Natural da freguesia de Aguiar de Sousa, concelho de Paredes, nasceu em 28 de Novembro de 1886. Emigrado no Brasil, fez-se capuchinho, sendo já adulto com 33 anos, na então Custódia e hoje Província dos Capuchinhos de São Paulo. Aí vestiu o hábito capuchinho em 4 de Agosto de 1919, emitiu a profissão temporária em 15 de Agosto do ano seguinte e a profissão perpétua em 27 de Janeiro de 1927.

Chegou pela primeira vez à nossa Casa de Barcelos, de visita a sua mãe, em Junho de 1939, mas no seguinte mês de Outubro regressou de novo ao Brasil. Ao ser fundado em Março desse ano o Comissariado Geral dos Capuchinhos portugueses, o Frei Miguel Ângelo, já com 19 anos de Religioso, recebeu então a obediência do Padre Geral, Frei Donato de Welle, para vir ajudar outros confrades, que já aqui se encontravam, na implantação da Ordem em Portugal.

Depois de ter passado umas semanas na Fraternidade de Beja, em Dezembro de 1939 ou em Janeiro de 1940 foi destinado à Casa de Fafe, a fim de aí cuidar da roupa dos seminaristas e do Quintal do Seminário Seráfico. Este tinha sido inaugurado oficialmente em 29 de Outubro de 1939, embora a abertura do ano lectivo se tivesse verificado no anterior dia 20.

Esteve nessa Casa da chamada “Quinta do Calvário” dois anos incompletos e em princípios de 1942 foi transferido para a Fraternidade de Barcelos. Aqui viveu a maior parte da sua vida, apenas com uma episódica passagem pela primitiva Casa de Fátima — a antiga Pensão “Sagrada Família”. Isto ocorreu em Outubro de 1957. Em fins de 1958 essa Casa foi vendida aos Padres Franciscanos Conventuais e o Frei Miguel mais os irmãos que lá moravam foram transferidos para outras Fraternidades.

Nos muitos anos que residiu na Casa de Barcelos, exerceu os ofícios de porteiro, sacristão e alfaiate. Possuía alguns conhecimentos práticos de medicina homeopática. E percebia também de propriedades terapêuticas curativas das mais variadas ervas e plantas, que aconselhava e “receitava” às pessoas que o procuravam.

Figura venerável de autêntico capuchinho na linha tradicional da nossa Ordem, elevada estatura e longa barba, por onde passava deixava atrás de si um rasto de admiração e simpatia. Mas era sobretudo um homem orante, que amava o silêncio e o recolhimento interior e profundamente contemplativo. Frequentava com assiduidade o Sacramento da Reconciliação e diariamente o Sacramento da Eucaristia. A todos edificava com a sua filial devoção a Nossa Senhora a quem rezava o Rosário todos os dias. Era visto muitas vezes a fazer o exercício da Via-Sacra na igreja conventual e a visita ao Santíssimo Sacramento.

Apesar de se ter feito capuchinho no estrangeiro, era membro de pleno “jure” da nossa Província onde se incardinou em 20 de Abril de 1958, por rescrito assinado pelo Padre Geral da Ordem, Frei Benigno de Sant’ Ilario Milanese.

Abalado por uma trombose, faleceu no dia 23 de Janeiro de 1971. Contava 81 anos de idade e 51 de vida religiosa. Depois do Frei João de Amareleja, falecido também em Barcelos a 5 de Agosto de 1942, foi o segundo capuchinho da nossa Província a ser-nos arrebatado pela “irmã morte corporal”. Todos os outros Religiosos, falecidos até essa data, pertenciam juridicamente a outras Províncias. Ficou sepultado no cemitério Municipal de Barcelos em talhão ali reservado para os nossos Religiosos.

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