em suspensão com excisão da lesão polipoide dessa banda ventricular, que o deixou com uma disfonia da alteração da voz e da palavra ainda mais acentuada. Cinco anos depois, a 18 de Setembro de 2011, de visita aos seus familiares na sua terra natal, foi acometido de violento e sufocante ataque de tosse. Transportado para a Urgência do Hospital de Viana do Castelo, diagnosticaram-lhe um tumor maligno alojado na traqueia e na faringe. Transcorrido algum tempo, foi internado no Instituto Português de Oncologia (I.P.O.) do Porto e, a 7 de Dezembro, submetido a uma traqueostomia. A partir daí, ficou a ser alimentado por uma sonda cirurgicamente direcionada ao estômago. Aliás, os seus últimos anos de vida foram marcados por muitas limitações e sofrimentos: um derrame ocular privou-o da visão da vista esquerda com progressivo estreitamento do seu campo visual até ficar praticamente cego, e também com uma cada vez mais reduzida capacidade de audição.

Com o súbito agravamento do seu estado de saúde, a 13 de Abril de 2012 acabou por ser internado no mesmo estabelecimento hospitalar onde, meses antes, tinha sido oncologicamente intervencionado. E aí veio a falecer no seguinte 17 de Abril.

Sempre comprometido com o seu tempo de viver, o Frei Lourenço foi um verdadeiro enamorado da espiritualidade franciscana e da vida capuchinha. Na vivência do seu carisma franciscano nele refulgiram, em alto grau, as virtudes da simplicidade, da perfeita alegria, do despojamento de si mesmo e duma inesgotável capacidade para servir. E tudo isso era fruto duma intensa vida interior alimentada pela leitura orante da Palavra de Deus, pela vivência da Eucaristia e por uma terníssima devoção a Nossa Senhora. Dedicou-se apaixonadamente ao serviço da pastoral dos doentes para, através do seu jeito peculiar de os acolher, ouvir e com eles dialogar, lhes levar alívio e conforto. Mas foi sobretudo o grande apóstolo e servidor do perdão e da misericórdia de Deus para todos os que, de perto e de longe, o procuravam no Sacramento da Reconciliação. Era tudo isto que o tornava apreciado e querido por toda a gente. E na sua cativante simplicidade, o Frei Lourenço correspondia a esse apreço com o seu sorriso, o seu conselho, a sua palavra de consolação e a sua bênção.

O seu funeral realizou-se no dia 18 de Abril de 2012 na nossa Igreja do Porto. Contava 94 anos de idade, 64 de sacerdote e 71 de vida religiosa. Ficou sepultado no cemitério de Paranhos em jazigo privativo dos Capuchinhos.

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